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terça-feira, 18 de novembro de 2025

"ACHEI QUE ERA SÓ GASES": OS SINAIS QUE DIFERENCIAM UM MAL-ESTAR COMUM DE UMA OBSTRUÇÃO INTESTINAL

Cirurgião explica como identificar quando sintomas digestivos comuns indicam necessidade de intervenção cirúrgica


"Doutor, pensei que era só uma indigestão. Tomei chá, fiz compressa quente, esperei melhorar..." Relatos como este são frequentes e revelam um desafio comum, que é distinguir sintomas digestivos corriqueiros de uma obstrução intestinal, condição que exige atendimento médico rápido para evitar complicações.

"A obstrução intestinal é uma das emergências mais subestimadas. O grande perigo é que ela se 'disfarça' de problemas simples no início. O paciente acha que é gastrite, gases, ou até intoxicação alimentar, e perde um tempo precioso tentando resolver em casa", alerta o Dr. Lucas Nacif, cirurgião do aparelho digestivo.


O padrão que denuncia o perigo

Mas então, como diferenciar? Segundo o Dr. Nacif, existe um padrão evolutivo característico que muita gente desconhece.

"No mal-estar comum, você tem desconforto, pode até vomitar, mas consegue melhorar aos poucos, aceita líquidos, elimina gases. Na obstrução, é o contrário. Os sintomas pioram progressivamente. A dor vem em ondas cada vez mais fortes, os vômitos aumentam, a barriga vai inchando como um balão e você simplesmente não consegue soltar nada, nem gases, nem fezes", explica.

Outro sinal ignorado é a mudança no tipo de vômito. "Quando a pessoa começa a vomitar um líquido escuro, com cheiro fétido, é sinal de que o conteúdo intestinal está voltando. Isso já indica uma possível obstrução em estágio avançado."


O custo do 'vou esperar até amanhã'

O Dr. Nacif conta que o maior erro é a tentativa de automedicação ou espera para "ver se passa". "Tem pessoas que tomam laxante achando que vai 'desentupir', e isso pode piorar o quadro. Se já existe uma obstrução, forçar o intestino pode causar complicações."

O diagnóstico e tratamento precoces fazem toda diferença. "Quando identificamos e tratamos rapidamente, a maioria dos casos se resolve bem, muitas vezes sem necessidade de cirurgia. Mas quanto mais tempo passa, maior o risco de o intestino sofrer e precisar de intervenção de emergência", explica o Dr. Nacif.


Quando a obstrução intestinal requer cirurgia imediata

O tratamento da obstrução intestinal varia conforme a causa e a gravidade. Nos quadros mais leves, como constipação ou impactação fecal, o manejo costuma ser clínico, com medidas para aliviar a pressão no intestino.

Já nas obstruções mecânicas, especialmente as causadas por hérnias encarceradas, aderências pós-operatórias ou torções, a abordagem muda completamente. “Quando o intestino perde circulação, não dá para esperar”, explica.

Nessas situações, a cirurgia é necessária para liberar o bloqueio, restaurar o fluxo sanguíneo e, se houver dano irreversível, remover o segmento comprometido. O cirurgião do aparelho digestivo reforça que “o objetivo é evitar evolução para isquemia, necrose ou perfuração, que podem colocar a vida em risco.”


Grupos de risco que ninguém comenta

Diferente do que se imagina, a obstrução intestinal não atinge apenas idosos ou pessoas operadas. O cirurgião destaca grupos de risco pouco conhecidos:

  • Adeptos de dietas muito restritivas: Dietas pobres em fibras e baixo consumo de água podem reduzir bastante a motilidade intestinal, favorecendo a impactação fecal, um quadro que simula obstrução.
  • Usuários de opioides: Outra causa frequente de constipação severa, principalmente em pacientes oncológicos. Em alguns casos, o intestino fica tão lento que evolui para quadros semelhantes à obstrução.
  • Quem tem hérnia e não sabe: Já as hérnias são um capítulo à parte. Muitas passam despercebidas até o momento em que uma alça intestinal fica presa ali, causando uma obstrução verdadeira e exigindo cirurgia de emergência.

O Dr. Nacif propõe uma orientação prática. "Se você está com dor abdominal crescente, vômitos repetidos e não consegue eliminar gases por mais de 6 horas, não espere. É melhor ser um 'falso alarme' do que chegar tarde demais”, finaliza o especialista.


Dr. Lucas Nacif - Médico gastroenterologista com especialidade em cirurgia geral e do aparelho digestivo. Lucas Nacif é reconhecido por sua expertise em cirurgias hepato bilio pancreáticas e transplante de fígado, utilizando técnicas avançadas minimamente invasivas por laparoscopia e robótica. O especialista é membro da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) e está disponível para abordar temas relacionados ao aparelho digestivo, desde doenças, como gordua no fígado; câncer colorretal; doenças inflamatórias intestinais; pancreatite até cirurgias e transplantes em geral. Link e www.instagram.com/dr.lucasnacif_gastrocirurgia/



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