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quarta-feira, 4 de junho de 2025

A controvérsia dos implantes na odontologia biológica

 Zircônia ou Titânio - qual escolher?  

 

A "odontologia biológica", promovida nas redes sociais, preocupa o meio odontológico e os conselhos profissionais. Não reconhecida pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO) como especialidade ou habilitação, e sem embasamento científico, alguns dentistas se autodenominam especialistas na área, disseminando informações imprecisas sobre saúde bucal. Profissionais que se apresentam como especialistas nessa área podem estar sujeitos a penalidades éticas. 

As publicações abordam temas familiares à população, como tratamento de canal, uso de flúor no creme dental, restaurações de amálgama, e em especial, implantes dentários que são frequentemente criticando métodos seguros e eficazes há décadas. Essas mensagens alarmistas podem confundir o público e levar a escolhas prejudiciais para a saúde bucal. 

Esses profissionais afirmam que avaliam o paciente integralmente, visando “minimizar os danos à saúde causados pelos tratamentos convencionais”, como descrito em perfis de odontólogos na rede social. A odontologia biológica frequentemente se associa a práticas pseudocientíficas, que não possuem evidências científicas robustas. A desinformação não tem lugar na odontologia. 

Com o avanço das redes sociais, essa prática tem crescido rapidamente. Indivíduos envolvidos são persuasivos, atenciosos, bem articulados, sempre bem-vestidos e trabalham em consultórios atraentes. Eles identificaram um nicho para atrair pacientes e obter lucro.
 

Implantes de zircônia versus titânio 

Defensores da odontologia biológica alegam que implantes de zircônia são superiores aos de titânio. Reforçam a ideia que o material cerâmico responde melhor às exigências mecânicas e promove menor adesão bacteriana. Dizem ainda que a zircônia oferece estabilidade química e não sofre corrosão. No entanto, estudos mostram que os implantes de zircônia são menos eficazes biológica e mecanicamente quando comparados aos implantes metálicos. 

Quando comparados aos implantes metálicos, os implantes cerâmicos demonstram menor eficácia biológica e mecânica. Eles são menos resistentes e apresentam uma taxa de osseointegração (processo pelo qual um implante se integra ao osso natural do corpo) igual ou inferior às superfícies biologicamente mais ativas. Além disso, a cerâmica é tão suscetível à colonização bacteriana quanto qualquer outro material, embora seja mais lisa do que os implantes metálicos. 

Com relação ao processo de corrosão, é consequência das infecções bacterianas ao redor dos implantes inseridos na cavidade bucal e que ambos os materiais (cerâmica e titânio) podem ser acometidos pela peri-implantite, doença que pode levar à perda do implante.

 

Vantagens dos Implantes de Titânio 

Comprovação Clínica: Os implantes de titânio têm sido utilizados há décadas, com extensa pesquisa comprovando sua eficácia e durabilidade.

Osseointegração: Estudos mostram que o titânio tem uma excelente capacidade de osseointegração, fundamental para o sucesso do implante.

Versatilidade: Os implantes de titânio podem ser utilizados em uma variedade maior de situações clínicas. 

Há poucos estudos de longo prazo comparando a durabilidade dos implantes de zircônia com os de titânio, sendo um achado recorrente a fratura do implante de zircônia com demandas maiores em áreas de grandes esforços mastigatórios. 

A osseointegração, um dos fatores-chave para o êxito de um implante e foi foco de uma revisão recente. O estudo mostrou que tanto o implante de titânio quanto o de zircônia apresentaram resultados comparáveis, embora o titânio apresente uma velocidade de osseointegração maior. 

No entanto, mais estudos são recomendados para a indicação de seu uso na prática diária. Além disso, os implantes de zircônia tendem a ser mais caros, o que pode influenciar a escolha do paciente.

Jamil Shibli - professor responsável pelos programas de mestrado e doutorado em Implantodontia da Universidade Guarulhos (UNG), onde atua há mais de duas décadas. É também professor associado da Harvard School of Dental Medicine, professor visitante da Universidade de Leuven (Bélgica) e docente da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein. Reconhecido como um dos pesquisadores mais produtivos da Odontologia mundial, Shibli tem forte atuação em pesquisa clínica, com ênfase em Periodontia e Implantodontia. É head do Conselho científico da Plenum, empresa brasileira de biotecnologia especializada em biomateriais e implantes 3D. Com uma trajetória marcada por contribuições relevantes para a ciência e a prática clínica, Jamil Shibli é referência global na integração entre inovação, pesquisa e ensino em Odontologia.



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