Enfrentar esse fenômeno é possível — e
necessário — com autoconhecimento, preparo e apoio
Já sentiu como se não fosse tão capaz quanto as
pessoas acham que você é? Ou teve medo de que, em algum momento, todos percebam
que você não merece estar onde está? Você não está sozinho. Esses são sintomas
da chamada síndrome do impostor, uma condição muitas vezes silenciosa, mas
bastante comum, que aflige milhões de profissionais em todo o Brasil.
Embora
não seja classificada como um transtorno mental, seus efeitos são reais: a
síndrome reduz a eficácia, sufoca a autoconfiança e pode limitar o potencial de
crescimento profissional. Aproximadamente 75% dos executivos brasileiros
relatam ter vivido experiências relacionadas a esse sentimento, de acordo com
uma pesquisa realizada pela KPMG em 2023.
Segundo
o psicólogo Javert Falleiros Júnior, a síndrome do impostor está relacionada a
três níveis cognitivos interligados:
- Crenças centrais negativas, como “não sou bom o suficiente” ou “preciso ser perfeito
para ser aceito”;
- Crenças intermediárias, como “se eu
errar, todos vão perceber que sou incapaz”;
- Pensamentos automáticos disfuncionais, como “só consegui esse resultado por sorte” ou “me
elogiaram, mas não perceberam meus erros”.
Essas
crenças, muitas vezes formadas na infância, são frequentemente ativadas por
contextos organizacionais, especialmente em ambientes altamente competitivos e
meritocráticos; com ausência de feedback claro e equilibrado; que estimulam
comparações constantes (como rankings e metas agressivas); com pouca
diversidade e inclusão, onde minorias não se sentem pertencentes; onde as
lideranças valorizam apenas resultados, sem acolher vulnerabilidades ou
incentivar o aprendizado contínuo.
Apesar
disso, é importante reforçar que o combate a esse fenômeno começa pelo próprio
profissional.
Monize
Oliveira, Gerente de Marketing do Infojobs, maior HRTech da América Latina –
afirma que muitos candidatos desistem de posições desafiadoras por não
acreditarem em seu próprio potencial. “Mesmo profissionais superqualificados
hesitam em se candidatar a vagas por acharem que não estão à altura do
desafio”, comenta. “Essa barreira invisível pode afetar as oportunidades de
carreira, por isso é importante ter consciência dela e o que precisamos para
superá-las”.
Mas
essa realidade pode ser transformada com algumas ferramentas que auxiliam o
processo: autoconhecimento, preparo profissional e acesso a informações
qualificadas são grandes aliados nessa mudança. Ouvir podcasts, conhecer
histórias de outros profissionais e consumir conteúdos sobre carreira ajudam a
fortalecer a autoconfiança e a reprogramar pensamentos limitantes.
“O
profissional precisa olhar para sua jornada com generosidade e clareza. Ao
valorizar suas conquistas e se preparar continuamente, ele começa a neutralizar
essas inseguranças e a se posicionar melhor no mercado”, diz Oliveira.
O
ambiente de trabalho também tem um papel importante nesse processo. Empresas
que promovem culturas inclusivas, acolhedoras e com feedbacks construtivos
contribuem para reduzir essas inseguranças. Mas para que essas ferramentas
sejam efetivas, o primeiro passo é pessoal: reconhecer as próprias crenças
limitantes, buscar conhecimento e trabalhar o desenvolvimento da autoconfiança.
“Empresas
que usam o feedback como ferramenta de evolução e investem em mentoria podem
ajudar os seus times neste autorreconhecimento e crescimento. Mas ainda é o
profissional quem deve assumir o protagonismo da sua jornada”, reforça Monize.
Superar
a síndrome do impostor não é sobre eliminar totalmente a insegurança — mas
aprender a não a deixar guiar sua carreira. Com apoio adequado, preparo
emocional e acesso a conteúdos relevantes, é possível construir uma trajetória
baseada em confiança, evolução constante e conquistas reais.
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