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Fenômeno global de
vendas, a Black Friday transforma o mês de novembro em
um caldeirão de ofertas. De acordo com a pesquisa Tendências de consumo da Black Friday 2025, 70% dos
consumidores afirmam se planejar financeiramente, com
antecedência, para a temporada de promoções.
Na prática, nem sempre é assim.
Segundo um levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, 62%
dos brasileiros fazem compras por impulso no ambiente digital e mais de 35%
admitem já ter contraído dívidas por compras impulsivas.
Segundo o especialista em
comportamento do consumidor, professor doutor Sergio Czajkowski Junior, este
cenário expõe a efetividade das campanhas promocionais em criar um senso de
urgência irresistível. “Na Black Friday, as ofertas limitadas e contagens
regressivas se tornam gatilhos poderosos para decisões de compra nem sempre
racionais.”
O docente, que desde 2017 estuda
como a Neurociência é usada para potencializar o interesse dos clientes em
adquirir diferentes mercadorias, diz que a dualidade entre planejamento e
impulso na hora das compras reflete a influência do (neuro)marketing nas
práticas de consumo.
Uma das estratégias mais usuais
da publicidade é desencadear gatilhos mentais amparados pelo senso de urgência,
como: “aproveite a última chance do ano”, “você nunca mais encontrará
esse preço, nem mesmo na concorrência”, “mais de 90% dos nossos clientes mudaram
de vida após comprar nossos produtos”, etc.
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A construção do senso de
urgência, continua o professor doutor, é uma das ferramentas mais afiadas no
arsenal do marketing moderno e tem como objetivo reduzir o tempo para reflexão,
impulsionando a compra imediata e pouco balizada.
“Esse tipo de tática explora vieses cognitivos humanos, como o medo de perder ou de ficar defasado, já conhecido como FOMO, do inglês fear of missing out. Nesse sentido, a percepção de que uma oportunidade inigualável pode desaparecer a qualquer momento se torna um potente motor de ação, superando frequentemente a racionalidade do planejamento orçamentário”, alerta o especialista.
Para evitar ciladas, que podem
resultar em um quadro de endividamento, o professor e consultor na área de
Planejamento Estratégico e de Comportamento do Consumidor enfatiza a
importância crítica da educação financeira. “Educação financeira não é apenas
sobre saber poupar ou investir. É, acima de tudo, sobre desenvolver a
capacidade crítica de discernir entre necessidade e desejo, entre o valor real
e o valor percebido.”
Ainda segundo o professor do
UniCuitiba, em um mundo dominado por estratégias de marketing complexas, a
simplicidade do comportamento infantil pode oferecer lições valiosas sobre
economia doméstica, gestão financeira, orçamento familiar e compras
conscientes.
“As crianças, em sua essência,
sabem diferenciar uma necessidade de um desejo supérfluo. Um adulto pode
justificar a compra de um smartphone novo alegando necessidade de trabalho. Já
uma criança é capaz de justificar uma compra apenas pelo desejo de ter
determinado brinquedo”, compara o especialista.
Essa transparência infantil,
continua Sérgio, é um espelho interessante a ser observado pelos adultos. “As
crianças raramente se deixam seduzir por oportunidades classificadas como
imperdíveis ou pelo medo de perder um desconto. Isso ocorre porque a
compreensão delas a respeito de valor e urgência é diferente e está
desconectada da necessidade de ostentar algo para alguém.”
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5 lições ensinadas pelas crianças
1. Adiar a
gratificação é possível - quando as crianças precisam
esperar por algo que desejam muito, elas aprendem que nem tudo está disponível
imediatamente. Essa é a base da gestão financeira: se os recursos são
limitados, é preciso eleger prioridades.
2. Questionar
antes de comprar - a criança pergunta "por
quê?" antes de aceitar qualquer argumento. Na hora da compra, os
adultos precisam fazer o mesmo: "eu realmente preciso?", "isso
vale o preço?", "estou sendo enganado?". Essas simples
perguntas desativam o senso de urgência.
3. Diferenciar
necessidade de desejo - as crianças compreendem
intuitivamente a diferença entre essencial e supérfluo. Elas sabem que
“precisam” de comida, água e roupas e sabem que “querem”
brinquedos. A clareza mental é o antídoto contra compras
impulsivas.
4. Resistir a
artifícios publicitários - as crianças são alvo de
muitas campanhas de marketing, mas não é fácil enganá-las. Como
elas ainda não desenvolveram vulnerabilidades emocionais exploradas
pela propaganda, não são influenciadas por ofertas. Em geral, elas
buscam uma lógica para justificar o que desejam, e não um desconto.
5. Priorizar o
que importa - quando uma criança tem pouco dinheiro
(mesada ou presente), cada centavo é cuidadosamente considerado. A maioria não
gasta suas economias facilmente. Em geral, a criança escolhe o que realmente
quer. Esse é o comportamento financeiro saudável que adultos precisam
recuperar.
Para finalizar, o professor
doutor Sergio Czajkowski Junior, do UniCuritiba, ensina a
importância de fazer compras usando técnicas que se utilizam
da razão e não da emoção. “Defina um orçamento antes de olhar as
ofertas, crie listas de compras com itens que você realmente precisa e deixe a
preguiça de lado na hora de pesquisar preços, garantindo que o
desconto seja real.”
Caso ainda preexistam dúvidas
quanto à real necessidade de compra, aplique a regra da pausa. A dica do
especialista é esperar, no mínimo, 24 horas para finalizar o pedido. Isso evita
as compras por impulso e ajuda a equilibrar o orçamento doméstico.
UniCuritiba



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