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quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Fuvest: saiba o que mudou no vestibular da USP e veja dicas para se dar bem na prova

Educadores destacam as principais mudanças para 2026 desse que é um dos processos seletivos mais tradicionais e concorridos do Brasil


A prova da FUVEST (Fundação Universitária para o Vestibular) é considerada uma das mais difíceis e concorridas entre os vestibulares nacionais, e é porta de entrada de novos alunos para os cursos de graduação da Universidade de São Paulo (USP), maior do Brasil e segunda melhor da América Latina e Caribe, segundo o QS World University Rankings 2026. 

A primeira fase da FUVEST acontece no domingo, 23 de novembro, em 88 locais de prova espalhados por 32 cidades da Região Metropolitana de São Paulo, do interior e do litoral paulista. Este ano, o vestibular recebeu 111.480 inscrições, 3,9% a mais do que o registrado no ano passado, sendo que 12.960 candidatos farão a prova como treineiros, ou seja, sem ainda terem concluído o ensino médio. 

São oferecidas 11,1 mil vagas, distribuídas entre três formas de ingresso: o vestibular tradicional da FUVEST, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o Provão Paulista. O curso mais disputado é medicina, que apresenta uma relação candidato/vaga de 90,7, seguido de Psicologia/São Paulo (58,6), Psicologia/Ribeirão Preto (39,8), Relações Internacionais (37,9), Audiovisual (30,6), Ciências Biomédicas (29,3), Publicidade e Propaganda (27,6), Jornalismo (25,7), Fisioterapia (22,9) e Engenharia Aeronáutica (22,8). 

Prestes a completar 50 anos de criação, a FUVEST traz novidades para o vestibular deste ano: um novo formato de redação, que aceitará textos como cartas, crônicas ou discursos; a inclusão de questões que exigem disciplinas como Filosofia, Sociologia, Artes e Educação Física de forma mais direta; abordagem mais interdisciplinar, contemplando a Base Nacional Comum Curricular (BNCC); e uma lista de livros obrigatórios composto exclusivamente por obras de escritoras mulheres em língua portuguesa. 

Para ajudar os candidatos a chegarem mais seguros no dia da prova, educadores explicam as mudanças e compartilham dicas práticas de estudo e de estratégia para quem sonha com uma vaga na USP.
 

O QUE A FUVEST QUER DO CANDIDATO? 

Mais do que decorar conteúdos, a FUVEST busca identificar estudantes com raciocínio crítico, domínio conceitual e capacidade de relacionar ideias entre diferentes áreas do conhecimento. O vestibular da USP é reconhecido por seu alto nível de exigência e por manter uma estrutura própria, que valoriza tanto o conteúdo quanto a forma como o candidato pensa e se expressa. 

A prova é dividida em duas fases. Na primeira fase (23/11), os candidatos responderão a 90 questões de múltipla escolha, que abrangem todas as disciplinas do ensino médio: Língua Portuguesa, Literatura, Matemática, História, Geografia, Biologia, Física, Química, Inglês, Filosofia, Sociologia, Artes e Educação Física. 

Já a segunda fase é dividida em dois dias de prova. O primeiro (14/12) trará dez questões discursivas de Língua Portuguesa e uma redação; e o segundo (15/12) terá doze questões discursivas específicas, de acordo com o curso escolhido. 

Diferente do Enem e de outros vestibulares, como Unicamp e UNESP, a FUVEST mantém um formato mais tradicional, com foco em profundidade e precisão técnica. “A FUVEST valoriza a precisão e o raciocínio analítico. As questões testam não apenas se o aluno sabe o conteúdo, mas se ele entende os fundamentos por trás dele. É um vestibular que exige repertório e foco, diferente do estilo mais interpretativo e temático do Enem, e da abordagem mais contextualizada de provas como a da Unicamp”, explica Fernanda Silveira, coordenadora do Ensino Médio do colégio Progresso Bilíngue, de Campinas/SP. 

A docente diz que simulados são essenciais para quem vai prestar a prova. “Utilize provas completas e modelos oficiais anteriores, familiarizando-se com o estilo da banca, o tempo médio por questão e a forma de enunciado, para testar resistência, foco e estratégia. Também é preciso gerir o tempo. Na primeira fase, a recomendação é priorizar o ritmo; e na segunda a dica é se concentrar na clareza e profundidade das respostas discursivas e da redação”, acrescenta Fernanda.
 

REDAÇÃO MUDOU 

Uma das principais mudanças da FUVEST 2026 está na redação, que deixa de exigir exclusivamente o formato dissertativo-argumentativo. A partir desta edição, os candidatos poderão produzir outros gêneros textuais, como cartas, crônicas ou discursos, o que amplia as possibilidades de expressão e exige atenção redobrada ao contexto da proposta. 

Segundo Samuel Ferreira Gama Junior, orientador educacional e de carreiras da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo/SP, o novo modelo favorece estudantes que conseguem adaptar o tom, a estrutura e a linguagem de acordo com o gênero solicitado. “Desta forma, a USP busca avaliar a capacidade comunicativa do aluno em diferentes situações. Mais do que aplicar fórmulas, é preciso compreender o propósito da escrita, quem fala, para quem fala e com qual intenção”, diz. 

A mudança segue uma tendência observada em outros vestibulares e reflete a importância crescente das competências de comunicação no ensino superior e no mercado de trabalho, que valorizam a clareza, a capacidade de adaptação e a expressão em diferentes contextos. 

O docente da Aubrick recomenda o candidato treinar a escrita sempre atento à estrutura; adequação à norma culta e ao gênero proposto e à argumentação; além de ler diferentes gêneros, como editoriais, artigos de opinião e crônicas, para ampliar o repertório e observar estilos de escrita.
 

LIVROS OBRIGATÓRIOS DE AUTORAS MULHERES 

A lista de obras obrigatórias da FUVEST 2026 passou por uma renovação significativa: pela primeira vez, é composta exclusivamente por autoras mulheres da literatura em língua portuguesa. A decisão da USP busca valorizar diferentes perspectivas, ampliar a representatividade e fomentar reflexões sobre o papel feminino na literatura e na sociedade, e vale até 2028 - quando autores homens voltarão a ser incluídos no certame.
 

Livros obrigatórios da FUVEST 2026:

  • Opúsculo Humanitário (1853), de Nísia Floresta;
  • Nebulosas (1872), de Narcisa Amália;
  • Memórias de Martha (1899), de Julia Lopes de Almeida;
  • Caminho de pedras (1937), de Rachel de Queiroz;
  • O Cristo cigano (1961), de Sophia de Mello Breyner Andresen;
  • As meninas (1973), de Lygia Fagundes Telles;
  • Balada de amor ao vento (1990), de Paulina Chiziane;
  • Canção para ninar menino grande (2018), de Conceição Evaristo;
  • A visão das plantas (2019), de Djaimilia Pereira de Almeida.

São nove livros ao todo, e para quem não conseguiu ler todas as obras, como a FUVEST não cobra a “memorização de enredos”, a dica é se preparar com resumos críticos e análises confiáveis. “O contato direto com o texto original é sempre o ideal, mas o estudante pode se preparar com materiais de apoio, desde que procure compreender o estilo de cada autora, os temas centrais e os símbolos mais recorrentes. A prova vai cobrar do candidato a compreensão da obra, identificando seus contextos e se ele consegue estabelecer relações entre os livros e o mundo atual”, explica destaca o coordenador pedagógico do Brazilian International School – BIS, de São Paulo/SP, Henrique Barreto Andrade Dias.
 

O QUE MAIS CAI NA PROVA? 

A FUVEST avalia competências amplas, como interpretação, raciocínio lógico e capacidade de conexão entre temas. “As questões interdisciplinares e a exigência de repertório pedem que o candidato conecte conceitos. Não basta saber o conteúdo, é preciso mostrar como aplicá-lo em um contexto”, explica o coordenador pedagógico da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri/SP, Peter Rifaat.
 

Conteúdos que costumam aparecer com recorrência na FUVEST: 

Língua Portuguesa: interpretação textual, gêneros textuais, reconhecimento e análise de sentido;

Inglês: interpretação de texto em língua inglesa; compreensão de vocabulário e leitura crítica;

Matemática: geometria plana, funções, trigonometria, probabilidade, análise combinatória;

Biologia: ecologia, genética, fisiologia animal e humana;

Química: química geral e físico-química, reações orgânicas, atomística;

Física: mecânica (trabalho, energia), eletrodinâmica/eletrostática, interpretação de fenômenos;

História: história do Brasil (colônia, império, república), além de história geral moderna e contemporânea;

Geografia: interpretação de mapas, questões ambientais, geopolítica, população e urbanização;

Sociologia e Filosofia: movimentos sociais, cidadania, cultura, teoria sociológica clássica (estas disciplinas têm presença crescente).
 

Quem se preparou para a prova estudando por competências, não apenas por matéria isolada, e usando resumos ativos e fichamentos, tem mais vantagem. “Simulados com correção comentada também ajudam muito nesse processo, porque mostram como o avaliador pensa e o que valoriza em cada resposta”, finaliza o Rifaat.
  


Fernanda Silveira - pedagoga e psicopedagoga, com 10 anos de experiência na gestão pedagógica do Ensino Médio, com atuação voltada ao acompanhamento acadêmico dos estudantes e ao fortalecimento de suas trajetórias rumo ao vestibular e às suas escolhas para o futuro. Atua como coordenadora pedagógica do Ensino Médio das unidades do Progresso Bilíngue em Campinas (Cambuí e Taquaral).

Henrique Barreto Andrade Dias - licenciado em Geografia e Sociologia, possui especialização em projetos para o terceiro setor e pós-graduação em Psicologia Positiva, Neurociência, Mindfulness, Neuropsicopedagogia e Neurociência Aplicada à Aprendizagem. Atua na área da Educação há 18 anos e atualmente é coordenador pedagógico do currículo brasileiro do Brazilian International School.

Peter Rifaat - educador e líder escolar com mais de 15 anos de experiência em educação internacional e bilíngue. É formado em Pedagogia e possui certificações internacionais, incluindo DELTA e CELTA (Cambridge), além de diversas certificações do IB. Atualmente, atua na Escola Internacional de Alphaville como Coordenador Pedagógico do Ensino Médio, Coordenador do Programa do Diploma IB, professor de TOK e integra a equipe de Orientação Universitária e de Carreira.

Samuel Gama - mestre em Educação (University of Chichester, UK), pós-graduado em Psicopedagogia (Instituto Singularidades); e bacharel em Língua e Literatura Portuguesa e Inglesa (Faculdades Metropolitanas Unidas) e Administração (The University of British Columbia, Canadá). Com mais de 15 anos de experiência, já ocupou cargos de gestão acadêmica, além de ter atuado como mentor de professores e formador em inovação pedagógica e examinador internacional do British Council. É conselheiro universitário de carreiras e orientador educacional do Ensino Médio na Escola Bilíngue Aubrick.

International Schools Partnership - ISP
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