A dor genitopélvica à penetração é um problema comum, porém
pouco falado
12 de junho é o Dia dos Namorados
“A dor genitopélvica à penetração é uma queixa comum entre mulheres, mas ainda cercada de silêncio, estigma e desinformação. Dados globais indicam que a dor durante as relações ocorre em cerca de 8% a 21% das mulheres. Essa condição pode afetar profundamente a qualidade de vida, a autoestima e os relacionamentos afetivo-sexuais delas”, declara Dra. Jussimara Souza Steglich, membro da Comissão Nacional Especializada em Sexologia da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).
A dor genitopélvica à penetração é uma dor persistente ou recorrente que ocorre durante tentativas de penetração vaginal, seja no sexo, no uso de absorventes internos ou durante exames ginecológicos. Ela é uma das manifestações da disfunção sexual feminina e pode ocorrer em qualquer idade.
A dor genitopélvica pode ser classificada conforme sua origem, localização e características clínicas. Os principais tipos incluem:
·
Dispareunia: dor genital
associada especificamente ao ato sexual com penetração, podendo ser superficial
(na entrada da vagina) ou profunda (durante a penetração total ou em
determinadas posições).
·
Vaginismo: contração
involuntária dos músculos do assoalho pélvico, que dificulta ou impossibilita a
penetração.
· Vulvodínia: dor crônica na região vulvar, sem causa identificável, frequentemente associada à hipersensibilidade ao toque ou pressão.
“A dor pode ter
causas físicas como infecções, atrofia vaginal, endometriose, cicatrizes
pós-parto ou alterações hormonais e/ou causas psicossociais, como ansiedade,
histórico de abuso sexual, educação sexual repressora ou experiências sexuais
negativas. Muitas vezes, é uma condição multifatorial e exige avaliação
cuidadosa”, explica a ginecologista.
Ela reforça que o impacto
da dor genitopélvica ultrapassa a esfera física, atingindo os
aspectos afetivos (conflitos conjugais, afastamento emocional, medo da
intimidade), psicológicos (vergonha, autoestima baixa, depressão, ansiedade) e
a sexualidade (evitação da atividade sexual, queda do desejo, anorgasmia).
“O sofrimento não
é apenas físico: muitas mulheres relatam sentir-se ‘quebradas’ ou
‘inadequadas’, o que pode comprometer gravemente sua saúde mental”, alerta Dra.
Jussimara.
O tratamento
passa por uma abordagem integrada e individualizada, incluindo:
(1) a psicoeducação e o aconselhamento sexual (fundamentais para desfazer mitos
e melhorar o autoconhecimento), (2) a fisioterapia do assoalho pélvico (para
reeducação muscular e alívio da dor), (3) as terapias psicológicas (como a
terapia cognitivo-comportamental ou terapia focada em sexualidade), (4) o
tratamento médico (incluem lubrificantes, uso de estrogênios vaginais em casos
de atrofia, anticonvulsivantes ou antidepressivos para dor crônica e, em alguns
casos, bloqueios anestésicos), e a (5) dilatação vaginal graduada (no
tratamento do vaginismo).
“A escolha do
tratamento depende da causa e da intensidade dos sintomas, mas o pilar
central é sempre o respeito à vivência e ao ritmo da mulher.
Falar sobre dor à penetração é um passo essencial para combater o tabu e
garantir que mais mulheres recebam diagnóstico e tratamento adequados. O
reconhecimento dessa dor como legítima e tratável pode mudar vidas e
relacionamentos”, conclui a ginecologista.
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