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terça-feira, 10 de junho de 2025

“Eu sou bom o suficiente?”: como a síndrome do impostor pode afetar seu sucesso profissional — e o que você pode fazer para vencê-la

Enfrentar esse fenômeno é possível — e necessário — com autoconhecimento, preparo e apoio


Já sentiu como se não fosse tão capaz quanto as pessoas acham que você é? Ou teve medo de que, em algum momento, todos percebam que você não merece estar onde está? Você não está sozinho. Esses são sintomas da chamada síndrome do impostor, uma condição muitas vezes silenciosa, mas bastante comum, que aflige milhões de profissionais em todo o Brasil.
 

Embora não seja classificada como um transtorno mental, seus efeitos são reais: a síndrome reduz a eficácia, sufoca a autoconfiança e pode limitar o potencial de crescimento profissional. Aproximadamente 75% dos executivos brasileiros relatam ter vivido experiências relacionadas a esse sentimento, de acordo com uma pesquisa realizada pela KPMG em 2023. 

Segundo o psicólogo Javert Falleiros Júnior, a síndrome do impostor está relacionada a três níveis cognitivos interligados:


  • Crenças centrais negativas, como “não sou bom o suficiente” ou “preciso ser perfeito para ser aceito”;
     
  • Crenças intermediárias, como “se eu errar, todos vão perceber que sou incapaz”;
     
  • Pensamentos automáticos disfuncionais, como “só consegui esse resultado por sorte” ou “me elogiaram, mas não perceberam meus erros”.
     

Essas crenças, muitas vezes formadas na infância, são frequentemente ativadas por contextos organizacionais, especialmente em ambientes altamente competitivos e meritocráticos; com ausência de feedback claro e equilibrado; que estimulam comparações constantes (como rankings e metas agressivas); com pouca diversidade e inclusão, onde minorias não se sentem pertencentes; onde as lideranças valorizam apenas resultados, sem acolher vulnerabilidades ou incentivar o aprendizado contínuo. 

Apesar disso, é importante reforçar que o combate a esse fenômeno começa pelo próprio profissional.

Monize Oliveira, Gerente de Marketing do Infojobs, maior HRTech da América Latina – afirma que muitos candidatos desistem de posições desafiadoras por não acreditarem em seu próprio potencial. “Mesmo profissionais superqualificados hesitam em se candidatar a vagas por acharem que não estão à altura do desafio”, comenta. “Essa barreira invisível pode afetar as oportunidades de carreira, por isso é importante ter consciência dela e o que precisamos para superá-las”. 

Mas essa realidade pode ser transformada com algumas ferramentas que auxiliam o processo: autoconhecimento, preparo profissional e acesso a informações qualificadas são grandes aliados nessa mudança. Ouvir podcasts, conhecer histórias de outros profissionais e consumir conteúdos sobre carreira ajudam a fortalecer a autoconfiança e a reprogramar pensamentos limitantes.

“O profissional precisa olhar para sua jornada com generosidade e clareza. Ao valorizar suas conquistas e se preparar continuamente, ele começa a neutralizar essas inseguranças e a se posicionar melhor no mercado”, diz Oliveira. 

O ambiente de trabalho também tem um papel importante nesse processo. Empresas que promovem culturas inclusivas, acolhedoras e com feedbacks construtivos contribuem para reduzir essas inseguranças. Mas para que essas ferramentas sejam efetivas, o primeiro passo é pessoal: reconhecer as próprias crenças limitantes, buscar conhecimento e trabalhar o desenvolvimento da autoconfiança. 

“Empresas que usam o feedback como ferramenta de evolução e investem em mentoria podem ajudar os seus times neste autorreconhecimento e crescimento. Mas ainda é o profissional quem deve assumir o protagonismo da sua jornada”, reforça Monize. 

Superar a síndrome do impostor não é sobre eliminar totalmente a insegurança — mas aprender a não a deixar guiar sua carreira. Com apoio adequado, preparo emocional e acesso a conteúdos relevantes, é possível construir uma trajetória baseada em confiança, evolução constante e conquistas reais.


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