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domingo, 22 de junho de 2025

Separação dos pais sempre afeta os filhos? Psicóloga perinatal explica

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Mesmo com os pais presentes, conflitos ou afastamento podem prejudicar o desenvolvimento emocional das crianças, alerta especialista 

 

O fim de um relacionamento nem sempre é sinônimo de trauma para os filhos. Segundo a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo, fundadora do Instituto MaterOnline, o divórcio só causa danos quando há afastamento parental, exposição a brigas ou uso da criança como instrumento de disputa.

“É melhor que a criança perceba que seus pais estão melhores separados do que viver num ambiente de brigas, tristeza ou tensão”, afirma.

De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil registrou mais de 440 mil divórcios em 2023, alta de 4,9% em relação ao ano anterior. Em um cenário com tantas rupturas, entender como proteger a saúde emocional das crianças se torna ainda mais importante, aponta Rafaela.


Conflitos e afastamento são os principais vilões

A psicóloga perinatal explica que o maior risco ocorre quando há afastamento de um dos pais, alienação parental ou conflitos constantes que envolvem os filhos. Ela também pontua que o impacto no desenvolvimento infantil não é causado pela separação em si, mas sim pela forma como ela é conduzida.

“Se a criança deixa de ver um dos genitores ou é colocada no meio das brigas, isso sim pode afetar sua saúde mental. O que acaba é a relação de casal, mas o amor pelos filhos continua. A separação precisa ser entre os dois adultos, não entre pais e filhos”, alerta. 

Ela lembra que, nas últimas décadas, principalmente nos anos 1990 e 2000, muitas crianças cresceram em meio a separações mal resolvidas, com brigas intensas e pouco preparo emocional dos pais. O resultado foi uma geração marcada por inseguranças, dúvidas sobre o afeto parental e ausência de convivência com um dos genitores.


Atitudes que podem prejudicar as crianças

Entre os comportamentos mais prejudiciais para os filhos estão: 

  • Falar mal do(a) ex-parceiro(a) para a criança
  • Disputas pela guarda com intenção de ferir o outro
  • Reduzir o contato da criança com um dos pais sem justificativa
  • Usar a criança como “mensageira” entre os adultos

Por outro lado, separações saudáveis, com guarda compartilhada e respeito mútuo, podem preservar o bem-estar da criança. “O ideal é que a criança continue convivendo com ambos os pais com frequência, sentindo-se amada e segura”, diz Rafaela.


Como saber se a criança está sofrendo?

De acordo com a especialista, crianças pequenas também sofrem com o afastamento, mas expressam isso de forma diferente. Mudanças de comportamento são o principal sinal de alerta. Tristeza persistente, regressões, irritabilidade e recusa em conviver com um dos genitores podem indicar sofrimento emocional.

“A criança pode não dizer com palavras, mas sente. Ela percebe a ausência, se pergunta por que não vê mais aquele pai ou mãe. Isso precisa ser acolhido com cuidado. Nesses casos de mudanças significativas, o apoio psicológico pode fazer toda a diferença”, conclui.



Profª-Dra. Rafaela de Almeida Schiavo - psicóloga perinatal e fundadora do Instituto MaterOnline. Desde sua formação inicial, dedica-se à saúde mental materna, sendo autora de centenas de trabalhos científicos com o objetivo de reduzir as elevadas taxas de alterações emocionais maternas no Brasil. Possui graduação em Licenciatura Plena em Psicologia e em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Além disso, concluiu seu mestrado em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem e doutorado em Saúde Coletiva pela mesma instituição. Realizou seu pós-doutorado na UNESP/Bauru, integrando o Programa de Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Desenvolvimento Humano, atuando principalmente nos seguintes temas: Desenvolvimento pré-natal e na primeira infância; Psicologia Perinatal e da Parentalidade.

 

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