Nos últimos tempos, o uso de canetas emagrecedoras ganhou forte popularidade. Um medicamento inicialmente desenvolvido para o combate à diabetes grau 2, que ganhou destaque nas redes sociais por sua possibilidade de ser usado também com a finalidade estética de emagrecer rapidamente.
Com
base em dados da Anvisa, 38% das solicitações para o medicamento no Brasil
foram relacionadas ao uso fora da indicação, ou seja, como foco em
emagrecimento. Porém, os medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida, como
no caso das canetas emagrecedoras, possuem diversas reações no organismo e, com
o aumento da sua utilização, efeitos colaterais menos comuns vêm sendo
discutidos, como aqueles que atingem a saúde bucal.
Segundo
a dentista Lidiane Takeda, algumas das queixas mais frequentes de pacientes que
fazem uso contínuo desses fármacos, podem estar associadas às mudanças como
perda de apetite e, muitas vezes, menor ingestão de água, o que pode alterar a
hidratação bucal e favorecer a proliferação bacteriana, boca seca e doenças
periodontais, como inflamação gengival. “Boca seca é o primeiro sinal de que o
ambiente oral está desfavorável. Quando tratamos isso cedo, evitamos cáries,
erosões, sangramento gengival e até problemas mais sérios, como periodontite”,
pontua a dentista.
A
dentista ainda ressalta que há pacientes que relatam efeitos gastrointestinais,
como refluxo e náuseas, ocasionando o desgaste do esmalte dentário, que pode
levar à sensibilidade, dor ao consumir alimentos cítricos e até fraturas em
casos mais avançados.
Apesar
de ainda não haver muitos estudos científicos específicos sobre os efeitos do
uso do medicamento na saíde bucal, Takeda afirma que sintomas como os
destacados acima já são suficientes para justificar atenção redobrada.
Por
fim, a dentista declara que, o ideal é o paciente realizar o uso do medicamento
com acompanhamento médico e odontológico. Dessa forma, a caneta terá eficácia
sem trazer prejuízos irreversíveis para a saúde bucal. “Pacientes bem
acompanhados têm resultados excelentes, tanto estéticos quanto bucais. O
problema não está na medicação, mas na falta de monitoramento”, conclui a
dentista.
Sendo
assim, enquanto o interesse estético continua impulsionando a busca pelo
medicamento, cabe aos profissionais e aos próprios usuários reconhecerem que a
boca também responde a essas intervenções. A prevenção, portanto, permanece
como a melhor ferramenta para garantir que o emagrecimento não tenha como custo
danos permanentes ao sorriso.
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