Pesquisar no Blog

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Estudo apresentado na Obesity Week 2025 sugere que aplicações de Wegovy® e Mounjaro® a cada duas semanas podem manter o peso após o emagrecimento

Apresentado no principal congresso mundial sobre obesidade, o estudo aborda o “desmame” das canetas de GLP-1. Para a endocrinologista Dra. Tassiane Alvarenga, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, “é um caminho possível, mas que exige acompanhamento rigoroso e mudanças de estilo de vida”.

 

Um estudo apresentado nesta quarta-feira (05) na Obesity Week 2025, em San Diego (EUA), levantou uma nova possibilidade para pacientes que utilizam os medicamentos à base de agonistas de GLP-1, como semaglutida (Wegovy®) e tirzepatida (Mounjaro®): a de reduzir a frequência das aplicações após atingirem o peso e o controle metabólico ideais.

A pesquisa, conduzida pelo médico Dr. Mitch Biermann, do Scripps Health, acompanhou 30 pacientes que passaram do uso semanal para o quinzenal dessas medicações. O resultado surpreendeu: 26 mantiveram o peso e os parâmetros metabólicos estáveis, enquanto apenas quatro precisaram retornar ao esquema semanal.

Em média, os participantes apresentaram perda inicial de 15% do peso corporal (cerca de 13,5 kg) e conseguiram preservar os resultados mesmo com intervalos maiores entre as doses. O IMC médio caiu de 29,5 para 25 durante o tratamento e permaneceu estável após o espaçamento. Pressão arterial, triglicerídeos e glicemia também não sofreram alterações relevantes.

De acordo com o estudo, a maioria dos pacientes utilizava doses menores que as máximas recomendadas cerca de 7,5 mg de tirzepatida ou 1,7 mg de semaglutida reforçando a importância da individualização da dose e da frequência de uso na fase de manutenção.

Para Dra. Tassiane Alvarenga endocrinologista, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a descoberta traz novas perspectivas, mas ainda não representa uma mudança de protocolo: “O que o estudo propõe é um passo adiante no entendimento de que a obesidade é uma doença crônica que precisa de manutenção, mas essa redução na frequência precisa ser muito bem acompanhada. Espaçar as doses pode funcionar para alguns pacientes, mas não significa que o tratamento acabou”, explica.

Ela acrescenta que a estratégia pode ter benefícios práticos, como menor custo e menor exposição medicamentosa, desde que o paciente mantenha uma rotina sólida de cuidados.

“Quando o paciente muda o estilo de vida, pratica atividade física regularmente e mantém alimentação equilibrada, é possível pensar em ajustes na dose ou na frequência. Mas, isso deve ser feito com segurança e sob orientação médica”, reforça.

Embora o estudo seja pequeno e ainda sem caráter conclusivo, ele abre espaço para uma nova etapa da medicina de precisão no tratamento da obesidade: a personalização da terapia de acordo com o perfil e a resposta de cada paciente.

PESQUISA:Link

 

Dra. Tassiane Alvarenga – ENDOCRINOLOGISTA E METABOLOGISTA - Graduação em Medicina pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU; Residência Médica em Clínica Médica pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP; Residência Médica em Endocrinologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FM USP); Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia- SBEM; Membro da Endocrine Society, SBEM e ABESO; Faz parte do Corpo Clínico da Santa Casa de Misericórdia de Passos. Sobrepeso e Obesidade.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Posts mais acessados