Mostra fotográfica documenta a realidade de comunidades ao redor
do planeta que vivem sem acesso à água limpa, em contexto de emergência
climática
O Museu da Imagem e do Som,
instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado
de São Paulo, inaugura em 27 de novembro a exposição ÁGUA,
do fotógrafo humanista Érico Hiller, que permanecerá em
cartaz até 5 de abril de 2026.
Com realização da Vento
Leste e produção da equipe MIS, a
mostra apresenta um testemunho visual impactante a partir de ampla documentação
sobre a escassez hídrica que afeta milhões de pessoas em diferentes países,
incluindo o Brasil. Com patrocínio do Instituto Aegea e ComBio,
conta com a parceria das organizações VV Inteligência Humanitária e Amigos do
Bem, que atuam para impactar positivamente este cenário.
O trabalho que deu origem ao projeto,
desenvolvido por uma década, foi recentemente vencedor do Prêmio
Fundação Conrado Wessel de Fotografia 2025 e resultou em dois
livros editados pela Vento Leste: ÁGUA,
lançado em 2021; e Água Brasil, publicado em março deste
ano.
ÁGUA
poderá ser visitada pelo público de terça a sexta-feira, das 10h às 19h, e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h. Os ingressos custam R$ 30. No dia 29 de novembro, sábado , haverá duas visitas guiadas, às 11h e 14h30. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 2117-4777 ou pelo site www.mis-sp.org.br .
A saga dos que resistem
Nas palavras do próprio Érico Hiller, a exposição busca "restaurar o protagonismo aos que se achavam invisíveis". As imagens documentam a rotina de comunidades que acordam antes do sol para buscar água em fontes distantes, muitas vezes desprotegidas ou contaminadas. Entre as fotografias, depoimentos autênticos e contundentes das pessoas retratadas dão voz a uma realidade que raramente frequenta o noticiário.
"Todas
as manhãs, milhões de famílias acordam e precisam se preocupar em conseguir
água, que na maioria dos casos, não está perto de suas casas. Expor diariamente
a própria saúde ao risco de contaminação e morte é uma forma cruel de
viver", afirma o fotógrafo em texto que integra a exposição.
O trabalho de Hiller desmistifica a ideia
de abundância hídrica em regiões como a Amazônia e o Pantanal, revelando que
mesmo no país detentor do maior volume de água doce do planeta, milhões de
brasileiros vivem sem acesso à água limpa. As imagens ressaltam o contraste
brutal entre a riqueza natural e a desigualdade social, evidenciando como a má
distribuição e o uso indevido dos recursos hídricos transformam a vida de
populações inteiras em um verdadeiro calvário.
Um manifesto visual pela água limpa
Em tempos de crise climática sem precedentes, ÁGUA se apresenta como um manifesto urgente pelo direito universal ao acesso à água potável e ao saneamento básico, conforme estabelece a Meta 6 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.
Segundo dados recentes da Organização
Mundial (OMS) da Saúde e do UNICEF, 2,1 bilhões de pessoas no mundo ainda não têm
acesso à água potável manejada de forma segura – uma em cada
quatro pessoas no planeta. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) estima que
esse número pode aumentar para mais de 5 bilhões até 2050, em um
cenário de agravamento da crise climática.
Já o relatório "Estado dos Recursos
Hídricos Globais 2024", divulgado pela OMM em setembro de 2025, aponta que
apenas um terço das bacias hidrográficas do planeta apresentou condições
normais em 2024, ano que registrou a temperatura média mais alta da história – 1,55°C
acima dos níveis pré-industriais. No Brasil, os extremos
climáticos se intensificaram: enquanto a seca afetou 59% da Amazônia, as
enchentes no Sul do país deixaram 183 mortos.
Um grito de alerta que busca transformação
"ÁGUA é tema da máxima urgência e
importância. Em todas as esferas, de todos os países – não há um só canto do
planeta onde o bem mais precioso que existe, que gera a vida, não mereça
atenção e cuidado", afirma Mônica Schalka,
editora da Vento Leste. "A falta de acesso à água limpa é uma
provação que beira o desumano, a que ninguém deveria ser submetido",
completa.
A exposição dialoga diretamente com a Declaração
Universal dos Direitos da Água, redigida pela ONU em 1992, que
estabelece em seu Artigo 5: "A água não é somente uma herança dos nossos
predecessores; é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção
constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do homem para
com as gerações presentes e futuras."
Para além da denúncia, ÁGUA
celebra a resiliência humana. As imagens capturam a força moral de pessoas que
se recusam a desistir, que acordam antes do sol para uma nova chance, que
ultrapassam um obstáculo por vez. "Este é o retrato de um mundo onde a crise
hídrica ampliou as desigualdades, num momento histórico de mudanças
imprevisíveis", reflete Érico Hiller.
O fotógrafo reflete: "O
pior já passou ou ainda está por vir? Sem respostas fáceis, meu pensamento se
mantém na memória daqueles que encontrei, retratados aqui na saga dos que
resistem, na força moral para seguir fazendo o que lhes parece certo. As
pessoas. Elas são a resposta."
SERVIÇO
Exposição: ÁGUA
Artista: Érico Hiller
Período de visitação: 27 de
novembro de 2025 a 5 de abril de 2026, nos horários indicados pelo museu
Ingresso: R$ 30 (Visitas monitoradas no dia 29/11, sábado, às 11h e às 14h30)
Local: Museu da Imagem e do Som de
São Paulo (MIS)
Endereço: Av. Europa, 158 – Jardim
Europa, São Paulo – SP – CEP 01449-000
Telefone: (11) 2117-4777
E-mail: faleconosco@mis-sp.org.br
Site: www.mis-sp.org.br
Realização: Vento Leste [ventoleste.com]
Produção: Equipe MIS-SP
Patrocínio: Instituto Aegea e ComBio
Parceria: VV Inteligência Humanitária |
Amigos do Bem
Suporte: Sony | ArtFactory


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