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quinta-feira, 5 de junho de 2025

Exame de sangue detecta Parkinson antes dos primeiros sintomas e pode revolucionar diagnóstico da doença

 Estudo internacional revela que a análise de fragmentos de RNA no sangue alcança 86% de precisão e antecipa o diagnóstico da doença de Parkinson

 

Um novo exame de sangue, desenvolvido por cientistas da Universidade Hebraica de Jerusalém e do Imperial College London, promete transformar o diagnóstico da doença de Parkinson. O exame permite a detecção da doença antes do aparecimento dos primeiros sintomas.

O estudo, publicado na revista Nature Aging, revelou que a análise de duas moléculas de RNA — uma que se acumula nos pacientes e outra que diminui com a progressão da doença — permite identificar sinais da condição em estágio inicial com 86% de precisão. Essa descoberta possibilita a detecção do biomarcador da doença antes mesmo do aparecimento dos primeiros sintomas motores, como tremores e rigidez muscular.

Para quantificar essas moléculas, os cientistas utilizaram a mesma tecnologia do PCR, usada durante a pandemia para confirmar casos de covid, que permite amplificar pequenas sequências genéticas. O método é considerado simples, rápido e barato e pode ser usado em diferentes contextos de atendimento médico.

A pesquisa analisou amostras de sangue, fluido espinhal e tecidos cerebrais de pacientes diagnosticados com a doença. Em seguida, os resultados foram comparados com amostras de pessoas saudáveis e pacientes com Alzheimer. Verificou-se que aqueles indivíduos com doença de Parkinson apresentavam níveis elevados de um tipo de RNA chamado RGTTCRA-tRFs e níveis reduzidos de outro tipo, os MT-tRFs. Essa diferença estava presente também em pessoas com predisposição genética para a doença, mesmo antes de os sintomas surgirem. Isso indica que o exame poderia identificar a doença antes dos tremores, da rigidez e de outros sintomas motores aparecerem.

A doença de Parkinson é uma doença neurológica progressiva em que as células nervosas do cérebro são perdidas com o passar do tempo. Isso leva à redução da dopamina, substância química que desempenha um papel importante no controle dos movimentos.

“A doença de Parkinson é degenerativa do sistema nervoso central e ocorre pela perda de células nervosas produtoras de dopamina, afetando o controle dos movimentos do corpo. Atualmente, é possível diagnosticá-la com a presença de sintomas e questionários clínicos. Neste cenário, já houve perdas significativas de células cerebrais e isto pode limitar as chances de tratamentos precoces mais eficazes. Porém, com essa nova proposta de exame, isso pode mudar”, destaca o Dr. Carlos Aschoff, médico geneticista do DB Molecular.

Pesquisas recentes indicam que a incidência da doença de Parkinson no mundo pode aumentar nos próximos anos, chegando a 267 casos em 100 mil pessoas até 2050. Isso significa que os casos praticamente dobrariam no período. Por isso a importância do estudo e um marco na luta contra a doença.

De acordo com a professora Hermona Soreq, da Universidade Hebraica de Jerusalém e supervisora do estudo, “A descoberta representa um grande avanço na nossa compreensão da doença de Parkinson e oferece um exame de sangue simples e minimamente invasivo como ferramenta para o diagnóstico precoce”.

A nova tecnologia está sendo patenteada nos Estados Unidos, e os cientistas esperam que em breve esteja disponível para uso clínico, possibilitando assim diagnósticos mais precisos, tratamentos mais eficazes e melhor qualidade de vida para milhões de pessoas no mundo todo.

“Atualmente, realizar o diagnóstico preciso de doença de Parkinson precocemente é difícil, e os tratamentos existentes ajudam no controle/alívio dos sintomas, porém sem impedir a progressão da doença. Identificar a doença de Parkinson antes dos primeiros sintomas pode abrir caminho para novos tratamentos capazes de retardar seu avanço”, complementa o Dr. Aschoff.

 

DB Molecular


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