Estabelecer conexões genuínas é objetivo de iniciativas voltadas às empresárias brasileiras
Mulheres brasileiras têm 27% menos probabilidade do que os homens
de possuir uma rede de contatos forte segundo levantamento
de dados publicado pelo LinkedIn. A média fica
próxima de diversos países como EUA (28%), Reino Unido (27%), Canadá (26%),
Argentina (24%) e Espanha (24%). Esses números mostram como elas têm uma
desvantagem para liderar negócios, onde o networking é uma ferramenta essencial
para criar e expandir conexões. Para as empreendedoras, essa prática apresenta
dinâmicas distintas em comparação com seus colegas homens. Embora as redes de
contato sejam fundamentais para fomentar colaborações e impulsionar projetos,
as mulheres frequentemente enfrentam desafios particulares ao tentar navegar
por esses espaços.
“Mulheres precisam se conectar antes de fechar negócio”, explica
Mariana Freire, fundadora do Encontro da Mari, iniciativa que visa estabelecer
uma rede exclusiva de mulheres empreendedoras que, juntas, faturam
acima de R$ 350 milhões por ano. “Durante o processo de
onboarding levantamos com elas diversas informações, especialmente seus anseios
e desafios. Alguns itens são recorrentes na parte da dificuldade de estabelecer
relacionamentos entre mulheres no mundo dos negócios: autenticidade nas
relações, conexões genuínas, benefícios bilaterais. É isso que norteia toda a
nossa estratégia de busca feminina que realmente façam sentido estar ali e que
se ajudem mutuamente”, detalha.
A realidade das empreendedoras mulheres é marcada por obstáculos
que podem limitar a participação em eventos de networking e a construção de
relações profissionais. Como o acesso restrito a redes tradicionalmente
masculinas. Muitos ambientes de negócios ainda são dominados por homens, pouco
receptivos ao gênero feminino. Outro fator pode ser o dilema entre carreira e
responsabilidades com o lar. A desigualdade na divisão de tarefas domésticas e
cuidados com a família resulta em menos tempo disponível para que elas
participem de eventos de networking e momentos-chave do mundo dos negócios.
Empreendedoras também podem ter suas opiniões subestimadas ou
ignoradas, especialmente em espaços liderados por homens. E também a falta de
representação e modelos femininos: a ausência de referências femininas em
posições de destaque torna o ato de se conectar com mentores ou líderes ainda
mais desafiadores para elas.
Iniciativas exclusivas para mulheres vêm ganhando força,
promovendo a criação de ambientes acolhedores e inclusivos. Redes femininas,
como eventos exclusivos, grupos em redes sociais e plataformas voltadas para
empreendedoras, são espaços onde conexões mais genuínas são formadas. Nesses
círculos, as mulheres encontram mentoras, parceiras de negócios e até novas
amizades. “Temos vários casos interessantes para contar, de parcerias que
surgiram e negócios que foram fechados entre as participantes”, conta Mariana.
“O mais básico que costuma acontecer é que as empresárias fecham contratos
comerciais ali; uma vira fornecedora e a outra vira cliente. Mas temos também
casos nos quais uma empresa é muito boa de desenvolvimento de produto e outra,
do mesmo segmento, tem um comercial mais forte, e uma fusão aconteceu. Uma
terceira frente foi uma que ajudou outra a estruturar um infoproduto para dar
consultorias sobre o seu segmento de atuação. Isso é o principal objetivo: ter
um ambiente favorável para que essas profissionais façam negócio”, finaliza.
Apoiar a inclusão, ampliar a representatividade feminina e
incentivar a igualdade em todos os níveis organizacionais são passos cruciais
para construir um futuro em que empreendedoras possam prosperar, sem limitações
impostas por estereótipos ou barreiras estruturais.
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