A escolha de um banco para abrir uma conta pode ser uma questão para muitos brasileiros, afinal, diante da variedade de instituições financeiras que estão disponíveis hoje em dia, fica difícil escolher. Além disso, existe o dilema sobre os bancos tradicionais e os bancos digitais: qual é o melhor? Qual é o mais seguro? Onde o dinheiro pode render mais? E não ter essas respostas acaba gerando ainda mais dificuldade no momento da escolha.
Do ponto de vista regulatório, é um fato constatado que os bancos tradicionais
podem ser considerados bem mais seguros que os bancos digitais. E por quê?
Apesar de ambos terem regras e compromissos a serem cumpridos junto aos
reguladores, existem instituições com menos capacidade e outras com mais
capacidade, umas com menos patrimônio e outras com mais patrimônio, o que faz
com que exista essa distinção.
É claro que não podemos colocar no mesmo nível de comparação os bancos
gigantescos, com mais de 100 anos de atuação, contra uma fintech que começou há
poucos anos com alta alavancagem, usando dinheiro de terceiros. Um banco mais
antigo também tem um corpo técnico muito mais experiente e que enfrentou uma
série de crises, conseguiu sobreviver, e continua crescendo.
Por essas características acima, um banco tradicional tende a gerar, junto à
clientela, muito mais confiança e credibilidade para continuar prestando
serviços a seus clientes. As fintechs atuam com níveis de exigências menores e
se destacam mais por inovação tecnológica e facilidade para o uso dos produtos,
mas os clientes devem ter atenção redobrada à questão da capacidade patrimonial
de fazer frente a algum problema estrutural ou sistêmico.
No entanto, tenho uma percepção de que o brasileiro tem gostado da inovação,
mas o nosso país ainda precisa evoluir bastante na oferta de crédito para o
empreendedorismo, haja vista a recente proposta de aumento do IOF (Imposto
sobre Operações Financeiras) via decreto, o que mostra o quanto a estrutura jurídica
da relação entre banco e clientes é frágil, o que traz insegurança para o
sistema.
Nesse contexto, ocorre a impressão de que os bancos digitais existem como uma
segunda ou até mesmo uma terceira conta, e não funcionando como a conta
principal, pois apesar das tecnologias e vantagens que esses neobanks
apresentam, muitos brasileiros ainda não abrem mão de ter conta em um banco
mais parrudo e estruturado.
Aliado a isso, quando falamos de rendimento, acredito que a taxa mais alta de
rentabilidade oferecida aos clientes representa a demonstração do quanto esse
banco precisa de recursos, seja tradicional ou digital. Necessariamente, a alta
rentabilidade é boa para o investidor, mas demonstra o nível de risco, como o
caso do Banco Master. Também depende da competição, não é possível afirmar que
as fintechs sempre ofereceram rendimentos maiores.
Por essa razão, é necessário avaliar diversas questões antes de abrir conta em
um banco, principalmente quando o foco está em rendimento. Penso que não existe
um banco melhor que o outro, mas sim instituições financeiras diferentes e com
propósitos distintos. E cabe às pessoas analisarem, juntamente com um
profissional ou não, qual banco faz mais sentido para seus objetivos naquele
momento.
João Victorino - administrador de empresas, professor de MBA do Ibmec e educador financeiro. Com uma carreira bem-sucedida, busca contribuir para que as pessoas melhorem suas finanças e prosperem em seus projetos e carreiras. Para isso, idealizou e lidera o canal A Hora do Dinheiro com conteúdo gratuito e uma linguagem simples, objetiva e inclusiva.
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