O fim do ano traz
consigo o tradicional 13º salário, um reforço financeiro esperado por milhões
de trabalhadores brasileiros. Mas, em um cenário econômico que exige cada vez
mais planejamento e consciência, o desafio está em transformar esse recurso em
um verdadeiro aliado da estabilidade financeira — e não em mais uma fonte de
endividamento.
Segundo Reinaldo
Domingos, presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Educação
Financeira (ABEFIN), é hora de mudar a mentalidade sobre esse benefício. “O 13º
salário foi criado como uma gratificação de fim de ano, e não como um respiro
para quem passou o ano inteiro sem planejamento. Ele pode ser um divisor de
águas para quem deseja iniciar 2025 com mais equilíbrio e metas claras.”
Domingos alerta
que a falta de organização faz com que boa parte dos brasileiros use o valor
para tapar buracos financeiros, repetindo um ciclo que se arrasta ano após ano.
“Se você está endividado, pode até usar o 13º para renegociar dívidas, mas faça
isso com estratégia. O ideal é que esse dinheiro sirva para planejar o futuro,
e não para apagar incêndios do passado.”
Por que o 13º
é mais importante do que parece
Além de aliviar as
finanças de fim de ano, o 13º salário é uma oportunidade valiosa para
reorganizar o orçamento e se preparar para as despesas típicas do início do ano
— como IPVA, IPTU, matrícula e material escolar —, que costumam desestabilizar
muitas famílias.
Sem um plano, o dinheiro extra some rapidamente e pode gerar novas dívidas logo
nos primeiros meses do ano seguinte. A recomendação de Domingos é seguir os
quatro pilares da Metodologia DSOP (Diagnosticar, Sonhar, Orçar e Poupar), que
orienta o uso consciente dos recursos.
1.
Diagnosticar a realidade financeira
Antes de qualquer
decisão, é fundamental entender a própria situação financeira. Liste todas as
receitas (salário, 13º, bônus, férias) e despesas (fixas, variáveis e
sazonais). Avalie o grau de endividamento, os juros e os compromissos futuros.
Esse diagnóstico mostra onde há desequilíbrio e abre espaço para decisões mais
assertivas.
2. Sonhar e
mapear prioridades
Definir objetivos
é essencial para dar propósito ao dinheiro. Estabeleça metas de curto prazo
(até um ano), médio prazo (de um a cinco anos) e longo prazo
(mais de dez anos). Inclua tanto necessidades imediatas — como quitar dívidas
ou se preparar para despesas de janeiro — quanto sonhos pessoais, como viagens,
cursos ou a compra de um bem. “Sem sonhos, o dinheiro perde o sentido. O 13º
pode ser o primeiro passo para concretizar algo realmente importante”, afirma
Domingos.
3. Orçar o
uso do 13º com estratégia
O orçamento é o
mapa que vai guiar suas escolhas. Veja como agir de acordo com o seu perfil:
Se está
endividado: Use o 13º para
negociar com credores e reduzir juros. Mas só feche acordos que realmente
caibam no orçamento — o objetivo é resolver o problema, não trocá-lo por outro.
Se vai gastar
com o fim de ano: Planeje cada
despesa: presentes, ceia, viagens. Defina limites e evite parcelamentos que
comprometam o início de 2025.
Se está com
as contas em dia: Aproveite
para criar ou reforçar uma reserva de estratégica e investir em objetivos de
médio e longo prazo.
4. Poupar e
investir: o grande passo
Guardar parte do
13º é a forma mais inteligente de fazer o dinheiro trabalhar por você. Mesmo
pequenas quantias podem render bons resultados se aplicadas de forma
disciplinada e com metas definidas. Domingos reforça: “Quem não tem dívidas,
mas também não poupa, vive em risco. O 13º é a chance de começar a formar uma
reserva financeira e dar segurança para o futuro.”
O consumo
consciente faz diferença
O fim de ano costuma despertar o desejo de comprar e presentear, mas o consumo por impulso pode anular o benefício do 13º. Evite gastar por emoção ou status. Priorize aquilo que realmente traz valor e cabe no seu padrão de vida. “O equilíbrio financeiro não está em ganhar mais, e sim em gastar de forma inteligente”, destaca o especialista.
A preocupação
também deve ocorrer depois do uso desse dinheiro. Depois de usar o 13º, faça
uma avaliação: o que funcionou bem? O que pode melhorar em 2025? Reúna a
família e transforme o planejamento financeiro em um hábito coletivo. Registrar
receitas e despesas, discutir sonhos e revisar metas são atitudes simples que
constroem um futuro mais tranquilo.
Ponto importante que Reinaldo Domingos alerta é que, mais do que um dinheiro extra, o 13º salário é uma ferramenta de transformação. Com planejamento, disciplina e consciência, ele pode ser o ponto de virada para quem deseja começar 2025 com menos dívidas e mais realizações.
Reinaldo
Domingos - PhD em Educação Financeira, fundador do DFlix, o primeiro streaming
de educação financeira do Brasil. É presidente da Associação Brasileira de
Profissionais de Educação Financeira (ABEFIN) e da DSOP Educação Financeira.
Autor de diversos livros, entre eles o best-seller Terapia Financeira, é
referência nacional em comportamento e planejamento financeiro.
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