Especialista destaca que a COP 30 é
oportunidade para integrar políticas de clima e saúde
O aumento das temperaturas e a intensificação de eventos
climáticos extremos, como queimadas e secas prolongadas, estão impactando
diretamente a saúde humana. A avaliação é da médica infectologista Tânia
Marcial, professora de Práticas Médicas do SUS na Faseh.
Segundo a especialista, o aquecimento global intensifica ondas de
calor, aumenta a ocorrência de queimadas e compromete a qualidade do ar,
favorecendo o surgimento e o agravamento de doenças respiratórias. “Partículas
finas suspensas no ar, formadas pela combustão incompleta de biomassa,
veículos, indústrias e queimadas, além do ozônio e do gás carbônico, causam
doenças respiratórias e pioram quadros em pessoas com asma e DPOC, por
exemplo”, explica Tânia. Ela destaca que as secas e o calor extremo também
concentram alérgenos, ampliando crises respiratórias e impactando especialmente
populações vulneráveis.
Do ponto de vista das doenças infecciosas, a médica alerta para
mudanças na ecologia de vetores, que favorecem a proliferação de mosquitos
transmissores de dengue, Zika, Chikungunya e malária. “Eventos de enchente após
períodos de seca também facilitam surtos de leptospirose, diarreias e hepatite
A”, completa.
Para Tânia Marcial, é fundamental adotar uma visão integrada da
saúde, conforme propõe o conceito de Saúde Única (One Health), abordagem que
reconhece a interdependência entre a saúde humana, animal e ambiental. “Saúde
não significa apenas ausência de doença. Está relacionada à qualidade de vida e
ao bem-estar. Saúde Única é mais do que um conceito, é uma forma de pensar e
agir em rede, buscando equilíbrio ecológico como base para o bem-estar humano”,
ressalta.
A professora destaca ainda que a COP 30, que começa nesta semana em Belém (PA), primeira conferência climática sediada na Amazônia, representa uma oportunidade histórica para colocar em prática políticas integradas entre clima e saúde. “A COP 30 pode ser um marco global na implementação dessa abordagem. É urgente que a humanidade desperte para essa questão, pois nosso planeta está doente. Consequentemente, os animais e os humanos sofrerão ao longo do tempo”, finaliza.
Faseh - integrante do Ecossistema Ânima
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