O ecossistema de inovação brasileiro tem passado por um período de transformações aceleradas. Os avanços recentes demonstram um amadurecimento institucional e tecnológico. No entanto, para que o país e suas empresas assegurem competitividade futura, é crucial não apenas reconhecer esses progressos, mas também enfrentar os desafios estruturais e culturais que ainda limitam o potencial de crescimento contínuo.
De acordo com o Índice Global de Inovação (IGI)
2025, o Brasil perdeu a liderança regional no ranking, caindo para a 52ª
posição. Apesar desse recuo, o país ainda se destaca como o quinto mais
inovador entre as economias de renda média-alta, atrás de China, Malásia,
Turquia e Tailândia.
Nos últimos anos, o nosso país registrou conquistas
expressivas no fortalecimento do seu ecossistema de inovação, consolidando
marcos regulatórios e tecnológicos que nos impulsionam cada vez mais. Um dos
principais avanços foi o aprimoramento do arcabouço regulatório, materializado
pela Lei Complementar nº 182/2021 (Marco Legal das Startups), que modernizou a
relação entre empreendedores, investidores e o poder público, facilitando a
captação de recursos e parcerias.
Essa evolução coincidiu com o crescimento nacional
como polo de inovação global. De acordo com o The Global Startup Ecosystem
2025, São Paulo foi classificada como um dos principais hubs de inovação do
mundo, e o número de unicórnios brasileiros (startups avaliadas acima de US$ 1
bilhão) chegou a 22 em 2024. Em termos de investimentos, após um período de
retração, o capital de risco voltou a crescer este ano.
Em paralelo, a inovação corporativa ganhou
destaque, com empresas brasileiras de ponta figurando entre as maiores
investidoras mundiais em P&D. Setores tradicionais também apresentaram
indicadores dinâmicos, segundo o IGI, como a implantação de 5G que registrou um
avanço de 86,9%, crescimento de veículos elétricos na margem dos 132,6% e
patentes internacionais 23,9%.
A crescente conscientização sobre a inovação já se
reflete nas decisões dos dirigentes empresariais e governamentais. A maioria
das organizações brasileiras a classificam como um elemento fundamental para a
sobrevivência e crescimento, o que evidencia sua centralidade na estratégia
corporativa. Isso se manifesta na alocação de verbas dedicadas para
experimentação e P&D, na criação de comitês de governança com KPIs
definidos e na priorização de parcerias e aquisições como forma de acelerar a
transformação. No governo, a pauta também ganhou espaço estratégico com a
definição de metas claras na Estratégia Nacional de Inovação e a implementação
de políticas como incentivos fiscais e programas de transformação digital.
Ignorar a inovação, diante deste contexto, implica
uma queda direta na competitividade. Afinal, as empresas ficam expostas à
obsolescência e correm o risco de perder mercados para concorrentes globais que
investem continuamente, comprometendo sua capacidade de se manter em padrões
internacionais.
Essa falta de priorização também gera perda de atratividade
para investidores e pode levar à migração de talentos. Negligenciar a inovação,
portanto, significa trocar ganhos de médio e longo prazo por resultados
imediatos, deixando o país e suas empresas menos preparados para os desafios
futuros.
Internamente, muitas organizações enfrentam
barreiras significativas. Do ponto de vista cultural, o maior desafio é a
resistência à mudança: ambientes marcados por conservadorismo e aversão ao risco
dificultam a experimentação, com gestores esperando retorno imediato e
descartando projetos antes de maturarem.
Estruturalmente, são recorrentes os recursos
escassos, hierarquias rígidas e métricas focadas apenas no financeiro. A
combinação entre burocracia e resultados de curto prazo mina o potencial
criativo, exigindo liderança engajada, comunicação transversal e políticas de
incentivo ao aprendizado para que a inovação se torne um processo contínuo e
sustentável.
Dado que muitos projetos inovadores não geram lucro
imediato, as empresas vêm adotando métricas não-financeiras para mensurar
resultados de longo prazo, avaliando benefícios indiretos e intangíveis. Em vez
de focar apenas no ROI de curto prazo, a avaliação se concentra no
fortalecimento da marca, melhoria do engajamento interno e, crucialmente, na
geração de capacidades: novos conhecimentos adquiridos, patentes registradas e
maturidade digital. Uma abordagem equilibrada entre indicadores financeiros e
não-financeiros permite justificar investimentos e guiar correções de rota.
O avanço de tecnologias como Inteligência
Artificial, internet das coisas (IoT), robótica e análises de dados estão
obrigando até os setores mais tradicionais a reinventar seus modelos. De acordo
com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 70% das indústrias no
Brasil já empregam algum tipo de tecnologia digital avançada, o que, por mais
que aumente sua produtividade, também expõe empresas conservadoras. Com isso, a
inovação deixa de ser pontual e passa a ser estrutural e contínua, integrando
tecnologia, cultura e modelo de negócio.
As tecnologias disruptivas redefinem a natureza da
inovação, que agora é digital e constante. Empresas que inovavam ocasionalmente
precisam incorporar automação e design centrado no usuário ao seu DNA,
repensando processos do chão de fábrica ao relacionamento com o cliente. Do
contrário, correm o risco de ficarem obsoletas em um mercado cada vez mais
dinâmico.
Grupo Skill
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