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quarta-feira, 4 de junho de 2025

Seis anos depois, marcas da tragédia de Brumadinho ainda desafiam o meio ambiente

 

Leo Drumond/Nitro 
Memorial oferece visitas mediadas, rodas de conversa e
 oficinas voltadas à cultura da prevenção e à justiça ambiental.


Iniciativa das famílias das vítimas, Memorial também é polo de educação ambiental 

 

Seis anos após o rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, a contaminação da água, a destruição de ecossistemas e os impactos sociais do colapso ainda persistem. No Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado nesta quinta-feira (5/6), o Memorial Brumadinho reforça que preservar a memória das 272 vítimas também é enfrentar as consequências ambientais de uma tragédia evitável.

Segundo o relatório final da CPI da Barragem de Brumadinho, da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, os rejeitos de minério soterraram mais de 130 hectares de vegetação nativa da Mata Atlântica, atingiram o leito do Ribeirão Ferro-Carvão e avançaram por cerca de 220 km na Bacia do Rio Paraopeba. A fauna e a flora aquáticas foram profundamente afetadas, e até hoje há áreas interditadas e ecossistemas que não se regeneraram. O abastecimento público de água em diversos municípios foi comprometido. A lama, aponta a CPI, "destruiu ou comprometeu de forma irreparável todas as formas de vida por onde passou".

O caso de Brumadinho é emblemático, mas não isolado. Dados recentes do relatório do Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração mostram que, em 2023, o Brasil registrou 901 conflitos envolvendo a atividade minerária, afetando diretamente cerca de 2,8 milhões de pessoas. Minas Gerais lidera esse levantamento, concentrando 51,8% dos casos, seguido por Pará e Alagoas. O relatório revela uma crescente sobreposição de interesses minerários a áreas protegidas, territórios indígenas e regiões urbanas, ampliando os riscos socioambientais associados ao setor.

É nesse mesmo território, marcado pela forte presença da atividade minerária, que se ergue o Memorial Brumadinho. Construído no local do rompimento, o espaço propõe um diálogo permanente entre memória, território e meio ambiente. Aberto ao público com entrada gratuita, o Memorial abriga um bosque com 272 ipês amarelos, a escultura-monumento “Cabeça que Chora”, salas de exposição, áreas de contemplação e uma sala destinada à guarda digna e honrosa dos segmentos corpóreos encontrados na operação de busca empreendida pelo Corpo de Bombeiros.

O Memorial Brumadinho é uma conquista das famílias das vítimas, organizadas na AVABRUM, com apoio do Ministério Público de Minas Gerais. É mantido pela Fundação Memorial Brumadinho, com gestão independente e sem uso de recursos do acordo de reparação. Sua missão é preservar a memória das 272 vítimas e contribuir para que tragédias como essa jamais voltem a acontecer.

Durante todo o mês de junho, o Memorial reforça suas ações educativas, recebendo escolas, pesquisadores, profissionais de segurança do trabalho e visitantes de diferentes partes do Brasil. A programação inclui visitas mediadas, rodas de conversa e oficinas voltadas à cultura da prevenção e à justiça ambiental.

“Brumadinho nos lembra que o progresso sem responsabilidade cobra um preço altíssimo”, afirma Fabíola Moulin, presidente da Fundação Memorial Brumadinho. “Preservar o meio ambiente é, antes de tudo, preservar vidas. E a memória é uma aliada poderosa para impedir que tragédias como essa voltem a acontecer”, conclui. 

 

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