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quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Microplásticos e fertilidade: como reduzir os riscos no dia a dia

Pesquisa identificou microplásticos dentro de gametas e até na placenta, levantando preocupação sobre impactos hormonais e inflamatórios na reprodução humana. No Brasil, cerca de 15% dos casais enfrentam a infertilidade e médica alerta que o ambiente moderno pode estar influenciando esse cenário

 

A discussão sobre fertilidade ganhou um novo capítulo após a divulgação de um estudo conduzido pela Universidade de Utrecht, na Holanda, e publicado em novembro de 2025.Os pesquisadores identificaram microplásticos dentro de óvulos, espermatozoides e até em placentas humanas, após analisarem tecidos e fluidos reprodutivos de voluntários.

Foram detectadas partículas de polietileno (PE), polipropileno (PP) e poliuretano (PU) tipos amplamente utilizados na fabricação de embalagens, utensílios e produtos do dia a dia. A presença dessas micropartículas em células essenciais para a reprodução levanta a hipótese de que possam interferir na função hormonal, causar inflamação e até prejudicar a qualidade dos gametas.

O alerta surge em um momento em que a infertilidade já é considerada um problema crescente. No Brasil, 10% a 15% dos casais em idade reprodutiva enfrentam dificuldade para engravidar. A Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) estima que cerca de 8 milhões de brasileiros podem ser inférteis individualmente ou precisar de tratamento para ter filhos. No contexto global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que 1 em cada 6 pessoas é afetada pela infertilidade.

As causas são multifatoriais: cerca de 40% dos casos são de origem feminina, 40% masculina, e em 20% dos casais há alterações em ambos os parceiros. Além de fatores já conhecidos como adiamento da primeira gestação, obesidade, tabagismo, álcool, estresse e estilo de vida a exposição a poluentes ambientais vem ganhando destaque na literatura científica.

Dra. Graziela Canheo Ginecologista e Especialista em Reprodução Humana, da La Vita Clinic, explica como os microplásticos conseguem impactar células tão sensíveis: “Os microplásticos são partículas extremamente pequenas, capazes de entrar nas nossas células através do transporte de nutrientes e água. Por isso, estão sendo encontrados dentro de óvulos, espermatozoides e outras células do organismo.”

Segundo ela, uma vez dentro da célula, essas partículas geram um processo inflamatório significativo. “A célula reconhece o microplástico como um agressor e tenta eliminá-lo. Ela pode tentar digerir a partícula ou, em último caso, entrar em morte programada. Esse mecanismo de defesa pode comprometer a função celular e impactar a fertilidade”, explica a especialista.

Apesar da gravidade, a médica reforça que ainda faltam estudos para quantificar o real impacto dos microplásticos na fertilidade humana: “O estudo mostra que provavelmente há um prejuízo no funcionamento celular, mas ainda precisamos de pesquisas robustas para medir exatamente o quanto isso interfere na fertilidade.”


Como se proteger no dia a dia

Mesmo com a ampla dispersão dos microplásticos no ambiente, a Dra. Graziela orienta mudanças práticas especialmente importantes para quem planeja engravidar ou está em tratamento de reprodução assistida:

-Evitar armazenar ou aquecer alimentos em recipientes de plástico;

-Preferir utensílios de vidro, aço inox ou cerâmica;

-Reduzir o uso de produtos descartáveis;

-Escolher roupas com fibras naturais;

-Usar filtros de água que retenham micropartículas.

“Evitar completamente é impossível, mas reduzir a exposição já traz benefícios”, reforça.

Para proteger a fertilidade das próximas gerações, políticas públicas e ações conjuntas serão fundamentais. “O ideal seria diminuir o consumo de plástico e investir em descarte correto, evitando que ele se degrade no ambiente. É um esforço que envolve sociedade civil, setor privado e poder público. Precisamos pensar nas próximas gerações”, afirma a ginecologista.

Com evidências crescentes sobre o impacto dos microplásticos no corpo humano, o debate deixa de ser apenas ambiental e passa a integrar um tema central da saúde reprodutiva mundial.
 


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