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| Foto: Breno Esaki/Saúde-DF |
Pequenos
machucados nos pés, tornozelos ou pernas muitas vezes são ignorados, com a
expectativa de que desaparecerão com o tempo. No entanto, em pessoas com
diabetes, má circulação ou imunidade comprometida, uma simples ferida pode
evoluir para um quadro grave de infecção, com risco de internação e até amputação.
A Dra.
Laís Seriacopi, médica especialista em infecções ortopédicas, de pele e partes
moles e professora do InfectoCast, destaca que o corpo humano é capaz de
cicatrizar lesões simples em poucos dias. Quando isso não acontece, é sinal de
que algo está fora do esperado. O maior risco está no fato de que muitas
infecções profundas evoluem silenciosamente, sem dor aparente, o que retarda o
diagnóstico e o início do tratamento.
Lesões
como cortes, bolhas, calos rompidos, arranhões e rachaduras nos pés,
aparentemente inofensivas, podem se tornar porta de entrada para bactérias. Em
pacientes com doenças vasculares, diabetes ou uso prolongado de corticoides,
essas feridas podem progredir rapidamente, atingindo camadas mais profundas da
pele, articulações e até os ossos.
Entre
os sinais de alerta que indicam possível infecção estão a demora na
cicatrização, inchaço, vermelhidão, calor local, secreção purulenta com odor
desagradável, alteração na cor da pele, dor que se intensifica e presença de
áreas escurecidas ou endurecidas, sugerindo necrose. De acordo com a Dra. Laís,
quando a infecção atinge o osso (osteomielite), geralmente já é necessário o uso
de antibióticos intravenosos, cirurgia e internação hospitalar.
Algumas
pessoas precisam redobrar os cuidados, como pacientes com diabetes (mesmo
quando controlado), histórico de feridas ou amputações, portadores de doenças
vasculares, idosos, pessoas imunossuprimidas (como transplantados ou em
quimioterapia) e indivíduos com mobilidade reduzida.
Há
práticas que agravam o risco e devem ser evitadas, como o uso de pomadas sem
prescrição, cobrir a ferida por longos períodos sem trocas apropriadas, recorrer
a receitas caseiras ou adiar a ida ao médico. A ausência de dor não deve ser
interpretada como ausência de gravidade — especialmente em casos de neuropatia
diabética, em que a sensibilidade dos pés está comprometida.
Diante
de uma lesão, a orientação é clara: lavar com água e sabão neutro, manter o
local limpo e seco, não andar descalço, usar calçados fechados e confortáveis e
buscar avaliação médica ao notar dificuldade na cicatrização ou qualquer sinal
de infecção.
No Dia
Nacional do Diabetes, celebrado em 26 de junho, o alerta se torna ainda mais
importante. O cuidado com a pele e os pés deve ser diário e contínuo. Prevenir
infecções é preservar a autonomia, evitar complicações e manter a qualidade de
vida.
Estagiária | MM Estratégia de Imagem

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