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| Internet CO Assessoria |
Especialistas pedem penas mais duras e maior agilidade na aplicação da Lei nº 14.132; registros aumentam em todo o país desde a criação do crime
Uma juíza de Minas
Gerais passou quatro meses sendo perseguida por um homem que enviava mensagens
ameaçadoras, cartas obsessivas e até fotos da residência da magistrada. O autor
foi preso no Paraná, após a mobilização de forças policiais em dois estados.
Embora o desfecho tenha resultado em prisão preventiva, o caso ilustra um
padrão que preocupa especialistas: o crime de stalking está em alta no Brasil,
mas a resposta do sistema de justiça ainda é lenta e, muitas vezes, ineficaz.
Desde 2021, o
crime de perseguição está previsto no artigo 147-A do Código Penal, com pena de
seis meses a dois anos de reclusão, além de multa. A punição pode ser agravada
em situações específicas, como o uso de arma ou quando a vítima é mulher. No
entanto, segundo o advogado criminalista Davi Gebara, a pena ainda é
considerada branda diante dos danos que a perseguição pode causar.
“O reconhecimento
legal foi um passo importante, mas hoje o que vemos é um crime recorrente, com
vítimas vulneráveis e agressores que muitas vezes respondem em liberdade. Falta
efetividade na aplicação da lei e agilidade na concessão de medidas
protetivas”, avalia Gebara.
Em estados como
São Paulo, os números crescem a cada ano. Apenas em 2023, foram mais de 7 mil
registros formais de stalking. No Distrito Federal, dados da Polícia Civil
mostram que a maior parte das vítimas são mulheres, perseguidas por
ex-companheiros ou pessoas conhecidas do convívio digital.
Gebara defende que
o tema precisa ser enfrentado em três frentes: punições mais severas, resposta
judicial mais rápida e prevenção digital. “A maior parte dos perseguidores
começa o monitoramento pelas redes sociais. Por isso, proteger a própria
exposição online é uma forma direta de reduzir riscos”, afirma.
Ele também recomenda
que vítimas não esperem situações extremas para procurar ajuda. “Contato
insistente, envio repetido de mensagens, tentativas de aproximação forçada:
tudo isso já é sinal de alerta. O ideal é denunciar cedo, reunir provas e pedir
medidas cautelares”, diz.
Para
especialistas, o crescimento dos casos e a repercussão de episódios envolvendo
figuras públicas devem servir de alerta. Embora a legislação exista, ainda faltam
estrutura, prioridade e consciência social sobre o impacto real da perseguição
psicológica e digital. “Esse é um crime que rouba a paz cotidiana da vítima.
Não é exagero — é um risco real e crescente”, conclui Gebara.

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