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quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Como as empresas estão repensando o bem-estar dos homens no trabalho

O Novembro Azul amplia o debate sobre saúde física para um tema ainda negligenciado nas empresas: o bem-estar emocional e psicológico dos homens — e como isso impacta cultura, engajamento e performance


O bem-estar corporativo foi tratado como sinônimo de benefícios médicos ou programas de ginástica laboral. Mas, à medida que a saúde mental ganha espaço nas discussões de Recursos Humanos, surge um novo desafio: entender as particularidades do cuidado com os homens — um grupo que, culturalmente, ainda enfrenta barreiras para expressar vulnerabilidade. 

Com a chegada de Novembro, e o foco na campanha Novembro Azul, empresas de diferentes setores começam a reconhecer que a saúde masculina no ambiente de trabalho não se limita à prevenção do câncer de próstata. Trata-se, sobretudo, de estimular o equilíbrio emocional e a liberdade de expressão sem estigmas. 

“O bem-estar masculino vai muito além da dimensão da saúde física. Envolve o cuidado com a saúde mental, a possibilidade de reconhecer e comunicar emoções de forma saudável, de um equilíbrio entre a vida pessoal e profissional”, afirma Patrícia Suzuki, CHRO do Grupo Redarbor, detentor do Pandapé, software de RH mais utilizado na América Latina. 

Para a executiva, homens ainda enfrentam barreiras culturais que os afastam do autocuidado, e as empresas têm um papel fundamental em desconstruir essa ideia de que vulnerabilidade é sinal de fraqueza. 

Já Thomas Costa, Chief of Growth da Redarbor, acredita que o primeiro obstáculo é o silêncio. “Muitos homens foram ensinados a não falar sobre sentimentos ou limitações, o que cria isolamento. No trabalho, isso se traduz em burnout, baixa produtividade e conflitos”, diz. 

A transformação, conforme os especialistas, exige mais do que campanhas pontuais: requer mudança cultural e espaços seguros de diálogo. No próprio Grupo Redarbor, a área de Pessoas implementou grupos de conversa, suporte psicológico e campanhas internas contínuas sobre saúde e bem-estar masculinos — com monitoramento por dados de engajamento. 

“O discurso de cuidado precisa vir acompanhado de métricas, assim como fazemos com performance e resultados”, pontua Suzuki. 

No entanto, além do impacto humano, os resultados empresariais são tangíveis. “Quando falamos de bem-estar masculino, falamos de retenção, produtividade e inovação. O colaborador que se sente cuidado tende a ser mais colaborativo e comprometido”, diz Costa. 

Cuidar de homens também é uma pauta de diversidade — e, como toda transformação, precisa começar pela liderança. “Líderes homens que falam sobre suas vulnerabilidades abrem caminho para que outros façam o mesmo. O futuro do trabalho passa também pela empatia masculina”, conclui Suzuki.


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