Período exige cautela redobrada para evitar golpes
Com a proximidade da Black Friday, data que
tradicionalmente aquece o comércio e movimenta bilhões em vendas no país, fica
ainda mais evidente a necessidade de os consumidores ficarem atentos para
evitarem golpes, preços artificiais e armadilhas digitais. A expectativa de
descontos agressivos costuma atrair compradores, mas também aumenta o número de
reclamações e fraudes.
De acordo com a advogada, especialista em Direito
do Consumidor e coordenadora do curso de Direito da Afya Centro Universitário
de Pato Branco, Angélica Socca Recuero, o período exige cautela redobrada.
“A Black Friday é uma boa oportunidade para
economizar, especialmente porque muitas empresas realmente se mobilizam para
oferecer descontos atrativos. Mas é justamente nesse momento que o consumidor
precisa ter mais atenção. A pressa pode levar a decisões impulsivas, sem
análise das informações e dos valores. O ideal é pesquisar, comparar preços e
desconfiar de ofertas que prometem vantagens excessivas, já que todo produto
tem um custo — quando a promessa parece boa demais, é preciso cuidado”, orienta
a advogada.
Atenção
ao histórico de preços
Uma das armadilhas mais comuns nesse período é o
chamado “metade do dobro”, em que os preços são inflados dias antes para
simular um desconto expressivo. Para evitar cair nesse tipo de prática,
Angélica recomenda que o consumidor acompanhe a variação dos preços ao longo do
tempo.
“Hoje existem sites e ferramentas que mostram a
oscilação do valor dos produtos. Essa análise ajuda a entender se o desconto é
verdadeiro ou apenas uma maquiagem. Se o valor ofertado não estiver abaixo do
que era praticado anteriormente, isso pode configurar propaganda enganosa”,
explica.
Compras
online exigem cuidado com a segurança
A internet segue sendo o principal canal de compras
durante a Black Friday — e, ao mesmo tempo, onde ocorrem muitos dos golpes.
Segundo Angélica, o ideal é que o consumidor digite diretamente o endereço da
loja no navegador, evitando links que chegam por redes sociais, e-mails ou
mensagens.
“É essencial verificar se o site tem certificado de
segurança — aquele cadeado ao lado do link —, e se apresenta informações claras
como CNPJ, endereço e canais de atendimento. Outra dica importante é consultar
o histórico da loja em plataformas como o Reclame Aqui e consumidor.gov.br, o
que ajuda a ter uma noção da reputação da empresa”, pontua.
Direito
de arrependimento garantido
Em compras feitas fora do estabelecimento físico,
como é o caso do e-commerce, o Código de Defesa do Consumidor assegura o
direito de arrependimento. O consumidor pode desistir da compra em até sete
dias corridos após o recebimento do produto, mesmo sem apresentar
justificativa.
“Esse direito é especialmente relevante em datas
como a Black Friday, quando muitas vezes as compras são feitas por impulso. O
consumidor pode devolver o produto e tem direito ao reembolso total, incluindo
o valor do frete”, esclarece Angélica.
Guardar comprovantes da compra, salvar capturas de
tela com as ofertas e exigir a nota fiscal são medidas simples, mas que fazem
muita diferença em caso de problemas. Segundo a especialista, esses registros
são fundamentais para buscar solução de forma mais rápida e efetiva.
“Se houver alguma irregularidade, o primeiro passo
é procurar a empresa. Caso não haja retorno, o consumidor pode registrar uma
queixa no Procon ou utilizar as plataformas oficiais do governo, como o
consumidor.gov.br, que atuam na mediação e ajudam a garantir que os direitos
sejam respeitados”, finaliza Angélica Socca Recuero.
Afya
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