No mês de Junho,
tivemos o dia do Orgulho Autista, que reforça a importância de refletirmos
sobre as necessidades das pessoas dentro do Espectro Autista e a urgência em
conscientizar para evitar preconceitos e discriminação.
O autista
pode tudo o que desejar, pode muito e precisa ter essa força e apoio de todos,
potencializando suas forças e suas habilidades, para não se deixarem intimidar
por um rótulo ou julgamentos.
Segundo a
psicanalista Andrea Ladislau, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma
condição que afeta o desenvolvimento neurológico identificado por uma gama de
características variáveis. Dentre elas, podemos citar a dificuldade de
comunicação e interação social, o atraso no desenvolvimento motor,
hipersensibilidade sensorial e comportamentos metódicos, restritivos ou
repetitivos.
“Além da
hiperatividade ou muita passividade, dificuldade em aceitar mudanças de rotina,
sensibilidade a alguns sons e texturas, entre outros. Não é uma doença,
portanto não existe cura. É uma condição clínica que exige amor, afeto e
cuidado”, explica Andrea que também é neuropsicóloga.
Condição
também aparece em adultos
Mas engana-se
quem pensa que só crianças podem ter autismo. Adultos também podem ser
diagnosticados com o espectro. Neste contexto, o ideal é que o diagnóstico
venha o mais rápido possível, para que se possa iniciar uma intervenção
precoce.
Para Andrea é
preciso levar em consideração que o objetivo do diagnóstico não é, e nunca será
rotular aqueles que estejam dentro do espectro, mas sim orientar as famílias
sobre quais suportes, terapias e ferramentas terapêuticas são as mais adequadas
e onde buscar ajuda.
“Cada uma das
comorbidades que aparecem dentro do espectro, precisam de técnicas adequadas e
com comprovação científica de que funcionam, para dar melhores condições
de vida ao paciente e a sua família”, diz.
A psicanalista
lembra que o preconceito e a desinformação ainda rotulam o Autismo como uma limitação. A história provou que essa
teoria é falsa e que muitas pessoas diagnosticadas com o Espectro fazem grandes
coisas e podem se destacar.
É o caso de
autistas famosos como o empresário Bill Gates; O cientista Albert Einstein; o
físico Isaac Newton; o jogador Lionel Messi; a ativista Greta Thunberg; o
compositor Mozart; a zootecnista Temple Grandim; o comediante Dan Aykroyd; o
surfista Clay Marzo; a cantora Courtney Love; o pintor e cineasta Andy Warhol;
o ator Sheldon Cooper; a modelo Nina Marker; o ator Anthony Hopkins; a cantora
Susan Boyle; o ator Keanu Reeves; o empresário Elon Musk e os brasileiros João Vitor Silva Ferreira, campeão mundial de judô; a
cantora do Programa Altas Horas, Leilah Moreno; e o campeão de Jiu-Jitsu Diego
Vivaldo.
Uma lista de
personalidades que, entre outros, servem de inspiração para autistas e pais de
autistas, demonstrando que, dentro de suas habilidades, é possível se destacar
e desmistificar as limitações do transtorno.
“Portanto, esse grupo de desordens
de origem neurobiológica que possui um impacto considerável na vida do
indivíduo, denominado Autismo ou TEA, não
determina até onde a pessoa vai chegar. São as
condições, o apoio, as possibilidades, as oportunidades sociais, escolares e de
intervenções que vão fazer toda a diferença na vida dela”, explica a
especialista.
O autismo não tem cura, mas o seu preconceito e o seu desconhecimento
a respeito do assunto, sim.
“Afinal, o
autismo é parte deste mundo, não um mundo à parte, e é fundamental promover a
informação adequada, a inclusão e o respeito”, finaliza Andrea.
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