Educadores destacam as principais mudanças para 2026 desse que é um dos processos seletivos mais tradicionais e concorridos do Brasil
A prova da FUVEST (Fundação Universitária para o Vestibular) é considerada uma
das mais difíceis e concorridas entre os vestibulares nacionais, e é porta de
entrada de novos alunos para os cursos de graduação da Universidade de São
Paulo (USP), maior do Brasil e segunda melhor da América Latina e Caribe,
segundo o QS World University Rankings 2026.
A
primeira fase da FUVEST acontece no domingo, 23 de novembro, em 88 locais de
prova espalhados por 32 cidades da Região Metropolitana de São Paulo, do
interior e do litoral paulista. Este ano, o vestibular recebeu 111.480
inscrições, 3,9% a mais do que o registrado no ano passado, sendo que 12.960
candidatos farão a prova como treineiros, ou seja, sem ainda terem concluído o
ensino médio.
São
oferecidas 11,1 mil vagas, distribuídas entre três formas de ingresso: o
vestibular tradicional da FUVEST, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o
Provão Paulista. O curso mais disputado é medicina, que apresenta uma relação
candidato/vaga de 90,7, seguido de Psicologia/São Paulo (58,6),
Psicologia/Ribeirão Preto (39,8), Relações Internacionais (37,9), Audiovisual
(30,6), Ciências Biomédicas (29,3), Publicidade e Propaganda (27,6), Jornalismo
(25,7), Fisioterapia (22,9) e Engenharia Aeronáutica (22,8).
Prestes
a completar 50 anos de criação, a FUVEST traz novidades para o vestibular deste
ano: um novo formato de redação, que aceitará textos como cartas, crônicas ou
discursos; a inclusão de questões que exigem disciplinas como Filosofia,
Sociologia, Artes e Educação Física de forma mais direta; abordagem mais
interdisciplinar, contemplando a Base Nacional Comum Curricular (BNCC); e uma
lista de livros obrigatórios composto exclusivamente por obras de escritoras mulheres
em língua portuguesa.
Para
ajudar os candidatos a chegarem mais seguros no dia da prova, educadores
explicam as mudanças e compartilham dicas práticas de estudo e de estratégia
para quem sonha com uma vaga na USP.
O QUE A
FUVEST QUER DO CANDIDATO?
Mais
do que decorar conteúdos, a FUVEST busca identificar estudantes com raciocínio
crítico, domínio conceitual e capacidade de relacionar ideias entre diferentes
áreas do conhecimento. O vestibular da USP é reconhecido por seu alto nível de
exigência e por manter uma estrutura própria, que valoriza tanto o conteúdo
quanto a forma como o candidato pensa e se expressa.
A
prova é dividida em duas fases. Na primeira fase (23/11), os candidatos
responderão a 90 questões de múltipla escolha, que abrangem todas as
disciplinas do ensino médio: Língua Portuguesa, Literatura, Matemática,
História, Geografia, Biologia, Física, Química, Inglês, Filosofia, Sociologia,
Artes e Educação Física.
Já
a segunda fase é dividida em dois dias de prova. O primeiro (14/12) trará dez
questões discursivas de Língua Portuguesa e uma redação; e o segundo (15/12)
terá doze questões discursivas específicas, de acordo com o curso escolhido.
Diferente
do Enem e de outros vestibulares, como Unicamp e UNESP, a FUVEST mantém um formato
mais tradicional, com foco em profundidade e precisão técnica. “A FUVEST
valoriza a precisão e o raciocínio analítico. As questões testam não apenas se
o aluno sabe o conteúdo, mas se ele entende os fundamentos por trás dele. É um
vestibular que exige repertório e foco, diferente do estilo mais interpretativo
e temático do Enem, e da abordagem mais contextualizada de provas como a da
Unicamp”, explica Fernanda Silveira, coordenadora do Ensino Médio do colégio Progresso
Bilíngue, de Campinas/SP.
A
docente diz que simulados são essenciais para quem vai prestar a prova.
“Utilize provas completas e modelos oficiais anteriores, familiarizando-se com
o estilo da banca, o tempo médio por questão e a forma de enunciado, para
testar resistência, foco e estratégia. Também é preciso gerir o tempo. Na
primeira fase, a recomendação é priorizar o ritmo; e na segunda a dica é se
concentrar na clareza e profundidade das respostas discursivas e da redação”,
acrescenta Fernanda.
REDAÇÃO MUDOU
Uma
das principais mudanças da FUVEST 2026 está na redação, que deixa de exigir
exclusivamente o formato dissertativo-argumentativo. A partir desta edição, os
candidatos poderão produzir outros gêneros textuais, como cartas, crônicas ou
discursos, o que amplia as possibilidades de expressão e exige atenção
redobrada ao contexto da proposta.
Segundo
Samuel Ferreira Gama Junior, orientador educacional e de carreiras da Escola Bilíngue
Aubrick, de São Paulo/SP, o novo modelo favorece estudantes que
conseguem adaptar o tom, a estrutura e a linguagem de acordo com o gênero
solicitado. “Desta forma, a USP busca avaliar a capacidade comunicativa do
aluno em diferentes situações. Mais do que aplicar fórmulas, é preciso
compreender o propósito da escrita, quem fala, para quem fala e com qual
intenção”, diz.
A
mudança segue uma tendência observada em outros vestibulares e reflete a
importância crescente das competências de comunicação no ensino superior e no
mercado de trabalho, que valorizam a clareza, a capacidade de adaptação e a
expressão em diferentes contextos.
O
docente da Aubrick recomenda o candidato treinar a escrita sempre atento à
estrutura; adequação à norma culta e ao gênero proposto e à argumentação; além
de ler diferentes gêneros, como editoriais, artigos de opinião e crônicas, para
ampliar o repertório e observar estilos de escrita.
LIVROS OBRIGATÓRIOS DE AUTORAS MULHERES
A
lista de obras obrigatórias da FUVEST 2026 passou por uma renovação
significativa: pela primeira vez, é composta exclusivamente por autoras
mulheres da literatura em língua portuguesa. A decisão da USP busca valorizar
diferentes perspectivas, ampliar a representatividade e fomentar reflexões
sobre o papel feminino na literatura e na sociedade, e vale até 2028 - quando
autores homens voltarão a ser incluídos no certame.
Livros obrigatórios da FUVEST 2026:
- Opúsculo Humanitário (1853), de Nísia Floresta;
- Nebulosas (1872), de Narcisa Amália;
- Memórias de Martha (1899), de Julia Lopes de Almeida;
- Caminho de pedras (1937), de Rachel de Queiroz;
- O Cristo cigano (1961), de Sophia de Mello Breyner Andresen;
- As meninas (1973), de Lygia Fagundes Telles;
- Balada de amor ao vento (1990), de Paulina Chiziane;
- Canção para ninar menino grande (2018), de Conceição Evaristo;
- A visão das plantas (2019), de Djaimilia Pereira de Almeida.
São
nove livros ao todo, e para quem não conseguiu ler todas as obras, como a
FUVEST não cobra a “memorização de enredos”, a dica é se preparar com resumos
críticos e análises confiáveis. “O contato direto com o texto original é sempre
o ideal, mas o estudante pode se preparar com materiais de apoio, desde que
procure compreender o estilo de cada autora, os temas centrais e os símbolos
mais recorrentes. A prova vai cobrar do candidato a compreensão da obra,
identificando seus contextos e se ele consegue estabelecer relações entre os
livros e o mundo atual”, explica destaca o coordenador pedagógico do Brazilian
International School – BIS, de São Paulo/SP, Henrique Barreto
Andrade Dias.
O QUE MAIS CAI NA PROVA?
A
FUVEST avalia competências amplas, como interpretação, raciocínio lógico e
capacidade de conexão entre temas. “As questões interdisciplinares e a
exigência de repertório pedem que o candidato conecte conceitos. Não basta
saber o conteúdo, é preciso mostrar como aplicá-lo em um contexto”, explica o
coordenador pedagógico da Escola Internacional de Alphaville, de
Barueri/SP, Peter Rifaat.
Conteúdos que costumam aparecer com recorrência na FUVEST:
Língua Portuguesa:
interpretação textual, gêneros textuais, reconhecimento e análise de sentido;
Inglês: interpretação de
texto em língua inglesa; compreensão de vocabulário e leitura crítica;
Matemática: geometria
plana, funções, trigonometria, probabilidade, análise combinatória;
Biologia: ecologia,
genética, fisiologia animal e humana;
Química: química geral e
físico-química, reações orgânicas, atomística;
Física: mecânica
(trabalho, energia), eletrodinâmica/eletrostática, interpretação de fenômenos;
História: história do
Brasil (colônia, império, república), além de história geral moderna e
contemporânea;
Geografia:
interpretação de mapas, questões ambientais, geopolítica, população e
urbanização;
Sociologia e Filosofia:
movimentos sociais, cidadania, cultura, teoria sociológica clássica (estas
disciplinas têm presença crescente).
Quem
se preparou para a prova estudando por competências, não apenas por matéria
isolada, e usando resumos ativos e fichamentos, tem mais vantagem. “Simulados
com correção comentada também ajudam muito nesse processo, porque mostram como
o avaliador pensa e o que valoriza em cada resposta”, finaliza o Rifaat.
Fernanda Silveira - pedagoga e psicopedagoga, com 10 anos de experiência na gestão pedagógica do Ensino Médio, com atuação voltada ao acompanhamento acadêmico dos estudantes e ao fortalecimento de suas trajetórias rumo ao vestibular e às suas escolhas para o futuro. Atua como coordenadora pedagógica do Ensino Médio das unidades do Progresso Bilíngue em Campinas (Cambuí e Taquaral).
Henrique Barreto Andrade Dias - licenciado em Geografia e Sociologia, possui especialização em projetos para o terceiro setor e pós-graduação em Psicologia Positiva, Neurociência, Mindfulness, Neuropsicopedagogia e Neurociência Aplicada à Aprendizagem. Atua na área da Educação há 18 anos e atualmente é coordenador pedagógico do currículo brasileiro do Brazilian International School.
Peter Rifaat - educador e líder escolar com mais de 15 anos de experiência em educação internacional e bilíngue. É formado em Pedagogia e possui certificações internacionais, incluindo DELTA e CELTA (Cambridge), além de diversas certificações do IB. Atualmente, atua na Escola Internacional de Alphaville como Coordenador Pedagógico do Ensino Médio, Coordenador do Programa do Diploma IB, professor de TOK e integra a equipe de Orientação Universitária e de Carreira.
Samuel Gama - mestre em Educação (University of Chichester, UK), pós-graduado em Psicopedagogia (Instituto Singularidades); e bacharel em Língua e Literatura Portuguesa e Inglesa (Faculdades Metropolitanas Unidas) e Administração (The University of British Columbia, Canadá). Com mais de 15 anos de experiência, já ocupou cargos de gestão acadêmica, além de ter atuado como mentor de professores e formador em inovação pedagógica e examinador internacional do British Council. É conselheiro universitário de carreiras e orientador educacional do Ensino Médio na Escola Bilíngue Aubrick.
International Schools Partnership - ISP
Para mais informações, acesse o site

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