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quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Pesquisas revelam os riscos de alterações genéticas pelo uso prolongado de antidepressivos

Saiba como o uso de psicodélicos com terapia assistida pode evitar problemas a longo prazo

 

De acordo com o Conselho Federal de Farmácia, o país registrou um aumento de 18,6% no consumo de medicamentos voltados à saúde mental. O dado foi levantado a partir de uma pesquisa que envolveu mais de 600 mil pacientes, realizada entre agosto de 2022 e agosto de 2024. Segundo o estudo, 74% dos medicamentos adquiridos eram antidepressivos, enquanto os ansiolíticos representavam 26% do total. 

A depressão é uma psicopatologia complexa que afeta milhões de pessoas globalmente, caracterizada por sintomas como perda de iniciativa, redução da produtividade, alterações cognitivas, alterações de humor, alterações psicomotoras e vegetativas, e desinteresse geral. Ela é desencadeada principalmente por uma redução em neurotransmissores como a serotonina e a noradrenalina, tendo variações entre grau leve e grave. 

Segundo o pesquisador e médico pós-graduado em Neurologia, Lucas Cury, “embora abordagens não farmacológicas, como psicoterapias cognitivas, comportamentais e interpessoais, sejam tratamentos de primeira linha para depressão leve, a farmacoterapia usualmente torna-se necessária para casos moderados a graves ou quando intervenções não medicamentosas falham. Inclusive, várias classes de antidepressivos são usadas na prática clínica e embora a eficácia desses tratamentos seja bem estabelecida, alguns estudos sugerem uma potencial associação entre o uso de antidepressivos e danos ao DNA, o que levanta questionamentos e preocupações relacionados a que qualidade de transmissão genética vendo sendo transferida a cada prole na medida que há um nítido aumento do uso de fármacos alopáticos para transtornos de humor”. 

De acordo com a pesquisa “Alterações genéticas associadas ao uso de medicamentos” publicada em 2023, os autores concluem que o tratamento prolongado da depressão, frequentemente excedendo seis meses e associado a um alto risco de recorrência, envolve exposição contínua a medicamentos que podem causar danos ao DNA com influências ambientais, hábitos prejudiciais, dieta inadequada, uso inapropriado de medicamentos e estilos de vida estressantes podem sobrecarregar esses mecanismos de reparo, levando a um acúmulo de danos que podem contribuir para o desenvolvimento de doenças degenerativas, incluindo o câncer, ou resultar em apoptose.

 

A combinação de psicodélicos e psicoterapia podem ser a chave para um tratamento transformador 

Um ensaio clínico randomizado, controlado, duplo-cego, com acompanhamento de seis meses realizado por Davis AK et al publicado em 2024 pela Lancet chamado Ensaio clínico comparando psilocibina e escitalopram para tratamento da depressão: resultados de acompanhamento de seis meses (Trial of Psilocybin versus Escitalopram for Depression: Six-Month Follow-Up Results), concluiu que a terapia com dose única de psilocibina acompanhado de psicoterapia assistida produz efeitos antidepressivos sustentados,comparáveis aos do escitalopram, com benefícios adicionais relacionados a domínios mais amplos de saúde mental, como conexão e significado na vida, frequentemente negligenciados pelos tratamentos farmacológicos convencionais. 

“Esses resultados apoiam o potencial da combinação de psicodélicos e psicoterapia como uma modalidade de tratamento transformadora que une mecanismos neurobiológicos e psicossociais com menor risco de Iatrogenia e danos futuros ao DNA além de se tornar algo menos custoso aos serviços de gestão pública visto a diminuição da carga medicamentosa e o retorno à vida civil do ponto de vista tanto social quanto laboral visto que transtorno de ordem mental ocupam grande faixa da população absenteísta ao mercado de trabalho, além da diminuição da incidência de suicídio provocado pela refratariedade medicamentosa ao transtorno depressivo”, afirma o especialista. 

A pesquisa é clinicamente relevante, pois a compreensão do potencial genotóxico dos antidepressivos pode informar as práticas de prescrição, o aconselhamento ao paciente e, potencialmente, guiar o desenvolvimento de alternativas terapêuticas mais seguras, especialmente para pacientes que necessitam de tratamento a longo prazo. 

“Apesar disso, ainda persiste uma lacuna de conhecimento abordada quanto à extensão em que antidepressivos comumente usados possuem potencial mutagênico, genotoxicidade e citotoxicidade, o que poderia levar a efeitos genéticos adversos e carcinogênicos em humanos”, finaliza Cury.


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