Mulheres com
deficiência enfrentam risco quatro vezes maior de violência
Alerta é feito pelo Defensor Público
Federal André Naves
No Dia
Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, celebrado
nesta terça, 25 de novembro, o Defensor Público Federal e especialista em
Direitos Humanos, André Naves, chama atenção para uma realidade que permanece
invisibilizada nas políticas públicas: a violência desproporcional sofrida por
mulheres com deficiência.
Segundo
dados recentes do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC),
somente nos primeiros nove meses de 2023, foram registradas 51.734 denúncias
relacionadas à violação de direitos de pessoas com deficiência - um aumento de
150% em relação ao período anterior. Ao todo, essas denúncias envolveram
307.484 violações, já que uma única denúncia pode relatar múltiplos tipos de
violência.
O
Atlas da Violência 2023 revela ainda que a violência doméstica permanece como o
principal ambiente de agressão, atingindo mais fortemente as mulheres com
deficiência. Entre mulheres com deficiência física, 70,4% das notificações de
violência ocorreram dentro do ambiente familiar. No caso de pessoas com
deficiência intelectual, a desigualdade também é evidente: são 45 notificações
por 10 mil mulheres, contra 16,2 por 10 mil homens.
Além
disso, estudos recentes mostram que mulheres com deficiência podem sofrer até
sete vezes mais violência que homens com deficiência, dependendo da condição
específica e da situação de dependência em que vivem. A combinação entre
barreiras de acessibilidade, dependência de terceiros para tarefas cotidianas e
falta de preparo institucional contribui para a perpetuação das agressões e
para a subnotificação.
Diante
desse cenário, André Naves destaca que a sociedade, muitas vezes, espera
“soluções prontas”, mas ignora a infraestrutura falha que impede a proteção
efetiva das mulheres com deficiência:
“Não é
apenas uma questão de querer tudo pronto. É preciso construir sistemas de
proteção acessíveis, permanentes e capacitados. A falta de dados, atendimento
inadequado e delegacias sem acessibilidade são fatores que silenciam milhares
de mulheres. Quando o Estado falha em registrar, ele falha em proteger”, afirma
Naves.
O
Defensor também ressalta a importância de iniciativas legislativas que buscam
fortalecer a coleta de dados e o atendimento especializado. Em 2024, a Comissão
de Segurança Pública do Senado aprovou projeto que tornará obrigatória a
sistematização de estatísticas sobre violência contra pessoas com deficiência -
um avanço considerado urgente por especialistas.
Para
Naves, enfrentar a violência de gênero implica combater desigualdades
estruturais:
“A
eliminação da violência passa pela autonomia, pela inclusão social, econômica e
tecnológica das mulheres com deficiência. Sem isso, continuaremos alimentando
um ciclo de vulnerabilidade e dependência.”
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