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quinta-feira, 26 de junho de 2025

26 de Junho - Dia Nacional do Diabetes

Foto: Jornal Opção.
Especialista alerta para uma das complicações mais graves e negligenciadas da doença: as infecções nos pés.

 

O Dia Nacional do Diabetes, celebrado em 26 de junho, é mais do que um momento para reforçar a importância do controle glicêmico. A data também serve como um alerta para complicações sérias, mas evitáveis, como o pé diabético infeccionado, uma das principais causas de amputações não traumáticas no Brasil. 


Segundo a Dra. Stefania Bazanelli Prebianchi, especialista em infecções ortopédicas, de pele e partes moles, e professora do InfectoCast, o número de amputações decorrentes dessa condição ainda é alarmante.

“Há um número inaceitável de amputações que poderiam ser evitadas com informação, diagnóstico precoce e acompanhamento contínuo. O pé diabético é uma urgência silenciosa que, muitas vezes, só recebe atenção quando o quadro já está avançado.”, comenta Dra. Stefania. 

O Pé Diabético é uma complicação do diabetes que acomete os pés e pernas, geralmente provocada pela combinação de má circulação, infecções e danos nos nervos, a neuropatia. Lesões aparentemente simples como bolhas, rachaduras no calcanhar ou calos, podem evoluir rapidamente para feridas profundas, infeccionadas e de difícil cicatrização.

Com a progressão, essas feridas podem atingir músculos, articulações e até ossos, aumentando consideravelmente o risco de amputação. O elevado número de amputações no Brasil reflete uma combinação de fatores estruturais e sociais que ainda dificultam a prevenção e o tratamento adequado do pé diabético.

Entre os principais entraves estão o diagnóstico tardio, já que muitos pacientes só procuram atendimento quando as lesões estão em estágio avançado, com infecção ou sinais de necrose. Soma-se a isso o acesso desigual aos serviços de saúde, com a falta de centros especializados e de equipes multidisciplinares dificultando o cuidado integral.

A desinformação também agrava o quadro: sinais precoces da complicação frequentemente passam despercebidos por pacientes e até mesmo por profissionais da saúde. Além disso, há uma expressiva desigualdade no autocuidado, com parte da população sem acesso a calçados adequados, curativos de qualidade ou serviços de podologia preventiva.

“Trabalhar com pé diabético é compreender que a amputação não é apenas física. Ela compromete a saúde emocional, a autonomia e a qualidade de vida da pessoa. Por isso, a prevenção precisa ocupar lugar central nas políticas públicas de saúde”, reforça a Dra. Stefania Bazanelli Prebianchi.

Para transformar esse cenário, é essencial investir em medidas estratégicas:

  • Educação em saúde, orientando pessoas com diabetes a inspecionar os próprios pés diariamente;
  • Capacitação das equipes da atenção primária, para que possam identificar lesões iniciais e encaminhar rapidamente os casos mais graves;
  • Atuação integrada de profissionais de diferentes especialidades, como endocrinologistas, infectologistas, cirurgiões, enfermeiros(as) e fisioterapeutas;
  • Ampliação de estruturas especializadas, como ambulatórios voltados ao tratamento de feridas complexas e centros de referência.

Alguns sinais exigem atenção imediata: feridas que não cicatrizam, inchaço, vermelhidão, aumento da temperatura local, secreção com mau cheiro, dor crescente ou escurecimento da pele, uma possível necrose.

Falar sobre o pé diabético é falar sobre acesso, prevenção e dignidade. O Brasil ainda amputa demais porque ainda previne de menos. Mudar essa realidade depende de políticas públicas eficazes, diagnóstico ágil e equipes de saúde bem preparadas.


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