O mês de outubro foi, no geral, de preços
estáveis para o diesel no Brasil. Não houve variações significativas nas bombas
ao longo do mês, o que deu um pequeno alívio para quem depende diretamente do
combustível para rodar o país. No entanto, já no final de outubro e começo de
novembro, foi possível notar aumento em alguns postos, especialmente no
Nordeste. A alta foi pontual, mas mais intensa nessa região, chamando a
atenção.
Quando olhamos para os fundamentos de
formação de preço, não houve grande justificativa para aumentos relevantes. O
biodiesel, que compõe parte da mistura vendida nos postos, teve elevação no
custo, mas ainda assim sem peso suficiente para explicar as altas observadas em
campo.
Na Petrobras, nada mudou no preço do diesel
no mês, a estatal só reduziu a gasolina. E ainda bem, porque se fosse seguir os
preços de paridade de importação (PPI), o ajuste seria para cima. Hoje, o
diesel vendido pela Petrobras está abaixo do PPI, o que poderia abrir espaço
para reajuste, mas a empresa vem mantendo a estratégia de não repassar a
volatilidade do mercado internacional diretamente ao consumidor. Segundo
Claudio Schlosser, diretor de Logística, Comercialização e Mercados da
Petrobras, não há congelamento de preços nem prejuízo na rentabilidade, apenas
uma política de equilíbrio de preços frente ao mercado.
Por outro lado, a estatal segue com seu plano
de paradas programadas em refinarias, como a REVAP e a REPLAN, com um dos focos
em aumentar a capacidade de produção de diesel S10. Essa é uma movimentação
importante, pois ajuda a reduzir a dependência do diesel importado, fazendo
diferença no longo prazo.
Falando em importação, o diesel vindo de fora
teve comportamento semelhante ao nacional em outubro: ficou estável ou em leve
queda no início do mês, mas voltou a subir nas últimas semanas. Coincidência?
Talvez. A verdade é que o preço do diesel importado acumula uma queda de cerca
de 12% no ano, enquanto o valor médio nas bombas brasileiras caiu apenas 1% no
mesmo período.
Os dois principais fatores que impactam o preço do diesel importado, dólar e barril de petróleo, não tiveram influência entre outubro e o começo de novembro. Mesmo com sanções recentes sobre refinarias russas, o efeito foi neutro nos preços, graças a uma combinação de oferta ainda firme e demanda global em desaceleração.
Por fim, vale lembrar o que vem pela frente: em janeiro de 2026 está previsto um novo aumento de R$0,05 no ICMS do diesel. Esse acréscimo se soma ao reajuste de R$0,06 feito em fevereiro de 2025. Ou seja, em menos de um ano, teremos um aumento acumulado de R$0,11 por litro só em ICMS, um peso direto na conta do transportador.
Nenhum comentário:
Postar um comentário