Em meio à crescente valorização do autocuidado e à revisão de antigos estigmas sobre masculinidade, o mercado de higiene e cuidados pessoais voltado ao público masculino ganha fôlego no Brasil. Dados do estudo Beauty Plan 2024, da consultoria Equilibrium, mostram que 36% dos homens brasileiros já adotaram rotinas estruturadas de cuidado pessoal, enquanto 62% ainda mantêm hábitos esporádicos, comprando produtos apenas quando necessário. Esse avanço revela não apenas uma oportunidade de negócio, mas uma transformação cultural em curso, marcada por maior abertura dos homens à saúde, estética e bem-estar.
Com o país ocupando o segundo lugar no ranking global de consumo
de produtos de cuidados pessoais para os homens, atrás apenas dos Estados
Unidos, segundo a Euromonitor International, o potencial do setor é claro. Em
2023, o segmento movimentou mais de R$ 5 bilhões, impulsionado principalmente
pela procura por itens como shampoos, desodorantes, cremes de barbear e
produtos para barba. A tendência é de crescimento contínuo: é estimado que, até
2027, esse mercado registre uma alta de 20%.
A mudança de comportamento também vem sendo acompanhada por
transformações geracionais. Os homens da geração Z e os millennials
lideram o movimento, com maior predisposição a testar novos produtos, buscar
marcas com propósito e se engajar em discussões sobre bem-estar masculino. Essa
nova postura já pressiona a indústria a oferecer soluções mais específicas,
acessíveis e livres de estigmas. “O cuidado masculino ainda é marcado pelo
improviso, mas essa realidade está mudando. As empresas que souberem ouvir e
respeitar as particularidades desse público vão sair na frente”, afirma Lídia
Cabral, especialista em inovação voltada ao bem-estar e CEO da Nuudo.
Apesar dos avanços, o mercado ainda enfrenta entraves estruturais
e culturais e a escassez de campanhas direcionadas, a baixa oferta de produtos
voltados para a saúde íntima masculina e o preconceito associado ao autocuidado
ainda limitam o alcance das marcas. A ausência de uma comunicação que reflita a
pluralidade das masculinidades também contribui para a resistência de parte dos
consumidores.
Mesmo assim, o crescimento do segmento sinaliza uma mudança de
paradigma. De um lado, homens mais conscientes e engajados; de outro, uma
indústria desafiada a repensar seus modelos e narrativas. O futuro do bem-estar
masculino será pautado por inovação, escuta e respeito às particularidades,
refletindo um Brasil em que cuidar de si também passa a ser, finalmente, coisa
de homem.
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