Doença afeta todo o organismo e pode
causar cegueira irreversível; controle rigoroso e acompanhamento
multidisciplinar são essenciais para preservar a visão
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Neste
26 de junho, Dia Nacional do Diabetes, engana-se quem pensa que o diabetes
exige apenas acompanhamento endocrinológico. A doença, que afeta aproximadamente
20 milhões de brasileiros, é também extremamente prejudicial à visão e pode
levar a complicações como a retinopatia diabética, uma das principais causas de
cegueira irreversível no mundo.
Segundo o oftalmologista Dr. Vasco Bravo Filho, diretor médico do
HOPE - Hospital de Olhos de Pernambuco e presidente da Sociedade de
Oftalmologia do mesmo estado, o acompanhamento precoce com um especialista em
retina é fundamental para preservar a visão e garantir qualidade de vida.
“O diabetes pode provocar diversas alterações oftalmológicas,
sendo a principal a retinopatia diabética. A retina é a camada do olho que
capta as imagens e as transmite ao cérebro. Com a glicemia elevada, há uma
deterioração dos vasos sanguíneos em todo o corpo, incluindo os da retina. Isso
pode evoluir para quadros graves e até cegueira irreversível”, explica o
médico.
Além da retinopatia diabética, pessoas com diabetes também
apresentam maior risco de desenvolver edema macular diabético, catarata precoce
e glaucoma.
O grande desafio da retinopatia diabética é que, nos estágios
iniciais, ela é totalmente assintomática. “O paciente só percebe quando a
doença já está em fase mais avançada. Por isso, ao ser diagnosticado com
diabetes, é essencial que o paciente inicie o acompanhamento com oftalmologista
especialista em retina”, reforça Dr. Vasco.
A falta de tratamento adequado e no momento certo pode resultar em
cegueira irreversível ou em quadros de visão subnormal, que afetam
drasticamente o dia a dia: dificuldade para ler, dirigir ou realizar tarefas
simples, com grande impacto na qualidade de vida e na produtividade, sobretudo
em pacientes jovens.
“Infelizmente, vemos casos em que o paciente só procura ajuda
quando já tem limitações visuais significativas. É essencial que o
acompanhamento seja feito com um oftalmologista especialista em retina — que
possui a expertise para identificar e tratar as fases iniciais da doença”,
acrescenta o diretor médico do HOPE.
De acordo com o Dr. Vasco, a frequência do acompanhamento depende
do quadro de cada paciente. “Se não houver sinais de retinopatia, o exame pode
ser anual. Mas em casos de alterações, como edema de mácula, o controle pode
ser trimestral ou até mensal, conforme a gravidade.”
Nos últimos anos, os avanços no diagnóstico e tratamento dessas
doenças foram significativos. Exames como retinografia de campo ampliado,
angiografia de grande angular e tomografia de coerência óptica (OCT) permitem
detectar alterações precocemente e com grande precisão.
Já o tratamento inclui injeções intraoculares de medicamentos
modernos — que ajudam a reduzir o inchaço da retina e a melhorar a visão — e
tecnologias de laser subliminar que tratam as áreas afetadas de forma
minimamente invasiva. “Em casos mais avançados, temos a opção da cirurgia de
vitrectomia, indicada para situações graves, como hemorragia vítrea ou
descolamento de retina”, detalha o especialista.
Por fim, o médico ressalta que o tratamento oftalmológico precisa
caminhar junto com o controle sistêmico da doença. “Não adianta tratar a retina
se o diabetes não estiver controlado. É fundamental o trabalho conjunto com
endocrinologistas, nutricionistas e outros profissionais de saúde. Dieta,
controle de peso e prática de atividades físicas fazem toda a diferença”,
orienta Dr. Vasco.
A principal mensagem do especialista é clara: disciplina e
acompanhamento multidisciplinar são essenciais para que o paciente diabético
tenha uma boa qualidade de vida e evite complicações futuras.
“O paciente que mantém seu diabetes sob controle e realiza o
acompanhamento oftalmológico com o especialista certo consegue preservar sua
visão e evitar complicações graves. É muito importante que esse acompanhamento
seja feito com um médico oftalmologista. Infelizmente, temos visto muitas
situações em que pacientes realizam exames em ópticas ou com profissionais não
médicos, o que não substitui a avaliação especializada. Só o oftalmologista tem
a formação e os recursos necessários para diagnosticar precocemente e indicar o
tratamento adequado. Procurar o profissional correto faz toda a diferença para
proteger a visão e garantir um cuidado completo”, conclui o diretor médico do
HOPE.
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