Segundo empresa de dados judiciais Predictus, de 2017 a 2020, os registros mensais variavam entre 20 e 35 mil casos
O Dia dos Namorados, celebrado na quinta-feira (12), se aproxima, e com ele, a tradicional celebração do amor romântico. Vitrines se enchem de presentes, campanhas publicitárias falam de cumplicidade e as redes sociais se inundam de declarações. No entanto, para milhares de mulheres brasileiras, essa data representa o oposto: medo, silêncio e dor.
De acordo com estudo da Predictus, maior banco de dados judiciais do Brasil, mais de 47
mil processos por violência doméstica foram abertos no Brasil apenas em março
de 2025 — o maior número já registrado nos últimos anos. Esse dado alarmante
revela uma dura realidade que se intensifica em silêncio, muitas vezes dentro
de casa.
Nos anos de 2017 a 2020, os registros mensais variavam entre 20
e 35 mil casos. Durante o isolamento, os números caíram, mas não os episódios.
A partir de 2021, as denúncias voltaram a crescer. E 2023, 2024 e agora 2025
consolidam a maior escalada já registrada. O estudo traz ainda que nos
primeiros meses de isolamento social, os números caíram, não por melhora, mas
devido ao medo, à falta de acesso a canais de denúncia e ao controle exercido
pelo agressor.
A partir de 2021, os casos voltaram a crescer. Entre 2023 e 2024, os registros se mantiveram altos. E agora, em 2025, atingem um novo pico preocupante. O fundador da Predictus Hendrik Eichler, explica que o estudo levou em conta processos públicos, porém, segundo ele, várias ações dessa natureza tramitam em segredo de justiça. “Os dados do estudo não são apenas estatísticas, mas sim histórias de violência, trauma e, em muitos casos, sobrevivência. O alerta vale especialmente para quem trabalha com pessoas — em setores como Recursos Humanos, jurídico, liderança ou gestão. É preciso lembrar que a violência doméstica não está distante: ela pode estar em qualquer ambiente, inclusive nas organizações. Ignorar sinais ou deixar de acolher denúncias pode custar caro — e, em alguns casos, a própria vida da vítima”, alerta Hendrik.

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