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quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Como as canetas emagrecedoras estão impactando a saúde bucal

Nos últimos tempos, o uso de canetas emagrecedoras ganhou forte popularidade. Um medicamento inicialmente desenvolvido para o combate à diabetes grau 2, que ganhou destaque nas redes sociais por sua possibilidade de ser usado também com a finalidade estética de emagrecer rapidamente. 

Com base em dados da Anvisa, 38% das solicitações para o medicamento no Brasil foram relacionadas ao uso fora da indicação, ou seja, como foco em emagrecimento. Porém, os medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida, como no caso das canetas emagrecedoras, possuem diversas reações no organismo e, com o aumento da sua utilização, efeitos colaterais menos comuns vêm sendo discutidos, como aqueles que atingem a saúde bucal.

Segundo a dentista Lidiane Takeda, algumas das queixas mais frequentes de pacientes que fazem uso contínuo desses fármacos, podem estar associadas às mudanças como perda de apetite e, muitas vezes, menor ingestão de água, o que pode alterar a hidratação bucal e favorecer a proliferação bacteriana, boca seca e doenças periodontais, como inflamação gengival. “Boca seca é o primeiro sinal de que o ambiente oral está desfavorável. Quando tratamos isso cedo, evitamos cáries, erosões, sangramento gengival e até problemas mais sérios, como periodontite”, pontua a dentista.

A dentista ainda ressalta que há pacientes que relatam efeitos gastrointestinais, como refluxo e náuseas, ocasionando o desgaste do esmalte dentário, que pode levar à sensibilidade, dor ao consumir alimentos cítricos e até fraturas em casos mais avançados.

Apesar de ainda não haver muitos estudos científicos específicos sobre os efeitos do uso do medicamento na saíde bucal, Takeda afirma que sintomas como os destacados acima já são suficientes para justificar atenção redobrada.

Por fim, a dentista declara que, o ideal é o paciente realizar o uso do medicamento com acompanhamento médico e odontológico. Dessa forma, a caneta terá eficácia sem trazer prejuízos irreversíveis para a saúde bucal. “Pacientes bem acompanhados têm resultados excelentes, tanto estéticos quanto bucais. O problema não está na medicação, mas na falta de monitoramento”, conclui a dentista.

Sendo assim, enquanto o interesse estético continua impulsionando a busca pelo medicamento, cabe aos profissionais e aos próprios usuários reconhecerem que a boca também responde a essas intervenções. A prevenção, portanto, permanece como a melhor ferramenta para garantir que o emagrecimento não tenha como custo danos permanentes ao sorriso.

 

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