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sábado, 7 de junho de 2025

Mudança de hábitos simples e gratuitos ajudam o cérebro a funcionar melhor

 Caminhar em parques ou frequentar bibliotecas públicas podem transformar a saúde física, emocional e mental sem gastar nada

 

Se exercitar, dormir bem, comer de forma equilibrada, socializar, respirar fundo e até se permitir o ócio criativo. A lista pode parecer básica, mas, segundo o neurocirurgião, neurocientista e professor livre-docente da USP, Dr. Fernando Gomes, esses hábitos simples – e muitas vezes gratuitos – são capazes de impulsionar o funcionamento do cérebro, melhorar o humor e até prevenir doenças neurodegenerativas. 

“Nosso cérebro é como um músculo. Ele responde aos estímulos que oferecemos a ele diariamente. O que pouca gente percebe é que esses estímulos podem vir de ações simples, que estão disponíveis para todos, principalmente em cidades que oferecem parques, bibliotecas, centros culturais e espaços públicos de convivência”, explica o médico. 

O especialista indica maneiras adotar algumas práticas gratuitas, acessíveis e eficazes para cuidar do cérebro e da saúde integral:
 

Caminhar em parques ou praças arborizadas:

Estar em contato com a natureza reduz o estresse e ativa áreas cerebrais relacionadas à criatividade. “Só 20 minutos andando num parque público já diminuem os níveis de cortisol e ajudam o cérebro a processar melhor informações”, afirma Dr. Fernando.


Frequentar bibliotecas públicas ou centros culturais:
“Ler estimula a memória, o raciocínio e a empatia. Muitas bibliotecas públicas oferecem acervos gratuitos, clubes de leitura e eventos culturais, que são verdadeiros banhos de estímulos cerebrais”, diz o especialista.


Participar de atividades em centros esportivos ou CEUs (Centros Educacionais Unificados):

Muitas prefeituras oferecem aulas de alongamento, ioga, dança ou esportes. “Movimento regular é um antídoto natural contra depressão e ansiedade, e ainda estimula áreas do cérebro ligadas à coordenação e planejamento”, reforça.


Utilizar ciclovias e pistas de caminhada:

Andar de bicicleta ou caminhar por ciclovias públicas ativa o corpo e oxigena o cérebro. Além disso, essas práticas promovem contato com a cidade e senso de pertencimento.


Aproveitar as feiras livres e cozinhar em casa:

“Comprar alimentos frescos em feiras de rua e preparar sua própria comida é um excelente exercício de planejamento, controle motor fino e autocuidado – além de ser mais saudável e econômico”, afirma o neurocirurgião.


Visitar museus e exposições gratuitas:

Muitos museus têm entrada gratuita em dias específicos da semana. “A arte ativa áreas emocionais do cérebro e provoca reflexão, criatividade e curiosidade – componentes essenciais para manter a mente ativa e saudável.”


Cultivar vínculos comunitários:

Conversar com vizinhos, participar de projetos sociais ou rodas de conversa em centros comunitários ajuda a manter conexões sociais. “O cérebro humano é social por natureza. O isolamento enfraquece as redes neurais; já o contato fortalece a empatia e reduz sintomas de ansiedade”, explica o médico.


Utilizar áreas públicas para meditar ou respirar:

Praças silenciosas e jardins públicos são ideais para práticas de respiração consciente. “Cinco minutos de respiração profunda em um espaço tranquilo já são suficientes para desacelerar o cérebro e reequilibrar o corpo”, orienta.

A proposta, segundo Dr. Fernando Gomes, não é mudar a vida de um dia para o outro, mas sim incluir práticas possíveis e constantes. “A neuroplasticidade permite que novos hábitos moldem o cérebro para funcionar melhor. As cidades oferecem recursos que não custam nada e têm imenso valor para a saúde mental e física. É só usá-los”, conclui.


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