Dra. Ana Maria Passos defende que cuidar da saúde feminina é
essencial para garantir longevidade profissional e qualidade de vida
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A presença feminina no mercado de
trabalho evoluiu significativamente nas últimas décadas. Se antes a expectativa
era que mulheres se dedicassem exclusivamente à vida doméstica, hoje elas
ocupam cargos de liderança, se especializam e mantêm carreiras sólidas por mais
tempo. Mas essa conquista exige atenção à saúde, especialmente a partir dos 40
anos.
A médica ginecologista Dra. Ana Maria Passos, especialista em saúde da mulher 40+, acompanha de perto os impactos da perimenopausa e da menopausa na vida profissional. Para ela, o avanço da ciência e o acesso à informação são fundamentais para que as mulheres mantenham sua produtividade e bem-estar. “Quanto mais cedo a mulher entende as mudanças que o corpo vai enfrentar, maiores são as chances de prevenção e qualidade de vida. A informação é a principal aliada nesse processo”, afirma.
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| Arte de Sofia Moura/Dezoito |
Saúde e cognição: pilares da
longevidade profissional
A saúde feminina impacta diretamente na
performance profissional. Sintomas como névoa mental, alterações de memória e
declínio cognitivo estão associados à queda de estradiol no cérebro, hormônio
que, quando em baixa, pode aumentar o risco de doenças como Alzheimer. “Para
produzir e estar no auge, a mulher precisa dormir bem, se sentir disposta, ter
clareza de pensamento, foco e concentração. Tudo isso depende de uma saúde que
acompanhe o ritmo da vida profissional”, explica.
A reposição hormonal com hormônios
bioidênticos, feita com acompanhamento médico, é uma das estratégias que
contribuem para manter a saúde cerebral e física em dia. “Hoje sabemos que esse
tipo de tratamento não aumenta o risco de câncer, AVC ou trombose. Pelo
contrário, ele ajuda a preservar a cognição, e a longevidade no
trabalho”, reforça.
Ciência e carreira: avanços que
transformam vidas
A perimenopausa, que costuma começar
por volta dos 40 anos, coincide com o auge profissional de muitas mulheres.
Identificar essa fase e iniciar o tratamento precocemente é um dos grandes
avanços da medicina nos últimos anos. “Se a mulher não entende o que está
acontecendo com ela, pode perder motivação, foco e até a posição que
conquistou. A ciência nos dá ferramentas para evitar isso”, diz a médica.
Além da reposição hormonal, práticas
como alimentação anti-inflamatória, atividade física regular, suplementação e
manejo do estresse são essenciais para manter o corpo compatível com a rotina
profissional prolongada.
Ambientes corporativos e políticas de
apoio
Apesar dos avanços científicos, o
ambiente corporativo ainda precisa se adaptar para acolher mulheres em plena
maturidade. Países como Austrália, Nova Zelândia e Reino Unido já adotam o selo
“menopausa friendly”, que reconhece as necessidades específicas dessa fase e
oferece suporte médico e flexibilidade.
“Infelizmente, no Brasil ainda não
temos esse tipo de iniciativa. Mas seria um grande passo para valorizar
mulheres experientes, que têm muito a contribuir”, afirma Ana Maria. Ela
defende que empresas ofereçam apoio à saúde física e mental, permitindo que
essas profissionais sigam a todo vapor, colocando em prática tudo o que
estudaram e vivenciaram ao longo dos anos.

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