Neurocirurgião da
Unicamp, especialista em dor crônica, alerta para riscos da falta de conforto
térmico e apresenta alternativas de tratamento adaptadas às baixas temperaturas
Uma nova frente fria começa a avançar sobre o país
nesta segunda-feira (23), marcando a terceira onda de frio de 2025 e a primeira
desde o início do inverno, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia
(Inmet). Com essa mudança brusca de temperatura, aumentam as queixas de
dores crônicas em consultórios médicos e clínicas especializadas em dor, alerta
o Dr. Marcelo Valadares, neurocirurgião funcional especialista no tratamento da
dor e pesquisador da Disciplina de Neurocirurgia na Unicamp. No período mais
frio do ano, o manejo dos sintomas não deve ser deixado de lado, com adaptações
para que o paciente tenha conforto térmico.
De acordo com o especialista, o inverno agrava o
sofrimento das pessoas que convivem com dores crônicas - um grupo que
representa 36,9% dos brasileiros com mais de 50 anos, segundo o Ministério da
Saúde - por razões multifatoriais. Condições como fibromialgia, artrite e
dores nas costas/coluna tendem a intensificar nesta época do ano, afetando a
qualidade de vida de mulheres, idosos e pessoas de baixa renda, principalmente.
Pacientes com sintomas depressivos e com histórico
de quedas e hospitalizações também podem notar aumento na percepção da dor. “As
baixas temperaturas reduzem o fluxo sanguíneo periférico e aumentam a rigidez
muscular. Além disso, o frio desencadeia alterações no sono e no humor,
favorecendo quadros de insônia, ansiedade e depressão, que estão diretamente
ligados à percepção e intensificação da dor”, explica o médico.
A chegada da nova estação promete ter ondas de frio
menos frequentes, porém mais intensas, principalmente no Sul e Sudeste, embora
as temperaturas médias fiquem acima da média histórica em grande parte do país.
Além da mudança na temperatura, a maior amplitude térmica e aumento da umidade
em diversas capitais pode agravar ainda mais quadros de dor crônica. “Moradores
de cidades de altitude e em áreas urbanas com pouca exposição solar são os mais
vulneráveis. Eles devem redobrar os cuidados e manter um acompanhamento médico
contínuo para evitar agravamentos”, avalia o doutor.
O controle dos sintomas exige abordagem terapêutica
multidisciplinar e não deve ser abandonado durante as baixas temperaturas, mas
procedimentos que exigem exposição ao frio ou ambientes não climatizados devem
ser ajustados para evitar desconfortos adicionais. Entre as estratégias de
cuidado físico estão o uso de medicamentos moduladores da dor, como
antidepressivos tricíclicos e inibidores de recaptação de serotonina; a
fisioterapia regular e exercícios de alongamento para preservar a mobilidade;
além da prática de atividades físicas supervisionadas, como caminhadas, pilates
ou hidroterapia.
O acompanhamento psicológico também é fundamental
para evitar alterações no humor, insônia e isolamento social. Tratamentos
complementares como acupuntura, massagens e técnicas de relaxamento continuam
sendo aliados importantes e podem, inclusive, gerar conforto térmico para o
paciente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário