A promessa é tentadora: um sistema tributário mais simples, com menos burocracias e regras unificadas. Quem nunca sonhou com isso que atire a primeira nota fiscal eletrônica! Mas, antes de comemorar o fim da complexidade tributária brasileira, vale a pena entender que a simplicidade prometida vem acompanhada de uma transição digna de novela — daquelas com muitas reviravoltas e capítulos longos, afinal, a tão falada reforma tributária foi aprovada.
A mudança é real e começa a entrar em cena aos
poucos já em 2026. O problema? O que parecia ser um “finalmente vai facilitar!”
pode se revelar mais para uma “opa, acho que preciso rever minha estrutura
inteira”. No entanto, isso não é motivo para pânico, apenas para uma maior
atenção.
Menos impostos? Não exatamente — a reforma não
reduz a carga tributária, a ideia aqui é reestruturar como os tributos são
cobrados, não quanto se paga. É como trocar o carro — o modelo é novo, mais
moderno, entretanto, o combustível continua caro.
Hoje, temos uma sopa de letrinhas: ICMS, IPI, PIS, COFINS, ISS. No futuro muito
próximo, teremos o famoso IVA — Imposto sobre Valor Agregado. E, embora a
promessa seja de mais transparência, a verdade é que sua alíquota não aliviará
o bolso.
Entre 2026 e 2032, viveremos sob dois sistemas
tributários ao mesmo tempo. Você leu certo. É como aprender a dançar forró com
uma perna no samba. Durante esse período, empresas terão que operar com regras
novas e antigas lado a lado. Emissão de nota, cálculo de crédito, apuração —
tudo em dobro. E se você acha isso divertido, é porque nunca entregou um SPED
no último minuto.
Ainda tem muita coisa em aberto. Um dos pontos mais
comentados é o tal do split payment, que terá como característica separar o
valor do imposto automaticamente, no momento da transação, e, já repassá-lo aos
cofres públicos. Parece moderno, né? Pois é. Mas o que se sabe até agora é que
será bem complexo. Seguimos aguardando as cenas dos próximos capítulos. Também
tem a questão dos créditos acumulados. Se sua empresa possui valores a recuperar
pagos a mais ao fisco, o prazo para pedi-los de volta termina no final de 2025.
Depois disso, é fila de 20 anos para ver a cor do dinheiro.
Apesar de parecer que o "bicho ainda nem
acordou", 2025 é o ano de arrumar a casa. É hora de olhar com atenção e urgência
para sistemas, processos e equipes. Vale revisar fornecedores, entender o
impacto nos preços e, principalmente, investir em treinamento. Porque sim, tudo
vai mudar — mas, quem se preparar agora sai na frente.
E não é necessário fazer isso sozinho, afinal, consultorias especializadas em
tributação já estão de olho nesse cenário e podem ajudar sua empresa a se
adaptar sem surtar no caminho.
A reforma tributária não é o fim do mundo,
entretanto, também não é o paraíso fiscal prometido. É como aquela faxina que a
gente adia: no começo parece tranquila, mas quando começa a mexer nos armários,
percebe que tem muito mais coisa para limpar do que se imaginava. Portanto,
respire, beba uma água e comece a se preparar. Porque a reforma já está aí — e,
com ela, muitas oportunidades para quem souber navegar nessa nova fase com
inteligência e um bom planejamento.
Que em 2033 possamos, enfim, olhar para trás e rir
da loucura que foi o período de transição — um capítulo confuso da nossa
história tributária. Que possamos celebrar um sistema simples, unificado,
funcional. Um modelo em que o imposto não seja mais um enigma, a nota fiscal
não pareça um código secreto, e o contribuinte consiga apenas entender, pagar e
seguir a vida. Sem drama, sem novela. E, com um pouco de sorte, tão claro que
até o grupo da família pare de perguntar se o Pix vai ser taxado.
Regiane Rios - especialista fiscal e contábil do Grupo Skill.
Grupo Skill
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