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A especialista explica que dietas ricas em gorduras saturadas,
trans e produtos ultraprocessados aumentam a inflamação e o estresse oxidativo.
“Esse conjunto acelera o envelhecimento celular, inclusive das estruturas
oculares”, detalha. Além disso, alterações circulatórias causadas por colesterol
e triglicerídeos elevados podem comprometer vasos delicados. “Essas gorduras
prejudicam a circulação e podem danificar a retina. Em alguns casos, há até
pequenos ‘derrames’ dentro do olho”, diz a médica. O nervo óptico, responsável
por levar imagens ao cérebro, também pode ser afetado pela circulação
deficiente.
Entre as doenças associadas a esse tipo de alimentação estão a
degeneração macular relacionada à idade, catarata, glaucoma, retinopatia
diabética e olho seco. Muitas delas têm evolução silenciosa, o que reforça a
necessidade de prevenção. “O problema é que os homens, de forma geral, procuram
menos atendimento preventivo. Isso vale para a saúde ocular. Doenças
silenciosas passam despercebidas e o tratamento começa tarde”, observa a
oftalmologista.
Diferenças entre homens e mulheres também influenciam os
diagnósticos. A médica aponta que fatores hormonais e metabólicos variam entre
os sexos, assim como os hábitos de vida. “Algumas doenças são mais comuns nas
mulheres, como catarata e olho seco. Já traumas oculares aparecem mais nos
homens, muito por exposição ocupacional e esportiva”, explica. Mesmo assim,
doenças como retinopatia e glaucoma tendem a ser identificadas mais tarde no
público masculino. “A menor procura por consultas de rotina atrasa o
diagnóstico e piora o prognóstico”, acrescenta.
Há, por outro lado, alimentos e nutrientes que atuam como aliados
da visão. A especialista destaca o papel do ômega-3, luteína, zeaxantina,
vitaminas C e E e zinco. “Esses nutrientes têm ação antioxidante,
anti-inflamatória e protegem estruturas como a mácula e o nervo óptico”,
afirma. Para incorporá-los no dia a dia, ela recomenda peixes gordurosos,
folhas verdes escuras, frutas cítricas, nozes, sementes, legumes coloridos e
fontes de zinco como carnes magras e feijões.
O colesterol alto e os triglicerídeos também podem afetar a
circulação ocular. “A dislipidemia endurece e estreita os vasos, podendo levar
ao bloqueio da artéria ou veia da retina. Esses quadros provocam perda súbita e
grave da visão”, explica a Dra. Marcia. Exsudatos, edema e até aumento do risco
de glaucoma também estão ligados ao desequilíbrio dessas gorduras. Obesidade e
sobrepeso, comuns entre homens, reforçam esse cenário ao gerar inflamação
sistêmica e favorecer doenças como diabetes tipo 2 e hipertensão. “Essas
condições são gatilhos para retinopatia diabética, retinopatia hipertensiva e
até progressão mais rápida de catarata”, comenta.
O diabetes tipo 2, frequentemente associado a dietas ricas em
gorduras e açúcar, está entre os maiores riscos para a visão. “É uma das
principais causas de cegueira no mundo. O excesso de glicose danifica os
pequenos vasos da retina e causa lesões graves”, afirma. A médica cita a
retinopatia diabética, o glaucoma neovascular e a catarata precoce como
complicações comuns em pacientes com descontrole metabólico.
Para homens a partir dos 40 anos, a especialista reforça que
consultas anuais são indispensáveis. Entre os exames recomendados estão
avaliação da acuidade visual, refração, tonometria, exame de fundo de olho e
lâmpada de fenda. “É nessa fase que aumentam os riscos de presbiopia, glaucoma,
degeneração macular e alterações relacionadas ao diabetes e à hipertensão”,
afirma.
A mensagem final da médica para este Novembro Azul é simples e
direta: “Cuidar da saúde não se resume a um órgão. Se o seu estilo de vida
prejudica o coração e o metabolismo, ele também está afetando os seus olhos”,
reforça. Ela conclui com um lembrete prático: “Marque sua consulta anual.
Prevenção é o caminho mais inteligente para garantir a sua visão”, finaliza a
Dra. Marcia Ferrari, oftalmologista e Diretora Clínica do H.Olhos, Hospital de
Olhos da Vision One.

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