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sexta-feira, 6 de junho de 2025

Como fazer networking ainda é desafio para empreendedoras mulheres

Estabelecer conexões genuínas é objetivo de iniciativas voltadas às empresárias brasileiras


Mulheres brasileiras têm 27% menos probabilidade do que os homens de possuir uma rede de contatos forte segundo levantamento de dados publicado pelo LinkedIn. A média fica próxima de diversos países como EUA (28%), Reino Unido (27%), Canadá (26%), Argentina (24%) e Espanha (24%). Esses números mostram como elas têm uma desvantagem para liderar negócios, onde o networking é uma ferramenta essencial para criar e expandir conexões. Para as empreendedoras, essa prática apresenta dinâmicas distintas em comparação com seus colegas homens. Embora as redes de contato sejam fundamentais para fomentar colaborações e impulsionar projetos, as mulheres frequentemente enfrentam desafios particulares ao tentar navegar por esses espaços. 

“Mulheres precisam se conectar antes de fechar negócio”, explica Mariana Freire, fundadora do Encontro da Mari, iniciativa que visa estabelecer uma rede exclusiva de mulheres empreendedoras que, juntas, faturam acima de R$ 350 milhões por ano. “Durante o processo de onboarding levantamos com elas diversas informações, especialmente seus anseios e desafios. Alguns itens são recorrentes na parte da dificuldade de estabelecer relacionamentos entre mulheres no mundo dos negócios: autenticidade nas relações, conexões genuínas, benefícios bilaterais. É isso que norteia toda a nossa estratégia de busca feminina que realmente façam sentido estar ali e que se ajudem mutuamente”, detalha. 

A realidade das empreendedoras mulheres é marcada por obstáculos que podem limitar a participação em eventos de networking e a construção de relações profissionais. Como o acesso restrito a redes tradicionalmente masculinas. Muitos ambientes de negócios ainda são dominados por homens, pouco receptivos ao gênero feminino. Outro fator pode ser o dilema entre carreira e responsabilidades com o lar. A desigualdade na divisão de tarefas domésticas e cuidados com a família resulta em menos tempo disponível para que elas participem de eventos de networking e momentos-chave do mundo dos negócios. 

Empreendedoras também podem ter suas opiniões subestimadas ou ignoradas, especialmente em espaços liderados por homens. E também a falta de representação e modelos femininos: a ausência de referências femininas em posições de destaque torna o ato de se conectar com mentores ou líderes ainda mais desafiadores para elas. 

Iniciativas exclusivas para mulheres vêm ganhando força, promovendo a criação de ambientes acolhedores e inclusivos. Redes femininas, como eventos exclusivos, grupos em redes sociais e plataformas voltadas para empreendedoras, são espaços onde conexões mais genuínas são formadas. Nesses círculos, as mulheres encontram mentoras, parceiras de negócios e até novas amizades. “Temos vários casos interessantes para contar, de parcerias que surgiram e negócios que foram fechados entre as participantes”, conta Mariana. “O mais básico que costuma acontecer é que as empresárias fecham contratos comerciais ali; uma vira fornecedora e a outra vira cliente. Mas temos também casos nos quais uma empresa é muito boa de desenvolvimento de produto e outra, do mesmo segmento, tem um comercial mais forte, e uma fusão aconteceu. Uma terceira frente foi uma que ajudou outra a estruturar um infoproduto para dar consultorias sobre o seu segmento de atuação. Isso é o principal objetivo: ter um ambiente favorável para que essas profissionais façam negócio”, finaliza. 

Apoiar a inclusão, ampliar a representatividade feminina e incentivar a igualdade em todos os níveis organizacionais são passos cruciais para construir um futuro em que empreendedoras possam prosperar, sem limitações impostas por estereótipos ou barreiras estruturais.


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