Doença crônica é responsável por quase R$ 3 bilhões em perdas de produtividade e 40 milhões de dias de trabalho interrompidos, revela estudo da Firjan SESI
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) impõe ao estado de São Paulo um dos maiores custos econômicos entre as doenças crônicas não transmissíveis. Considerando todos os benefícios ativos em dezembro de 2023, o estado registrou perdas de produtividade próximas a 3 bilhões (R$ 2.979.518.384,81), segundo levantamento da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), elaborado pelo Centro de Inovação SESI em Saúde Ocupacional (CIS- SO) A cifra corresponde a 56,8% de toda a perda de produtividade salarial (PPS) da Região Sudeste, que somou R$ 5,24 bilhões no período.
O impacto não se restringe às planilhas financeiras. O AVC também se reflete
diretamente na força de trabalho. Em dezembro de 2023, São Paulo registrava
24,2 mil beneficiários (24.227) de auxílios previdenciários concedidos por
sequelas da doença, ou seja: mais da metade do total do Sudeste, de 46,7 mil. O
volume de tempo perdido com afastamentos soma 40,7 milhões de dias
(40.743.327), equivalente a mais de 111 mil anos de trabalho interrompido.
“Os dados mostram
que o AVC não é apenas um problema de saúde pública, mas um dos principais
fatores de pressão sobre a economia e a Previdência. Ele reduz produtividade,
aumenta custos empresariais e impõe desafios para o equilíbrio fiscal do país”,
explica Leon Nascimento, coordenador do CIS-SO e responsável pelo estudo.
Desigualdades
regionais e rede de atenção
O levantamento
mostra que o Sudeste concentra 52% de toda a perda de produtividade nacional
provocada pelo AVC, com São Paulo como o principal vetor desse impacto.
Nascimento destaca que as desigualdades regionais no acesso à rede de atenção
agravam os resultados: “A resposta hospitalar ainda é desigual, e isso
influencia tanto a mortalidade quanto o tempo de recuperação dos
trabalhadores”, destaca.
Internações e
mortalidade ainda elevadas
Os efeitos
econômicos caminham junto com um cenário preocupante de saúde. Entre 2017 e
2023, São Paulo registrou 355,9 mil internações (355.890) por AVC, quase metade
(49,9%) de todas as internações do Sudeste. No mesmo período, o estado
contabilizou 110,4 mil mortes (110.455), representando 53,3% dos óbitos da
região.
Em termos proporcionais, a taxa de internações é de 114,48 por 100 mil habitantes, inferior à de Minas Gerais (135,25) e Espírito Santo (133,04). Já a letalidade hospitalar paulista, de 16,3%, fica abaixo da do Rio de Janeiro (20,54%), mas acima da de Minas Gerais (13,48%) e Espírito Santo (12,86%).
“O quadro reforça o duplo desafio de São Paulo: conter o impacto social e econômico de uma doença que, além de uma das principais causas de morte, é também uma das que mais custam ao país em produtividade perdida”, declara Nascimento.
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