O Novembro Azul amplia o debate sobre saúde física para um tema ainda negligenciado nas empresas: o bem-estar emocional e psicológico dos homens — e como isso impacta cultura, engajamento e performance
O bem-estar corporativo foi tratado como sinônimo de
benefícios médicos ou programas de ginástica laboral. Mas, à medida que a saúde
mental ganha espaço nas discussões de Recursos Humanos, surge um novo desafio:
entender as particularidades do cuidado com os homens — um grupo que,
culturalmente, ainda enfrenta barreiras para expressar vulnerabilidade.
Com a chegada de
Novembro, e o foco na campanha Novembro Azul, empresas de diferentes setores
começam a reconhecer que a saúde masculina no ambiente de trabalho não se
limita à prevenção do câncer de próstata. Trata-se, sobretudo, de estimular o
equilíbrio emocional e a liberdade de expressão sem estigmas.
“O bem-estar
masculino vai muito além da dimensão da saúde física. Envolve o cuidado com a
saúde mental, a possibilidade de reconhecer e comunicar emoções de forma
saudável, de um equilíbrio entre a vida pessoal e profissional”, afirma
Patrícia Suzuki, CHRO do Grupo Redarbor, detentor do Pandapé, software de RH
mais utilizado na América Latina.
Para a executiva,
homens ainda enfrentam barreiras culturais que os afastam do autocuidado, e as
empresas têm um papel fundamental em desconstruir essa ideia de que
vulnerabilidade é sinal de fraqueza.
Já Thomas Costa,
Chief of Growth da Redarbor, acredita que o primeiro obstáculo é o silêncio.
“Muitos homens foram ensinados a não falar sobre sentimentos ou limitações, o
que cria isolamento. No trabalho, isso se traduz em burnout, baixa
produtividade e conflitos”, diz.
A transformação,
conforme os especialistas, exige mais do que campanhas pontuais: requer mudança
cultural e espaços seguros de diálogo. No próprio Grupo Redarbor, a área de
Pessoas implementou grupos de conversa, suporte psicológico e campanhas
internas contínuas sobre saúde e bem-estar masculinos — com monitoramento por
dados de engajamento.
“O discurso de
cuidado precisa vir acompanhado de métricas, assim como fazemos com performance
e resultados”, pontua Suzuki.
No entanto, além do
impacto humano, os resultados empresariais são tangíveis. “Quando falamos de
bem-estar masculino, falamos de retenção, produtividade e inovação. O
colaborador que se sente cuidado tende a ser mais colaborativo e comprometido”,
diz Costa.
Cuidar de homens
também é uma pauta de diversidade — e, como toda transformação, precisa começar
pela liderança. “Líderes homens que falam sobre suas vulnerabilidades abrem
caminho para que outros façam o mesmo. O futuro do trabalho passa também pela
empatia masculina”, conclui Suzuki.

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