Especialistas chamam atenção para a necessidade de diagnóstico precoce e o aumento do número de fumantes
Neste mês é celebrado o Dia Mundial da DPOC, data criada para conscientizar a população sobre a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica. O objetivo é alertar sobre seus principais fatores de risco — como o tabagismo e o uso de cigarros eletrônicos — e reforçar a importância da adoção de hábitos saudáveis para preservar a saúde pulmonar.1 No mundo, são mais de 300 milhões de indivíduos acometidos com a doença.3 A DPOC é a quarta principal causa de morte no mundo e a quinta no Brasil 2,5.
Silenciosa e subdiagnosticada, a DPOC é uma doença respiratória crônica e progressiva, caracterizada pela obstrução persistente das vias aéreas, causada principalmente pela exposição à partículas ou gases nocivos 2,6,11,12. A enfermidade é o resultado da combinação de dois quadros respiratórios: a bronquite crônica e o enfisema pulmonar. Na bronquite crônica, ocorre uma inflamação persistente dos brônquios, com produção excessiva de muco; já no enfisema, há destruição progressiva dos alvéolos — pequenas estruturas responsáveis pelas trocas gasosas nos pulmões1,8.
Pneumologista, coordenador da comissão de DPOC da Sociedade
Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e Professor Titular da Faculdade
de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Dr. Roberto Stirbulov (CRM-SP:
3835) afirma ser fundamental que o paciente esteja atento a alguns fatores que
podem indicar a doença: tosse frequente, falta de ar e a produção de catarro
são os mais comuns1,2 e que costumam ser negligenciados, o que
dificulta o diagnóstico precoce.
Crises severas
Os episódios de crises da DPOC, conhecidos como exacerbações, têm alto impacto na progressão da doença e na qualidade de vida dos pacientes.10 A recuperação pode levar semanas9 e, quanto mais frequentes e graves, maior o impacto no estado de saúde e no risco de complicações severas10.
Stirbulov descreve o termo exarcebações como “ataques pulmonares” e
ainda reforça que quanto mais graves forem esses ataques, maiores são as
chances de hospitalização, internação e óbito.10 “A intervenção
precoce na DPOC é essencial para prevenir exacerbações, que podem ter
consequências graves — uma exacerbação moderada a grave dobra o risco de
infarto do miocárdio e aumenta em mais de duas vezes o risco de morte nos cinco
anos seguintes.”, reforça o pneumologista.1,14,15
Tabagismo é uma das principais causas da DPOC1
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou um aumento de
25% no número de fumantes em 2024, revertendo a tendência de queda que se
mantinha na última década4. Como o tabagismo é o principal fator de
risco para o desenvolvimento da doença, que afeta aproximadamente 7 milhões de
brasileiros13, o cenário preocupa especialistas. Para Bernardo
Maranhão (CRM RJ 52 54416-4), pneumologista e gerente de grupo médico da GSK,
abandonar o cigarro, aderir ao tratamento e manter acompanhamento médico
regular são pilares fundamentais para controlar a doença e prevenir crises
graves. Estima-se que sete em cada dez brasileiros com DPOC não saibam que têm
a doença6,2, o que retarda o início do tratamento e agrava o quadro
clínico. “O tabaco é um grande vilão para impulsionar o surgimento de
diversas doenças pulmonares e as pessoas precisam estar conscientes disso. Esse
dado do Ministério da saúde sobre o aumento do número de fumantes nos preocupa
demais, pois estamos indo na contramão. Esse número deveria regredir e não
aumentar”, reforça.
Preocupação com o Vape
Um novo hábito preocupa os especialistas: o uso crescente dos
cigarros eletrônicos (vapes), sobretudo entre adolescentes e jovens adultos.
Roberto Stirbulov pontua que já há estudos que mostram que o vape contém
substâncias tóxicas e potencialmente cancerígenas que podem causar inflamações
e danos graves aos pulmões7,4. “O cigarro eletrônico não é uma
alternativa segura. Ele também pode causar dependência de nicotina e acelerar o
surgimento de doenças pulmonares em jovens” 7,16,
finaliza o médico.
Hábitos importantes para o controle da DPOC1
- Abandonar o cigarro e evitar exposição à fumaça e
poluentes.
- Praticar atividade física regularmente, respeitando as
orientações médicas.
- Manter as vacinas em dia, especialmente contra
COVID-19, gripe e pneumonia, para reduzir o risco de complicações.
- Seguir corretamente o tratamento prescrito, que pode
incluir medicamentos inalatórios para melhorar a função pulmonar.
- Adotar uma rotina saudável, com alimentação equilibrada
e hidratação adequada.
Sobre a DPOC
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica é uma enfermidade
respiratória crônica, progressiva e sem cura, mas que pode ser controlada com
diagnóstico precoce, cessação do tabagismo, tratamento adequado e manejo das
exacerbações2.
www.gsk.com.br.
Referências
1 - GOLD 2025. Global Strategy for the Diagnosis, Management, and Prevention of Chronic Obstructive Pulmonary Disease. Disponível em: Link Acessado em: 18/09/2025.
2 - CONITEC. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas da doença pulmonar obstrutiva crônica. Brasília, 2021. Disponível em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/consultas/relatorios/2021/20210623_relatorio_pcdt_doenca_pulmonar_obstrutiva_cronica.pdf. Acessado em: 18/08/2025.
3 – Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). 18/11 – Dia Mundial da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). 2020. Disponível em: Link. Acesso em: 12/08/2025.
4- Ministério da Saúde. Dados mostram crescimento de 25% no número de fumantes no Brasil. Agência Brasil, 28/05/2025. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia- nacional/saude/audio/2025-05/dados-mostram-crescimento-de-25-no-numero-de-fumantes-no-brasil. Acessado em: 18/09/2025.
5- Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Mês de atenção à DPOC: uma das doenças pulmonares mais prevalentes em adultos, 2021. Disponível em: Link. Acessado em: 18/09/2025.
6 - MOREIRA, Graciane Laender et al. PLATINO, a nine-year follow-up study of COPD in the city of São Paulo, Brazil: the problem of underdiagnosis. Jornal Brasileiro de Pneumologia, v. 40, p. 30-37, 2014. Acessado em: 04/01/2025
7 - CANISTRO, Donatella et al. E-cigarettes induce toxicological effects that can raise the cancer risk. Scientific reports, v. 7, n. 1, p. 2028, 2017. Acessado em: 12/11/2025
8- National heartm lung, and blood Institute. What is COPD? Disponível em: Link. Acessado em: 04/01/2025
9- SEEMUNGAL, T.A.R. et al. Time course and recovery of exacerbations in patients with chronic obstructive pulmonary disease. Am J Respir Crit Care Med, v. 161, p. 1608-1613, 2000.
10- ROTHNIE, K.J. et al. Natural history of chronic obstructive pulmonary disease exacerbations in a general practice–based population. Am J Respir Crit Care Med, v. 198, n. 4, p. 464-471, 2018.
11 - MAPEL, Douglas W. et al. Severity of COPD at initial spirometry-confirmed diagnosis: data from medical charts and administrative claims. International journal of chronic obstructive pulmonary disease, p. 573-581, 2011.
12 - SUTHERLAND, E. Rand; CHERNIACK, Reuben M. Management of chronic obstructive pulmonary disease. New England Journal of Medicine, v. 350, n. 26, p. 2689-2697, 2004.
13 - SOCIEDADE BRASILEIRA DE PNEUMOLOGIA E TISIOLOGIA. O que é DPOC? 2019. Disponível em: https://sbpt.org.br/portal/video-dpoc-2019/ . Acesso em: 11 nov. 2025.
14 - Donaldson GC, Hurst JR, Smith CJ, Hubbard RB, Wedzicha JA. Increased risk of myocardial infarction and stroke following exacerbation of COPD. Chest. 2010;137(5):1091-1097
15 - Soler-Cataluña, JJ. et al. . Severe acute exacerbations and mortality in patients with chronic obstructive pulmonary disease. Thorax. 2005;60(11):925-931.
16 - NATIONAL INSTITUTE ON DRUG ABUSE (NIDA). Vaping devices (electronic cigarettes): drug facts. 8 jan. 2020. Disponível em: https://nida.nih.gov/publications/drugfacts/vaping-devices-electronic-cigarettes. Acesso em: 9 nov. 2025.
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