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| Leo Drumond/Nitro Memorial oferece visitas mediadas, rodas de conversa e oficinas voltadas à cultura da prevenção e à justiça ambiental. |
Iniciativa das
famílias das vítimas, Memorial também é polo de educação ambiental
Seis anos após o rompimento da barragem da Mina
Córrego do Feijão, em Brumadinho, a contaminação da água, a destruição de
ecossistemas e os impactos sociais do colapso ainda persistem. No Dia
Mundial do Meio Ambiente, celebrado nesta quinta-feira (5/6), o
Memorial Brumadinho reforça que preservar a memória das 272 vítimas também é
enfrentar as consequências ambientais de uma tragédia evitável.
Segundo o relatório final da CPI da Barragem de
Brumadinho, da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, os rejeitos de minério
soterraram mais de 130 hectares de vegetação nativa da Mata Atlântica,
atingiram o leito do Ribeirão Ferro-Carvão e avançaram por cerca de 220 km na
Bacia do Rio Paraopeba. A fauna e a flora aquáticas foram profundamente
afetadas, e até hoje há áreas interditadas e ecossistemas que não se
regeneraram. O abastecimento público de água em diversos municípios foi
comprometido. A lama, aponta a CPI, "destruiu ou comprometeu de forma
irreparável todas as formas de vida por onde passou".
O caso de Brumadinho é emblemático, mas não
isolado. Dados recentes do relatório do Comitê Nacional em Defesa dos
Territórios Frente à Mineração mostram que, em 2023, o Brasil registrou 901
conflitos envolvendo a atividade minerária, afetando diretamente cerca de 2,8 milhões
de pessoas. Minas Gerais lidera esse levantamento, concentrando 51,8% dos
casos, seguido por Pará e Alagoas. O relatório revela uma crescente
sobreposição de interesses minerários a áreas protegidas, territórios indígenas
e regiões urbanas, ampliando os riscos socioambientais associados ao setor.
É nesse mesmo território, marcado pela forte
presença da atividade minerária, que se ergue o Memorial Brumadinho. Construído
no local do rompimento, o espaço propõe um diálogo permanente entre memória,
território e meio ambiente. Aberto ao público com entrada gratuita, o Memorial
abriga um bosque com 272 ipês amarelos, a escultura-monumento “Cabeça que
Chora”, salas de exposição, áreas de contemplação e uma sala destinada à guarda
digna e honrosa dos segmentos corpóreos encontrados na operação de busca
empreendida pelo Corpo de Bombeiros.
O Memorial Brumadinho é uma conquista das famílias
das vítimas, organizadas na AVABRUM, com apoio do Ministério Público de Minas
Gerais. É mantido pela Fundação Memorial Brumadinho, com gestão independente e
sem uso de recursos do acordo de reparação. Sua missão é preservar a memória
das 272 vítimas e contribuir para que tragédias como essa jamais voltem a
acontecer.
Durante todo o mês de junho, o Memorial reforça
suas ações educativas, recebendo escolas, pesquisadores, profissionais de
segurança do trabalho e visitantes de diferentes partes do Brasil. A
programação inclui visitas mediadas, rodas de conversa e oficinas voltadas à
cultura da prevenção e à justiça ambiental.
“Brumadinho nos lembra que o progresso sem
responsabilidade cobra um preço altíssimo”, afirma Fabíola Moulin, presidente
da Fundação Memorial Brumadinho. “Preservar o meio ambiente é, antes de tudo,
preservar vidas. E a memória é uma aliada poderosa para impedir que tragédias
como essa voltem a acontecer”, conclui.

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