Caminhar em parques ou frequentar bibliotecas públicas podem transformar a saúde física, emocional e mental sem gastar nada
Se
exercitar, dormir bem, comer de forma equilibrada, socializar, respirar fundo e
até se permitir o ócio criativo. A lista pode parecer básica, mas, segundo o
neurocirurgião, neurocientista e professor livre-docente da USP, Dr. Fernando
Gomes, esses hábitos simples – e muitas vezes gratuitos – são capazes de
impulsionar o funcionamento do cérebro, melhorar o humor e até prevenir doenças
neurodegenerativas.
“Nosso
cérebro é como um músculo. Ele responde aos estímulos que oferecemos a ele
diariamente. O que pouca gente percebe é que esses estímulos podem vir de ações
simples, que estão disponíveis para todos, principalmente em cidades que
oferecem parques, bibliotecas, centros culturais e espaços públicos de
convivência”, explica o médico.
O
especialista indica maneiras adotar algumas práticas gratuitas, acessíveis e
eficazes para cuidar do cérebro e da saúde integral:
Caminhar em parques ou praças arborizadas:
Estar em contato com a natureza reduz o estresse e ativa áreas cerebrais
relacionadas à criatividade. “Só 20 minutos andando num parque público já
diminuem os níveis de cortisol e ajudam o cérebro a processar melhor
informações”, afirma Dr. Fernando.
Frequentar bibliotecas públicas ou centros culturais:
“Ler estimula a memória, o raciocínio e a empatia. Muitas bibliotecas públicas
oferecem acervos gratuitos, clubes de leitura e eventos culturais, que são
verdadeiros banhos de estímulos cerebrais”, diz o especialista.
Participar de atividades em centros esportivos ou CEUs (Centros Educacionais Unificados):
Muitas prefeituras oferecem aulas de alongamento, ioga, dança ou esportes.
“Movimento regular é um antídoto natural contra depressão e ansiedade, e ainda
estimula áreas do cérebro ligadas à coordenação e planejamento”, reforça.
Utilizar ciclovias e pistas de caminhada:
Andar de bicicleta ou caminhar por ciclovias públicas ativa o corpo e oxigena o
cérebro. Além disso, essas práticas promovem contato com a cidade e senso de
pertencimento.
Aproveitar as feiras livres e cozinhar em casa:
“Comprar alimentos frescos em feiras de rua e preparar sua própria comida é um
excelente exercício de planejamento, controle motor fino e autocuidado – além
de ser mais saudável e econômico”, afirma o neurocirurgião.
Visitar museus e exposições gratuitas:
Muitos museus têm entrada gratuita em dias específicos da semana. “A arte ativa
áreas emocionais do cérebro e provoca reflexão, criatividade e curiosidade –
componentes essenciais para manter a mente ativa e saudável.”
Cultivar vínculos comunitários:
Conversar com vizinhos, participar de projetos sociais ou rodas de conversa em
centros comunitários ajuda a manter conexões sociais. “O cérebro humano é
social por natureza. O isolamento enfraquece as redes neurais; já o contato
fortalece a empatia e reduz sintomas de ansiedade”, explica o médico.
Utilizar áreas públicas para meditar ou respirar:
Praças silenciosas e jardins públicos são ideais para práticas de respiração
consciente. “Cinco minutos de respiração profunda em um espaço tranquilo já são
suficientes para desacelerar o cérebro e reequilibrar o corpo”, orienta.
A
proposta, segundo Dr. Fernando Gomes, não é mudar a vida de um dia para o
outro, mas sim incluir práticas possíveis e constantes. “A neuroplasticidade
permite que novos hábitos moldem o cérebro para funcionar melhor. As cidades
oferecem recursos que não custam nada e têm imenso valor para a saúde mental e
física. É só usá-los”, conclui.
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