No Dia Mundial da Pneumonia (12), profissionais
reforçam a importância da vacinação e do reconhecimento precoce dos sintomas
Freepik
A pneumonia pode
parecer algo comum, uma tosse que demora a passar, uma febre que insiste em
voltar, um cansaço que chega sem explicação. Mas o perigo está justamente nos
sinais sutis que muitas vezes não são percebidos até que a infecção já esteja
avançada. Em um país onde é comum confundir sintomas respiratórios com uma
gripe forte ou recorrer à automedicação, o descuido pode transformar um quadro
simples em uma emergência médica.
A pneumonia
ainda é uma ameaça global
Conforme a
Organização Mundial da Saúde (OMS), infecções respiratórias inferiores,
incluindo a pneumonia, continuam entre as principais causas de morte no mundo.
Em 2019, mais de 740 mil crianças menores de 5 anos morreram em decorrência da
doença, o que corresponde a cerca de 14% de todas as mortes nessa faixa etária.
Embora o número assuste, há outro dado que merece atenção: a pneumonia também
figura entre as infecções mais graves em adultos e idosos.
No Brasil, um
levantamento publicado no Jornal Brasileiro de Pneumologia apontou que a mortalidade
hospitalar chega a 18% entre pacientes com menos de 65 anos e ultrapassa 23%
entre os idosos, reforçando que o problema vai muito além da infância.
Segundo o médico
Dr. Luis Mora, intensivista do Centro de Emergência Regional (CER) Ilha do
Governador, a doença tem maior ocorrência entre idosos, fumantes, pessoas com
doenças crônicas como diabetes, DPOC ou insuficiência cardíaca, e indivíduos
com baixa imunidade.
“A demora para
buscar ajuda é o que mais preocupa. Muitos chegam ao hospital apenas quando já
há falta de ar ou queda de oxigenação, e isso muda completamente o desfecho
clínico”, alerta.
Risco para os
bebês
Nos primeiros anos
de vida, o sistema imunológico ainda está em amadurecimento, o que torna bebês
e crianças pequenos mais suscetíveis às infecções respiratórias. O Dr. Júlio
Cesar Pelegrini, coordenador da UTI Neonatal do Hospital da Mulher Mariska
Ribeiro, ressalta que o cuidado deve começar cedo.
“Nos bebês,
qualquer sinal respiratório deve ser levado a sério. Respiração acelerada,
gemido ao respirar, recusa alimentar ou febre são motivos para procurar
atendimento imediato”, pontua.
Ele reforça que a
amamentação exclusiva até os seis meses é uma das principais defesas contra a
pneumonia, já que o leite materno contém anticorpos que fortalecem o sistema
imunológico.
“A vacinação é
outro pilar essencial, assim como evitar o tabagismo passivo e manter os
ambientes ventilados. São atitudes simples, mas que têm impacto direto na
prevenção”, diz o médico.
A
desigualdade como fator de risco
Além de fatores
clínicos, a pneumonia também é um marcador de desigualdade social. Ambientes
domiciliares precários, falta de saneamento, poluição e dificuldade de acesso à
atenção básica ampliam o risco de infecção e retardam o diagnóstico.
De acordo com a
Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), crianças em comunidades de baixa
renda têm até cinco vezes mais chances de morrer de pneumonia do que aquelas em
contextos de melhor infraestrutura. “O desafio não é apenas tratar, mas
garantir que as pessoas cheguem a tempo de serem tratadas”, afirma o Dr. Mora.
A combinação entre
vulnerabilidade social e sobrecarga nos serviços de saúde faz com que muitos
casos se agravem antes de receber assistência adequada. “Por isso, políticas
públicas de prevenção, especialmente campanhas de vacinação e educação em
saúde, são essenciais”, acrescenta.
Os novos
desafios no combate à doença
A luta contra a
pneumonia também passa por fatores contemporâneos que transformam o cenário da
saúde pública. O primeiro deles é o impacto das mudanças climáticas. A
intensificação de ondas de calor, queimadas e poluição atmosférica tem
aumentado a exposição a agentes irritantes que comprometem as vias
respiratórias. Estudos recentes da OMS e da revista The Lancet apontam
que a má qualidade do ar está diretamente relacionada ao aumento de internações
por pneumonia e doenças pulmonares crônicas.
Outro obstáculo é
a resistência bacteriana. O uso inadequado e prolongado de antibióticos tem
tornado algumas bactérias mais resistentes, dificultando o tratamento de
infecções respiratórias.
“Temos observado
que casos antes facilmente controlados hoje exigem esquemas mais complexos e
internações prolongadas”, explica o Dr. Mora. Essa tendência preocupa
autoridades de saúde e reforça a necessidade de uso racional de medicamentos e
de acompanhamento médico adequado.
Por outro lado, há
boas notícias. Novas vacinas conjugadas pneumocócicas vêm sendo desenvolvidas
com maior cobertura contra diferentes cepas da bactéria Streptococcus
pneumoniae, principal causadora da pneumonia bacteriana.
Segundo o
Ministério da Saúde, essas vacinas têm potencial de reduzir de forma expressiva
os casos graves e as mortes associadas à doença, tanto em crianças quanto em
adultos. Além disso, pesquisas sobre imunizantes universais e terapias
respiratórias inovadoras indicam avanços importantes para os próximos anos.
Informação
que salva vidas
A pneumonia é uma
doença tratável e, em grande parte dos casos, evitável. O ponto-chave é
reconhecer precocemente os sintomas e procurar ajuda médica. “O tempo é um
fator determinante. Quando o tratamento é iniciado rapidamente, a chance de
recuperação completa é altíssima”, reforça o Dr. Mora.
Para o Dr.
Pelegrini, o recado é o mesmo para todas as faixas etárias. “A atenção aos
sinais e a busca rápida por atendimento salvam vidas. Em bebês e crianças, cada
hora conta”, afirma.
Neste Dia Mundial da Pneumonia, os especialistas deixam uma mensagem direta: prevenir, vacinar e agir rápido são atitudes simples que fazem toda a diferença. Respirar é um ato involuntário, mas cuidar da respiração é uma escolha consciente.
Hospital da Mulher Mariska Ribeiro, localizado na zona Oeste do Rio de Janeiro
Hospital Municipal Evandro Freire/CER Ilha, localizado na zona Norte do Rio de Janeiro
CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”
@cejamoficial
Nenhum comentário:
Postar um comentário