Apresentado no principal congresso mundial sobre obesidade, o estudo aborda o “desmame” das canetas de GLP-1. Para a endocrinologista Dra. Tassiane Alvarenga, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, “é um caminho possível, mas que exige acompanhamento rigoroso e mudanças de estilo de vida”.
Um
estudo apresentado nesta quarta-feira (05) na Obesity Week 2025, em San Diego
(EUA), levantou uma nova possibilidade para pacientes que utilizam os
medicamentos à base de agonistas de GLP-1, como semaglutida (Wegovy®) e
tirzepatida (Mounjaro®): a de reduzir a frequência das aplicações após
atingirem o peso e o controle metabólico ideais.
A
pesquisa, conduzida pelo médico Dr. Mitch Biermann, do Scripps Health,
acompanhou 30 pacientes que passaram do uso semanal para o quinzenal dessas
medicações. O resultado surpreendeu: 26 mantiveram o peso e os parâmetros
metabólicos estáveis, enquanto apenas quatro precisaram retornar ao esquema
semanal.
Em
média, os participantes apresentaram perda inicial de 15% do peso corporal (cerca
de 13,5 kg) e conseguiram preservar os resultados mesmo com intervalos maiores
entre as doses. O IMC médio caiu de 29,5 para 25 durante o tratamento e
permaneceu estável após o espaçamento. Pressão arterial, triglicerídeos e
glicemia também não sofreram alterações relevantes.
De
acordo com o estudo, a maioria dos pacientes utilizava doses menores que as
máximas recomendadas cerca de 7,5 mg de tirzepatida ou 1,7 mg de semaglutida
reforçando a importância da individualização da dose e da frequência de uso na
fase de manutenção.
Para
Dra. Tassiane Alvarenga endocrinologista, membro da Sociedade Brasileira de
Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a descoberta traz novas perspectivas, mas
ainda não representa uma mudança de protocolo: “O que o estudo propõe é um
passo adiante no entendimento de que a obesidade é uma doença crônica que
precisa de manutenção, mas essa redução na frequência precisa ser muito bem
acompanhada. Espaçar as doses pode funcionar para alguns pacientes, mas não
significa que o tratamento acabou”, explica.
Ela
acrescenta que a estratégia pode ter benefícios práticos, como menor custo e
menor exposição medicamentosa, desde que o paciente mantenha uma rotina sólida
de cuidados.
“Quando
o paciente muda o estilo de vida, pratica atividade física regularmente e
mantém alimentação equilibrada, é possível pensar em ajustes na dose ou na
frequência. Mas, isso deve ser feito com segurança e sob orientação médica”,
reforça.
Embora
o estudo seja pequeno e ainda sem caráter conclusivo, ele abre espaço para uma
nova etapa da medicina de precisão no tratamento da obesidade: a personalização
da terapia de acordo com o perfil e a resposta de cada paciente.
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