Com números aumentando e sintomas muitas vezes imperceptíveis, o diabetes exige atenção redobrada
Não é novidade que o diabetes se tornou um problema
de saúde pública mundial. Os dados, há anos já alarmantes, continuam crescendo
de maneira estarrecedora. Segundo o mais recente relatório global da International
Diabetes Federation (IDF), mais de 589
milhões de pessoas entre 20 e 79 anos convivem com o diabetes em todo o mundo —
o equivalente a 1 em cada 9 adultos. A novidade é que 43% dessas pessoas têm a
doença e ainda não foram diagnosticadas.
O diabetes tipo 2, forma mais comum da doença, costuma se desenvolver de maneira silenciosa. Os sintomas, como sede excessiva, cansaço, aumento da fome ou visão embaçada, muitas vezes, são leves ou atribuídos ao estresse e à rotina. “O problema é que o diabetes pode evoluir por anos sem causar dor ou sinais evidentes, e quando o diagnóstico finalmente acontece, o paciente já pode ter desenvolvido complicações sérias”, explica a endocrinologista Dra. Vivian Guardia, do Hcor. Além disso, a falta de acesso a exames simples de glicemia e a baixa percepção de risco entre adultos jovens contribuem para o subdiagnóstico.
O problema é que, quando não identificado e tratado, o diabetes pode afetar diversos órgãos e sistemas do corpo. “A longo prazo, aumenta o risco de infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência renal e perda de visão. Descobrir a doença tardiamente significa começar o tratamento quando já há danos instalados. Por isso, quanto antes o diagnóstico, maiores as chances de evitar complicações”, alerta a especialista.
O diagnóstico é simples e acessível: a detecção de hiperglicemia pode ser realizada por meio de exames de sangue que medem a glicemia em jejum e/ou a hemoglobina glicada, amplamente disponíveis na rede pública e privada. Hoje, campanhas de triagem gratuitas são promovidas por instituições de saúde de todo o país, sobretudo, durante o mês de novembro, conhecido por fomentar a conscientização sobre a doença. “O ideal é que todas as pessoas acima de 35 anos sejam rastreadas para diabetes. Além disso, adultos com sobrepeso e obesidade, e com outros fatores de risco como hipertensão arterial e sedentarismo também precisam ser avaliados”, destaca a médica.
A boa notícia é que o diabetes tipo 2 pode ser
prevenido e até revertido em estágios iniciais. Manter uma alimentação
equilibrada, praticar atividade física regular e controlar o peso são medidas
simples, mas poderosas. “Não é preciso seguir dietas radicais. Pequenas
mudanças, como reduzir o consumo de bebidas açucaradas e ultraprocessados,
aumentar a ingesta de fibras e caminhar todos os dias, já fazem diferença”,
reforça a endocrinologista. Investir em prevenção e acompanhamento médico
regular para diagnóstico precoce e gerenciamento de fatores de risco, segundo
ela, é o caminho mais eficaz para conter o avanço do diabetes no Brasil e no
mundo.
Hcor
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