Frio intenso, ar seco e maior circulação de vírus
aumentam riscos para quem está em tratamento contra o câncer
Com a chegada do inverno, cresce a preocupação com infecções respiratórias e
complicações de saúde, especialmente entre pacientes oncológicos, que
apresentam o sistema imunológico mais fragilizado devido à própria doença e aos
tratamentos como quimioterapia e radioterapia. Segundo o Dr. Rodrigo Kraft Rovere,
oncologista da Oncoclínicas, esses pacientes estão mais suscetíveis a doenças
como gripe, pneumonia e inflamações de garganta.
“A exposição ao
frio e a ambientes fechados facilita a propagação de vírus e bactérias. Isso,
combinado com a imunidade comprometida, aumenta significativamente os riscos
para essa população”, alerta o especialista. Nos casos de câncer de pulmão ou
outras doenças respiratórias, a situação pode ser ainda mais delicada, já que o
ar frio e seco pode agravar os sintomas.
Cuidados
essenciais de proteção
Manter-se aquecido
com roupas apropriadas é fundamental. Use gorros, luvas, cachecóis e roupas em
camadas que possam ser ajustadas conforme a temperatura. Evite mudanças bruscas
de temperatura e certifique-se de que os ambientes estejam adequadamente
aquecidos, mantendo a temperatura entre 20°C e 22°C.
Além disso, a
prevenção passa por práticas essenciais como lavar as mãos frequentemente com
água e sabão por pelo menos 20 segundos, usar álcool em gel 70%, manter as
vacinas em dia - especialmente contra gripe e pneumonia - e evitar contato com
pessoas doentes ou locais muito aglomerados.
“É fundamental não
faltar às consultas e seguir todas as orientações médicas. Sinais como febre,
tosse persistente e falta de ar não devem ser ignorados e requerem avaliação
médica imediata”, reforça o Dr. Rodrigo.
Outros riscos
associados ao frio
Além da maior
propensão a infecções, pacientes com câncer podem ter dificuldade em manter a
temperatura corporal adequada, aumentando o risco de hipotermia, sobretudo em
casos de anemia ou perda de peso acentuada. O frio também pode agravar
problemas circulatórios, dores musculares e articulares, além de ressecar a
pele, favorecendo infecções cutâneas que são mais difíceis de tratar em pessoas
imunocomprometidas.
Outro ponto
crítico são os riscos de quedas. Superfícies molhadas, com gelo ou
escorregadias representam perigo especial para pacientes com ossos fragilizados
por metástases ou pelo próprio tratamento oncológico.
Guia prático de cuidados para o inverno
Hidratação e
alimentação: beba pelo menos 2
litros de água por dia, mesmo que a sede diminua nos dias frios. Prefira
bebidas mornas como chás de ervas (camomila, gengibre) e sopas nutritivas.
Também invista em uma alimentação rica em vitaminas C e D, zinco e proteínas,
inclua frutas cítricas, vegetais verde-escuros, peixes, ovos e leguminosas no
cardápio diário.
Ambiente e
respiração: use umidificadores
de ar para manter a umidade entre 40% e 60%, evitando o ressecamento das vias
respiratórias. Você pode improvisar colocando recipientes com água nos cômodos
ou toalhas úmidas nos radiadores. Mantenha os ambientes ventilados abrindo
janelas por 10-15 minutos a cada 2 horas, mas evite correntes de ar gelado
diretas.
Cuidados com
a pele: hidrate a pele
diariamente com cremes específicos para pele sensível, aplicando logo após o
banho morno (evite água muito quente). Use protetor solar fator 30 ou mais
mesmo no inverno, especialmente no rosto e mãos, pois a radiação UV continua
presente e pode ser intensificada pela reflexão na neve ou superfícies claras.
Atividade
física adaptada: realize
exercícios leves dentro de casa como caminhadas de 10-15 minutos pela manhã,
alongamentos suaves ou yoga adaptada. Consulte sempre sua equipe médica antes
de iniciar qualquer atividade física. Evite exercícios ao ar livre em dias
muito frios ou com qualidade do ar comprometida.
Prevenção de
quedas: mantenha os
caminhos bem iluminados e livres de obstáculos. Use calçados com solado
antiderrapante e, se necessário, apoios como bengalas ou corrimãos. Evite sair
em dias de chuva ou geada sem acompanhamento, e sempre informe alguém sobre
seus deslocamentos.
Monitoramento
de sintomas: meça a temperatura
corporal diariamente e anote em um caderno junto com outros sintomas. Procure
atendimento médico imediatamente se apresentar febre acima de 37,5°C, tosse com
secreção, falta de ar, dor no peito, ou qualquer sintoma respiratório que
persista por mais de 24 horas.
Organização
de medicamentos: organize os
medicamentos em recipientes semanais e mantenha uma lista atualizada. Não deixe
medicamentos expostos ao frio extremo - alguns podem perder eficácia. Tenha
sempre um estoque de reserva para evitar interrupções no tratamento.
Rede de apoio
e comunicação: mantenha contato
regular com familiares e cuidadores, estabeleça um sistema de comunicação
diária e tenha sempre à mão os telefones da equipe médica e serviços de emergência.
Considere usar aplicativos de telemedicina quando apropriado para consultas de
acompanhamento, reduzindo a exposição desnecessária.
“Lembre-se: cada
paciente é único, e essas orientações devem sempre ser adaptadas conforme as
recomendações específicas da sua equipe médica”, conclui o Dr. Rodrigo Kraft
Rovere.
www.oncoclinicas.com
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