Em um dia normal, via movimenta R$ 120 milhões, cifra que pode subir para R$ 300 milhões em datas comemorativas, segundo a Univinco
Na rua 25 de Março, a
intensidade é concorrência e é sobrevivência. Ali, o comércio tem volume,
velocidade e impacto. Para colocar ordem no caos, a Agência DC News reuniu
dados, informações e mensurou os números que sustentam a principal rua do
comércio popular paulista. A começar pelo volume, o patamar já impressiona: são
200 mil pessoas por dia em uma data comum, 5 toneladas de lixo, 3,8 mil
comércios e movimentação financeira diária que pode chegar a R$ 300 milhões nas
datas mais quentes do ano.
Tudo isso orbitando uma rua que
tem pouco mais de 1,3 quilômetro de extensão. Para entender como esse organismo
se sustenta, a Agência DC News percorreu toda a via, observou
o fluxo, registrou fachadas, ambulantes, lixeiras, câmeras, cargas e
deslocamentos. O resultado é um retrato mensurado da rotina de uma rua que
opera em outra escala, em que cada metro quadrado carrega uma economia própria.
O percurso virou números. E os números contam uma história.
200 mil
pessoas é o fluxo diário médio da 25 de
Março. O volume equivale a cerca de 2,5 Maracanãs lotados – o maior estádio do
Brasil em capacidade, com 78,8 mil lugares. A comparação ajuda a dimensionar o
impacto humano da via. Em um dia comum, a rua concentra praticamente o mesmo
público que lotou o Maracanazo na histórica final da Copa do Mundo de 1950,
quando o estádio recebeu praticamente 173 mil torcedores. A rua recebe
diariamente o dobro de pessoas que assistiram à posse do Papa Francisco, em
março de 2013, no Vaticano, em Roma.
1 milhão
de pessoas é o quanto pode chegar o fluxo
de pessoas em épocas sazonais (final de ano). Esta população diária é
comparável à população total da cidade de Campinas (SP), que possuía 1.138.309
habitantes no Censo de 2022.
3,8 mil
comércios compõem a região da 25 de
Março, que soma 17 ruas, no total, segundo a União dos Lojistas da Rua 25 de
Março e Adjacências (Univinco). Quando observada apenas a própria 25 de Março,
são 1,1 mil pontos comerciais, dos quais 590 são lojas de rua e outros 510
funcionam em boxes e pequenas salas de galerias. Ela concentra mais que o dobro
do número de lojas do Shopping Aricanduva, o maior complexo comercial da
América Latina, que abriga cerca de 500 operações.
R$ 120
milhões por dia é a movimentação
financeira aproximada em períodos normais. Foi o quanto investiu o Governo de
São Paulo na inauguração e reforma de creches em 2024.
R$ 300
milhões é a quanto pode chegar a
movimentação financeira em datas especiais (Dia das Mães, Natal, etc.),
montante equivalente ao tamanho de um grande prêmio das Loterias CAIXA.
17
lixeiras estão distribuídas ao longo de
toda a extensão da 25 de Março. Isso significa uma lixeira a cada 76 metros,
número muito abaixo do recomendado pelo Manual de Desenho Urbano e Obras
Viárias, que indica duas por face de quadra. Se a diretriz fosse seguida, o
ideal mínimo para a rua seria 84 unidades, quase cinco vezes mais que o
disponível hoje.
5,6 mil
apreensões foram registradas durante ações
de fiscalização realizadas na via entre janeiro e 15 de outubro, de acordo com
os dados enviados pela Prefeitura de São Paulo. O número reúne diferentes tipos
de ocorrências, como recolhimento de mercadorias irregulares e autuações
administrativas. De acordo com o Anuário da Falsificação, da Associação
Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), foram realizadas no país, entre
janeiro de 2024 e janeiro de 2025, 1.587 operações de combate à pirataria conduzidas
pelas polícias Civil, Federal, Rodoviária Federal e pela Receita Federal.
Segundo o levantamento, as falsificações, o contrabando e a pirataria causaram
um prejuízo estimado de R$ 471 bilhões ao país em perdas de arrecadação
tributária e de faturamento das indústrias legalmente estabelecidas.
1,3 km é a extensão total da Rua 25 de Março, segundo medição do Google
Maps. O trecho corresponde a menos da metade da Avenida Paulista e equivale a
13 quarteirões.
203
câmeras de segurança estão visíveis na 25 de Março,
segundo levantamento da reportagem. O número representa 2,25% das 9 mil câmeras
instaladas no Centro de São Paulo e 0,5% do total de 40 mil equipamentos do
programa Smart Sampa em toda a cidade. A região central, inclusive, é a segunda
zona mais monitorada por câmeras da cidade, atrás apenas da Zona Oeste. O
Centro também abriga o 1º Distrito Policial – Sé, responsável pelo atendimento
da 25 de Março. Segundo a prefeitura, foram 48 prisões neste ano.
159
ambulantes/vendedores estavam circulando na 25 de
Março durante a medição da reportagem. Atualmente, existem 20.449 Termos de
Permissão de Uso (TPUs) ativos na cidade de São Paulo, informou a Prefeitura,
sendo o documento necessário para exercício da atividade. Na prática, em um único
dia, a 25 de Março concentrou quase 1% de todos os permissionários de toda a
cidade de São Paulo. O número equivale a um vendedor a cada oito metros da via.
192
fachadas abertas foram identificadas pela
reportagem. Segundo a Abrasce, em 2024, o Brasil possuía 648 shoppings centers,
com um total de 123,2 mil lojas. Na média, são 190 lojas por mall, próximo ao
número de fachadas abertas na 25 de Março no dia da medição.
30
fachadas fechadas foram identificadas pela
reportagem, o equivalente a uma loja fechada a cada 43 metros. O número, embora
visível no percurso, não reflete retração do comércio local. Segundo
levantamento da Hoff Analytics, feito a pedido da Associação Comercial de São
Paulo, o Centro Histórico teve em 2024 saldo positivo de abertura de empresas.
Foram 291 negócios inaugurados contra 281 encerrados. A rotatividade é parte da
dinâmica da região central e foi o primeiro saldo positivo nos últimos seis
anos.
93 bancas ou mesas estavam dividindo o espaço com lojistas, visitantes e entregadores que circulam pela 25 de Março. Distribuídas ao longo dos 1,3 km da via, equivalem a uma banca a cada 14 metros, em média - densidade próxima à de uma feira livre tradicional, só que operando diariamente. A proporção também mostra o peso do comércio informal: para cada seis lojas de rua, há uma banca ocupando calçada. Quando considerada toda a extensão da via, são aproximadamente sete bancas por quarteirão.
Victor Marques - DC News
https://www.dcomercio.com.br/publicacao/s/160-anos-da-25-de-marco-o-retrato-da-maior-vitrine-do-comercio-popular-da-america-latina

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