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| Foto: Jornal Opção. |
O Dia Nacional do Diabetes, celebrado em 26 de junho, é mais do que um momento para reforçar a importância do controle glicêmico. A data também serve como um alerta para complicações sérias, mas evitáveis, como o pé diabético infeccionado, uma das principais causas de amputações não traumáticas no Brasil.
Segundo
a Dra. Stefania Bazanelli Prebianchi, especialista em infecções ortopédicas, de
pele e partes moles, e professora do InfectoCast, o número de amputações
decorrentes dessa condição ainda é alarmante.
“Há um número inaceitável de amputações que poderiam ser evitadas com informação, diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo. O pé diabético é uma urgência silenciosa que, muitas vezes, só recebe atenção quando o quadro já está avançado.”, comenta Dra. Stefania.
O Pé Diabético é uma complicação do diabetes que acomete os pés e pernas, geralmente provocada pela combinação de má circulação, infecções e danos nos nervos, a neuropatia. Lesões aparentemente simples como bolhas, rachaduras no calcanhar ou calos, podem evoluir rapidamente para feridas profundas, infeccionadas e de difícil cicatrização.
Com a
progressão, essas feridas podem atingir músculos, articulações e até ossos,
aumentando consideravelmente o risco de amputação. O elevado número de
amputações no Brasil reflete uma combinação de fatores estruturais e sociais
que ainda dificultam a prevenção e o tratamento adequado do pé diabético.
Entre
os principais entraves estão o diagnóstico tardio, já que muitos pacientes só
procuram atendimento quando as lesões estão em estágio avançado, com infecção
ou sinais de necrose. Soma-se a isso o acesso desigual aos serviços de saúde,
com a falta de centros especializados e de equipes multidisciplinares
dificultando o cuidado integral.
A
desinformação também agrava o quadro: sinais precoces da complicação
frequentemente passam despercebidos por pacientes e até mesmo por profissionais
da saúde. Além disso, há uma expressiva desigualdade no autocuidado, com parte
da população sem acesso a calçados adequados, curativos de qualidade ou
serviços de podologia preventiva.
“Trabalhar
com pé diabético é compreender que a amputação não é apenas física. Ela
compromete a saúde emocional, a autonomia e a qualidade de vida da pessoa. Por
isso, a prevenção precisa ocupar lugar central nas políticas públicas de
saúde”, reforça a Dra. Stefania Bazanelli Prebianchi.
Para
transformar esse cenário, é essencial investir em medidas estratégicas:
- Educação em
saúde, orientando pessoas com diabetes a inspecionar os próprios pés
diariamente;
- Capacitação das equipes da atenção primária,
para que possam identificar lesões iniciais e encaminhar rapidamente os
casos mais graves;
- Atuação integrada de profissionais de
diferentes especialidades, como endocrinologistas, infectologistas,
cirurgiões, enfermeiros(as) e fisioterapeutas;
- Ampliação de estruturas especializadas, como
ambulatórios voltados ao tratamento de feridas complexas e centros de
referência.
Alguns
sinais exigem atenção imediata: feridas que não cicatrizam, inchaço,
vermelhidão, aumento da temperatura local, secreção com mau cheiro, dor crescente
ou escurecimento da pele, uma possível necrose.
Falar
sobre o pé diabético é falar sobre acesso, prevenção e dignidade. O Brasil
ainda amputa demais porque ainda previne de menos. Mudar essa realidade depende
de políticas públicas eficazes, diagnóstico ágil e equipes de saúde bem
preparadas.

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