Pesquisadores da EESC-USP
desenvolvem aeronave com sensores capazes de detectar e medir as concentrações
ambientais de gás carbônico e metano; projeto foi apresentado durante a FAPESP
Week França, em Toulouse 
Para validar o uso dos drones na coleta de dados de GEE,
foram feitos testes no entorno do campus da USP,
em São Carlos
fotos: Antonio Daud
Os órgãos
de prevenção e combate a incêndios florestais de São Carlos, no interior
paulista, poderão contar, em breve, com uma ajuda vinda do céu para detectar
mais rapidamente focos de queimadas e combatê-los antes que tomem maiores
proporções e não possam ser debelados.
Pesquisadores da Escola de
Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP) estão
desenvolvendo drones dotados de sensores de gases, combinados com sistemas de
inteligência artificial, para detectar incêndios florestais.
O projeto foi apresentado
quarta-feira (11/06) durante a sessão de aeronáutica da FAPESP Week França, que
aconteceu entre terça-feira (10/06) e quinta-feira (12/06) na capital da região
da Occitânia, no sul da França.
“Já temos interação com a
Defesa Civil, a prefeitura e a Secretaria de Meio Ambiente de São Carlos e
submetemos uma proposta para avaliar o uso dos drones que estamos desenvolvendo
para identificar focos de incêndio no munícipio”, disse à Agência
FAPESP Glauco Augusto de Paula Caurin, professor da EESC-USP e coordenador do projeto.
Os drones possuem pequenos
sensores de baixo custo, desenvolvidos pelos pesquisadores, que são capazes de
detectar de modo seletivo e medir continuamente as concentrações na atmosfera
de gás carbônico e o metano, além de outros parâmetros, como a temperatura e a
umidade, a partir do ar que flui dentro da aeronave. “Realizamos diversos
ajustes para integrar sensores de gases específicos, que funcionam em conjunto
como um nariz eletrônico”, detalhou Caurin.
Os dados de concentração de
gases coletados pelos sensores são então analisados por sistemas de
inteligência artificial, que permitem identificar suas fontes de emissão. Dessa
forma, é possível detectar em um ambiente durante o sobrevoo dos drones a
presença de gás carbônico e gases-traço, como o metano, que são liberados
durante uma queimada.
“Os drones permitem detectar muito mais rapidamente focos de incêndio florestais em comparação com os satélites, por exemplo. Dessa forma, é possível que as autoridades possam agir de forma mais ágil para controlá-los”, avaliou Caurin.
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| Glauco Augusto de Paula Caurin é professor da EESC-USP e coordenador do projeto foto: Maisa Cietto |
Monitoramento de emissão de GEE
Por meio de um projeto apoiado pela FAPESP no
âmbito do Centro de Pesquisa
para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), financiado pela Fundação em parceria com a Shell, os pesquisadores
avaliaram nos últimos anos o uso de drones para o monitoramento de gases de
efeito estufa (GEE).
Os resultados dos testes indicaram que os drones
são eficientes e podem ser uma alternativa mais barata em comparação com os
métodos usados hoje para essa finalidade, como satélites, aviões de pesquisa e
torres de observação, afirmou o pesquisador. “Os drones podem ser uma
alternativa a esses métodos”, disse Caurin.
Em vez de realizar um único voo para coleta de
dados por meio de um avião de pesquisa, é possível fazer diversos sobrevoos com
drones, comparou o pesquisador. Também é possível delimitar melhor um local de
interesse de coleta de dados em comparação aos satélites, que passam e
rastreiam uma determinada área a cada dois dias, por exemplo.
Outra vantagem do uso de drones em comparação com
esses métodos é a possibilidade de variar a altura para a coleta de dados.
“Por meio da coleta de dados de gases de efeito
estufa com drones, em vez de uma média de gás carbônico ou de metano em uma
superfície, é possível obter o volume de distribuição desses gases em uma
determinada região”, afirmou.
“Hoje, mesmo com o uso dos melhores satélites não
conseguimos obter essa informação volumétrica. Com os drones, a coleta de dados
de gases de efeito estufa deixa de ser uma superfície ou mapa da região e passa
a ser uma informação volumétrica”, explicou.
De acordo com o pesquisador, a despeito de
apresentarem ótimo desempenho, os drones comerciais existentes hoje são capazes
de voar entre 15 minutos e meia hora. Por isso, ainda são inviáveis para
sobrevoar grandes áreas, como a de florestas.
Por meio de projetos de pesquisa em aerodinâmica, o
grupo pretende tornar os equipamentos mais eficientes, capazes de voar por mais
tempo e cobrir áreas maiores.
Para validar o uso dos drones para coletar dados de
GEE, os pesquisadores realizaram testes no entorno do campus da USP, em São
Carlos, situado entre uma região de transição entre a Mata Atlântica e o
Cerrado.
“No futuro, com um equipamento mais apto,
pretendemos fazer missões na Amazônia”, diz Caurin.
Mais informações sobre a FAPESP Week França: fapesp.br/week/2025/france.
Elton Alisson, de Toulouse
Agência FAPESP
https://agencia.fapesp.br/drones-permitem-detectar-queimadas-e-monitorar-emissao-de-gases-de-efeito-estufa/55044

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