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quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Conitec abre Consulta Pública para incorporação de pertuzumabe no SUS para câncer de mama

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) abre a Consulta Pública para avaliar a proposta de incorporação do medicamento pertuzumabe para o tratamento neodjuvante (feito antes da cirurgia para diminuir o tamanho do tumor) de pacientes com câncer de mama HER2-positivo inicial de alto risco, em combinação com trastuzumabe e quimioterapia (duplo bloqueio). Pacientes são consideradas de alto risco quando apresentam características que indicam uma maior chance da doença retornar após o tratamento inicial, exigindo abordagens terapêuticas mais eficazes. A sociedade poderá enviar contribuições até 26 de novembro de 2025.

A incorporação de pertuzumabe ao arsenal terapêutico do SUS aumenta as chances de cura de pacientes com câncer de mama HER2 inicial ao reduzir o risco de recorrência e/ou morte1,2. A associação de pertuzumabe ao trastuzumabe quase duplica as taxas de resposta patológica completa, reduzindo o risco de progressão a estadios mais avançados e, consequentemente, diminuindo o uso de recursos da saúde pública e de seus custos associados1. Ou seja, quando o tumor não é mais detectável após o tratamento neoadjuvante, permite a realização de cirurgias mais conservadoras e, em muitos casos, a preservação da mama2,3. Isso não apenas impacta a qualidade de vida e a autoestima da paciente, mas também contribui para a sustentabilidade do sistema de saúde, ao reduzir a necessidade de procedimentos mais invasivos e custosos, como as mastectomias radicais.

O câncer de mama continua sendo um dos maiores desafios de saúde pública em nosso país, com uma estimativa de quase 74 mil novos casos em 2025, segundo o Instituto Nacional de Câncer4 (INCA). Este é o tipo mais comum de tumor entre as mulheres no Brasil e no mundo, depois do câncer de pele não melanoma. O subtipo HER2, historicamente agressivo, representa aproximadamente 20% de todos os casos de câncer de mama5. As estatísticas sugerem que uma a cada oito mulheres pode ter este tipo de tumor ao longo da vida, aponta a Sociedade Americana de Câncer6. Este cenário reforça a importância da busca por inovações para transformar o prognóstico de milhares de pacientes.

Apesar dos avanços no tratamento do câncer de mama, as taxas de mortalidade atribuídas à doença apresentaram aumento nos últimos anos no Brasil, devido, principalmente, ao diagnóstico tardio e a barreiras no acesso a tratamentos mais eficazes4,5,7,8. Inequidades significativas persistem no SUS em relação à saúde suplementar, resultando em maiores taxas de diagnósticos em estadios avançados (III e IV) e em maior mortalidade por câncer de mama no sistema de saúde público7,8. As principais organizações de oncologia do mundo todo (ASCO9, ESMO10, NCCN11) incluindo a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC12), recomendam o uso combinado dos medicamentos pertuzumabe e trastuzumabe junto com quimioterapia antes da cirurgia para tratar o câncer de mama do tipo HER2-positivo de alto risco. Esse tratamento é considerado o padrão ideal porque aumenta as chances de eliminar completamente o tumor1,9,10,11,12,13. A recomendação brasileira destaca a necessidade de que esse tratamento também esteja disponível no SUS, alinhando o Brasil às melhores práticas mundiais.

A participação da sociedade civil, pacientes, cuidadores e profissionais de saúde é fundamental para a tomada de decisão do Ministério da Saúde. Para contribuir, é necessário estar logado na plataforma Gov.br, através do portal oficial da Conitec.

Consulta Pública – Proposta de incorporação do medicamento pertuzumabe para tratamento neoadjuvante de pacientes com câncer de mama HER2-positivo inicial, em combinação com trastuzumabe e quimioterapia.

Período: até 26 de novembro de 2025.

Como participar:

1. Clique no link da consulta pública nº 98/2025.

2. Toque em “entrar” no canto superior direito.

3. Escolha “entrar no gov.br”.

4. Faça login com seu CPF e senha.

Preencha o formulário e envie sua opinião. Participe!

Referências:

  1. Gianni L, Pienkowski T, Im YH, et al. Efficacy and safety of neoadjuvant pertuzumab and trastuzumab in women with locally advanced, inflammatory, or early HER2-positive breast cancer (NeoSphere): a randomised multicentre, open-label, phase 2 trial. Lancet Oncol. 2012;13(1):25-32. doi:10.1016/S1470-2045(11)70336-9
  2. Swain SM, Macharia H, Cortes J, et al. Event-Free Survival in Patients with Early HER2-Positive Breast Cancer with a Pathological Complete Response after HER2-Targeted Therapy: A Pooled Analysis. Cancers (Basel). 2022;14(20):5051. Published 2022 Oct 15. doi:10.3390/cancers14205051
  3. Ploumen RAW, van Nijnatten TJA, Kooreman LFS, et al. Surgical treatment after neoadjuvant systemic therapy for HER2-positive invasive breast cancer in the Netherlands: 10-Year trends and the influence an accompanying DCIS component. Breast. 2025;79:103854. doi:10.1016/j.breast.2024.103854
  4. Ministério da Saúde - Instituto Nacional do Câncer (INCA) - CONTROLE DO CÂNCER DE MAMA NO BRASIL:DADOS E NÚMEROS 2024
  5. Rosa DD, Bines J, Werutsky G, Barrios CH, Cronemberger E, Queiroz GS, de Lima VCC, Freitas-Júnior R, Couto JD, Emerenciano K, Resende H, Crocamo S, Reinert T, Van Eyil B, Nerón Y, Dybal V, Lazaretti N, de Cassia Costamilan R, de Andrade DAP, Mathias C, Vacaro GZ, Borges G, Morelle A, Caleffi M, Filho CS, Mano MS, Zaffaroni F, de Jesus RG, Simon SD. The impact of sociodemographic factors and health insurance coverage in the diagnosis and clinicopathological characteristics of breast cancer in Brazil: AMAZONA III study (GBECAM 0115). Breast Cancer Res Treat. 2020 Oct;183(3):749-757. doi: 10.1007/s10549-020-05831-y. Epub 2020 Jul 29. PMID: 32728860.
  6. Key Statistics for Breast Cancer - American Cancer Society, 2025, cancer.org | 1.800.227.2345
  7. Discrepancies in breast cancer’s oncological outcomes between public and private institutions in the southeast region of Brazil: a retrospective cohort study. Disponível em: Link.
  8. Alcântara, RG, Milagres CM, Santana Santusa Pereira. Patient journey and survey of costs of monitoring initial and metastatic breast cancer in the Unified Health System (SUS). J Bras Econ Saúde. 2022;14(1):51.
  9. Korde, Larissa A.; Somerfield, Mark R.; Carey, Lisa A.; Crews, Jennie R.; Denduluri, Neelima; Hwang, E. Shelley; et al. Neoadjuvant Chemotherapy, Endocrine Therapy, and Targeted Therapy for Breast Cancer: ASCO Guideline. J Clin Oncol [Internet]. 2021;39:1485–505. Disponível em: Link.
  10. Loibl, S.; André, F.; Bachelot, T.; Barrios, C.H.; Bergh, J.; Burstein, H.J.; et al. Early breast cancer: ESMO Clinical Practice Guideline for diagnosis, treatment and follow-up. Ann Oncol [Internet]. 2024;35:159–82. Disponível em: Link.
  11. Gradishar, William J.; Moran, Meena S.; Abraham, Jame; Abramson, Vandana; Aft, Rebecca; Agnese, Doreen; et al. Breast Cancer, Version 3.2024, NCCN Clinical Practice Guidelines in Oncology. J Natl Compr Cancer Netw [Internet]. 2024;22:331–57. Disponível em: Link.
  12. SBOC, Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica. Diretrizes de tratamento oncológico de Mama: doença localizada neoadjuvância [Internet]. 2024. p. 1–26. Disponível em: Link.

13.Gianni L, Pienkowski T, Im YH, et al. Efficacy and safety of neoadjuvant pertuzumab and trastuzumab in women with locally advanced, inflammatory, or early HER2-positive breast cancer (NeoSphere): a randomised multicentre, open-label, phase 2 trial. Lancet Oncol. 2012;13(1):25-32. doi:10.1016/S1470-2045(11)70336-9

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