Após mais de duas décadas de medo e desinformação, a agência americana reconhece que a terapia hormonal é segura quando bem indicada. Médicas explicam o que muda na prática e como a decisão pode impactar milhões de mulheres
Uma
das decisões mais importantes da última década para a saúde feminina foi
anunciada nesta segunda-feira (10). A Food and Drug Administration (FDA), agência
regulatória dos Estados Unidos, confirmou que vai remover o alerta de “caixa
preta” o aviso mais severo de segurança das terapias hormonais com estrogênio,
usadas no tratamento dos sintomas da menopausa.
O
alerta, adicionado em 2003, associava o uso dos hormônios ao aumento do risco
de câncer de mama, AVC e doenças cardíacas. Desde então, milhões de mulheres
deixaram de receber um tratamento eficaz, enquanto novas evidências científicas
mostravam que, quando bem indicado e iniciado na chamada “janela de
oportunidade” (até 10 anos após o início da menopausa ou antes dos 60 anos), o
uso da terapia hormonal é seguro e traz benefícios que vão muito além do alívio
dos sintomas.
“Por
mais de 20 anos, o medo do estrogênio foi alimentado por alertas desatualizados,
afastando gerações de mulheres de um tratamento eficaz, seguro e transformador.
Hoje, a ciência fala mais alto: a terapia hormonal é segura quando bem
indicada, na via certa, na dose certa e dentro da janela de oportunidade”,
afirma a endocrinologista e metabologista Dra. Tassiane Alvarenga, membro da
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
Segundo
a especialista, a decisão da FDA marca o fim de uma era de medo e o início de
uma nova medicina da menopausa, mais humana, científica e libertadora. “Tratar
a menopausa é tratar saúde, não apenas sintomas. É devolver energia, sono,
libido e qualidade de vida a mulheres que merecem viver plenamente metade da
sua vida, e não apenas sobreviver a ela”, completa.
Para
a ginecologista Dra. Paula Fettback, a mudança também representa uma virada
cultural. “Por muito tempo, o tema da menopausa foi tratado com tabu e
desinformação. Essa atualização devolve confiança às mulheres e aos médicos,
reforçando que o tratamento deve ser individualizado, baseado em ciência e com
acompanhamento adequado. Poucas mulheres têm contraindicações reais à terapia
hormonal e muitas podem se beneficiar dela com segurança”, destaca.
De
acordo com as especialistas, o movimento da FDA deve estimular uma revisão
global nas rotulagens e condutas médicas, inclusive no Brasil, onde diretrizes
recentes da Sobrac (Sociedade Brasileira de Climatério) já reforçam a segurança
e a importância da personalização no tratamento hormonal.
A
decisão histórica consolida o que a medicina da mulher vem defendendo há anos:
o equilíbrio hormonal não é luxo, é saúde.
Dra. Tassiane Alvarenga – ENDOCRINOLOGISTA E METABOLOGISTA - Graduação em Medicina pela Universidade Federal de Uberlândia – UFU; Residência Médica em Clínica Médica pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP; Residência Médica em Endocrinologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FM USP); Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia- SBEM; Membro da Endocrine Society, SBEM e ABESO; Faz parte do Corpo Clínico da Santa Casa de Misericórdia de Passos. Sobrepeso e Obesidade. Compulsão Alimentar e Ansiedade; Obesidade Infantil; Diabetes Mellitus e Pré Diabetes: Controle da glicemia e prevenção de complicações como Retinopatia , Neuropatia , Nefropatia , Infarto do Miocárdio e Acidente Vascular Cerebral (AVC); Dislipidemias ( Colesterol); Doenças da tireoide ( Hipo e Hipertireoidismo, Nódulos na Tireóide); Osteopenia e Osteoporose; Seguimento pré e pós operatórios de cirurgia bariátrica; Check-up e Avaliação de rotina; Baixa Estatura; Distúrbios da Menstruação, Distúrbios da Puberdade, Crescimento e Desenvolvimento sexual; Síndrome dos Ovários Policísticos; Reposição hormonal na Menopausa e Andropausa.
Dra. Paula Fettback - CRM 117477 SP - CRM 33084 PR - Possui graduação em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina - UEL (2004). Residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP- 2007). Atua em Ginecologia e Obstetrícia com ênfase em Reprodução Humana. Estágio em Reprodução Humana na Universidade de Michigan - USA. Médica colaboradora do Centro de Reprodução Humana Mário Covas do HC-FMUSP (2016). Doutora em Ciências Médicas pela Disciplina de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM - 2016). Médica da Clínica MAE São Paulo – SP. Título de Especialista em Reprodução Assistida Certificada pela Febrasgo (2020).
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