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terça-feira, 11 de novembro de 2025

17/11 - Dia Nacional de Combate à Tuberculose

Brasil precisa acelerar resposta à tuberculose e combater estigmas que atrasam o diagnóstico

Especialista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz reforça que doença tem tratamento eficaz e cura 

 

A tuberculose continua sendo um desafio de saúde pública no Brasil e ainda carrega um peso que vai além da medicina: o estigma. Apesar de ser uma doença conhecida, tratável e curável, muitas pessoas deixam de procurar atendimento por medo de discriminação ou por associarem a tuberculose a condições de “falta de higiene” ou vulnerabilidade social, o que atrasa o diagnóstico e favorece a transmissão.

Essa é uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis (bacilo de Koch), que afeta principalmente os pulmões, mas pode acometer outros órgãos como ossos, rins e meninges. A transmissão ocorre pelo ar, por meio da inalação de gotículas expelidas quando uma pessoa infectada tosse, fala ou espirra. 

Segundo o Ministério da Saúde, o país registrou cerca de 80 mil novos casos de tuberculose em 2023, o que representa uma incidência próxima de 40 casos por 100 mil habitantes. Os números mostram que o Brasil ainda está distante da meta global de eliminação da doença. No mundo, a Organização Mundial da Saúde estima que 10,8 milhões de pessoas adoeceram em 2023 e que aproximadamente 1,25 milhão morreram em decorrência da tuberculose, reforçando o alerta sobre a necessidade de ampliar a prevenção e o acesso ao tratamento. 

Para o Dr. Filipe Piastrelli, infectologista e coordenador do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a informação é fundamental para quebrar barreiras e salvar vidas. “A tuberculose tem cura e o tratamento é oferecido gratuitamente pelo SUS. O que não podemos normalizar é o atraso no diagnóstico por medo ou preconceito. Tosse persistente, por mais de três semanas, emagrecimento inexplicado e suor noturno precisam acender o alerta: é hora de procurar uma unidade de saúde”, afirma. 

O médico lembra ainda que o diagnóstico precoce é decisivo para interromper a cadeia de transmissão. “Diagnóstico e tratamento precoces interrompem a cadeia de transmissão. reduzem internações e salvam vidas. Cada dia a menos até o diagnóstico faz diferença”, reforça. 

Combater a tuberculose exige não apenas esforços clínicos, mas também sociais e intersetoriais. É preciso investir em estratégias que ampliem o diagnóstico em populações mais vulneráveis como pessoas em situação de rua, privadas de liberdade, com HIV, povos indígenas e migrantes, e ao mesmo tempo garantir suporte para a adesão ao tratamento. 

“Não é doença do passado. Sempre que houver desigualdade, moradia precária e barreiras de acesso, a doença encontrará caminho. O combate é clínico, social e intersetorial”, completa. 

Mais do que estatísticas, a tuberculose é um reflexo das desigualdades que persistem no país. Reduzir o estigma, informar a população e assegurar acesso ao diagnóstico e tratamento são passos fundamentais para transformar o cenário e aproximar o Brasil da meta de eliminar uma doença que, apesar de antiga, segue atual e ameaçadora.



Hospital Alemão Oswaldo Cruz
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