- Mostra encerra projeto cultural gratuito que acolhe moradores de São Paulo e do ABC Paulista em diferentes situações socioeconômicas e emocionais, trazendo acompanhamento psicossocial por meio da arte
- Exibição gratuita acontece entre os dias 08 e 25 de novembro na Associação Comercial e Industrial, no bairro Nova Petrópolis

Figura 1 - Projeto SENSORIAL: Arte & Movimento reúne pessoas de diferentes idades para unir arte e saúde mental em São Bernardo do Campo. Crédito: SENSORIAL: Arte & Movimento
A atividade artística tem ganhado novos significados ao ir além da simples manifestação criativa e estética, sendo uma ferramenta terapêutica poderosa para promover o bem-estar e a manutenção da saúde mental das pessoas. Explorar as múltiplas funções e os impactos da arte em nosso comportamento é a proposta da exposição “As Sete Funções da Arte”, realizada pela instituição SENSORIAL: Arte & Movimento. A exibição acontece entre os dias 08 e 25 de novembro, na Associação Comercial e Industrial, em frente ao novo hospital da mulher, em São Bernardo do Campo.
A
mostra pretende apresentar as obras realizadas pelos participantes do projeto,
que passaram por uma formação artística e por um acompanhamento psicossocial ao
trabalhar aflições e problemas pessoais de maneira lúdica, como traumas,
transtornos mentais e discriminações.
Fundador
do projeto, Denílson de Jesus Silva conta que a ideia surgiu durante
a pandemia de Covid-19, ainda em 2020. No auge das internações nos hospitais,
quando não se falava no desenvolvimento de vacinas, o
gestor do projeto passou por uma explosão de sentimentos e emoções ao
ser internado na UTI devido a um procedimento cirúrgico. “Na medida em que eu
estava ali internado, fui me sentindo cada vez mais fragilizado mentalmente,
por conta de uma sensação muito forte de que poderia morrer a qualquer hora no
hospital. Pessoas fugindo das salas, enfermeiros correndo pelos corredores;
isso para mim impactou muito, foi aí que comecei a pensar em realizar alguma
atividade que pudesse me colocar no centro da minha vida; foi quando passei a
me relacionar com a arte”.
Denílson
encontrou na arte uma forma de restabelecer o equilíbrio emocional consigo
mesmo, além de explorar sua subjetividade e, com isso, reconhecer novas facetas
do homem que se encontrava no hospital. “Descobri que criar uma maneira de
interação com a arte não poderia ajudar somente a mim, mas também a outras
pessoas que passaram ou passam por situações de sofrimento parecidas com a que
vivenciei. Então, resolvi pesquisar o assunto mais a fundo”, relata.
Desde
então, criou o projeto SENSORIAL: Arte & Movimento, que existe há três anos
e já impactou a vida de cerca de 50 pessoas, sem
contar círculos sociais como trabalho, família e comunidade, que também são
impactados pelas relações com os participantes. O projeto segue a lógica da
“arte como ferramenta de elaboração para questões emocionais”, ao oferecer
cursos de arte onde os participantes podem aprender a desenhar e pintar, ao
mesmo tempo em que manifestam seus sentimentos a partir da socialização em
grupo. Os cursos são conduzidos por artistas locais, psicólogos e assistentes
sociais com foco na comunidade, em vez de se basearem em necessidades médicas
específicas.

Figura 2 - A arte pode ser uma ferramenta terapêutica inovadora com os idosos, ao trabalhar temas como solidão e depressão, por exemplo. Crédito: SENSORIAL Arte&Movimento.
As interações construídas pelos participantes de
diferentes idades, vivências e repertórios é um ponto de destaque do trabalho
feito pelos profissionais, como explica a psicóloga da iniciativa, Carina
Palma de Moura. Durante as aulas, pessoas de 09 até 83 anos de
idade se reúnem em espaços de convivência com o intuito de construir novos
vínculos. “Essa relação intergeracional tem se mostrado como um dos pontos
fortes do projeto, uma vez que os mais velhos, por conta da experiência de
vida, acolhem as vulnerabilidades dos mais novos; e o carinho transmitido pelos
mais novos aos mais idosos contribui para a sensação de pertencimento, ajudando
no tratamento de problemas de saúde como a depressão”, diz.
A
iniciativa recebe, em sua maioria, pessoas com diferentes vulnerabilidades
psicossociais, como sofrimentos psíquicos relacionados à condição financeira, à
violência, à discriminação ou à alguma doença, como depressão, diabetes ou
hipertensão, por exemplo. Antes mesmo das aulas, são realizadas entrevistas dirigidas
para cada pessoa, com o objetivo de mapear as condições de saúde integral dela
e o histórico de vida. Isso também ajuda a compreender os motivos pelos quais
cada perfil geracional chega ao projeto. “Os mais jovens, de 09 a 35 anos,
enxergam a arte com um olhar mais técnico. Gostam da pintura e querem aprender
as técnicas. Pessoas mais velhas, de 50 a 75 anos, veem na pintura uma
possibilidade de ressignificar suas vidas, já que deixaram de trabalhar por
algum motivo, ou acabaram sozinhos com o distanciamento dos familiares”,
esclarece Carina.
Durante
os encontros semanais, são ensinadas não apenas técnicas de pintura, mas também
exercícios práticos que provocam os participantes a usarem suas emoções como um
veículo para manifestar a autoexpressão e a realização pessoal. Reconhecida
como recurso terapêutico, a arte também é forte aliada para nos conectarmos
mais com os processos de autoconhecimento, autoestima e tranquilidade.
A
ideia de que a arte pode beneficiar o bem-estar mental é algo que muitos
compreendem instintivamente, mas podem acabar se esquecendo quando se afastam
das atividades que gostavam na infância, como dançar, escrever, desenhar e
cantar. Por contar com uma equipe multidisciplinar, a intencionalidade das
atividades contribui ativamente para a promoção do bem-estar e da saúde mental
das pessoas.
A
exposição é patrocinada pela BASF e promete ser uma oportunidade única de
explorar e compreender as múltiplas funções e impactos da atividade artística
na vida dos que passam por transtornos mentais como depressão e ansiedade, ou
sofreram discriminações. Os artistas participaram de uma formação em educação
artística, incentivados a explorar suas emoções e vivências de maneira
criativa.
“A
arte não é só a questão da apreciação das grandes obras. Qualquer um pode usar
a subjetividade da arte para se expressar, para colocar para fora, e fazer a
sua arte se conectar com outras pessoas. E é isso que a gente ensina. É isso
que a gente busca mostrar para as pessoas o seu sentimento”, afirma Denílson.
Para
Ivânia Palmeira, consultora de Sustentabilidade da BASF, a arte não apenas
enriquece nossas vidas, mas também impulsiona a inovação e inspira a busca
constante de conhecimento. “É uma força vital que deve ser celebrada, apoiada e
acessível a todos, pois, sem dúvida, enriquece nossa existência de maneiras
inestimáveis”.
Serviço:
Exposição
“As Sete Funções da Arte”
Associação
Comercial e Industrial, 2º andar. Rua do Imperador, 14 (segundo - andar) - Nova
Petrópolis, São Bernardo do Campo – em frente ao novo hospital da mulher
Horário: todos os dias,
até às 19h
Data: até 25 de
novembro
BASF







