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segunda-feira, 9 de junho de 2025

Dia dos Namorados: casais que compartilham despesas economizam mais de R$ 1 mil por mês

Especialista mostra como dividir despesas e alinhar perfis pode ser o melhor presente para o futuro do casal

No Dia dos Namorados, o amor está no ar — e a fatura do cartão também. Mais do que presentes e jantares, a data reacende um tema que muitos casais evitam: como organizar as finanças a dois?


Mais do que uma conversa sobre “quem paga o quê”, a organização financeira conjunta pode representar uma economia significativa: até R$ 1.092 por mês (R$ 13.104 por ano), apenas ao dividir despesas fixas como aluguel, condomínio e alimentação. A projeção leva em conta uma simulação baseada em custos médios em grandes centros urbanos, considerando a diferença entre morar sozinho e morar com o parceiro(a).

Mas as vantagens não param por aí. Casais que adotam práticas como divisão proporcional de despesas, uso de contas conjuntas ou mistas, e estratégias de investimento conjuntas também relatam menos conflitos financeiros. Segundo uma pesquisa da B3 em parceria com a plataforma Meu Compromisso, 36% dos casais brigam por dinheiro ao menos uma vez por semana, o que revela a importância de conversar abertamente sobre orçamento, metas e divisão de despesas.

“Quando o relacionamento evolui, é natural que surja a dúvida sobre como alinhar a vida afetiva com a financeira. Conversar sobre orçamento, despesas e metas é tão importante quanto falar de sonhos e valores. Afinal, dinheiro e sentimentos caminham lado a lado”, pontua Thaisa Durso, educadora financeira da Rico.


Como dividir as despesas com justiça nas finanças a dois

A divisão proporcional à renda costuma ser o caminho mais justo. A lógica parte do princípio de que justiça não é o mesmo que igualdade: um parceiro que ganha R$ 6 mil e outro que ganha R$ 4 mil podem dividir uma despesa de R$ 2 mil em 60% (R$ 1.200) para quem ganha mais e 40% (R$ 800) para quem ganha menos — mantendo o esforço financeiro equilibrado.

Esse cuidado é ainda mais relevante ao considerar dados do 2º Relatório de Transparência Salarial e Critérios Remuneratórios: as mulheres ainda recebem, em média, apenas 79,3% do salário dos homens no mesmo cargo.


Aplicando o Método 50-30-20

Uma estratégia complementar para casais é usar o método 50-30-20 (essenciais, desejos e objetivos), adaptado à renda total. Veja dois exemplos práticos:

Renda Total

Renda A

Renda B

Essenciais (50%)

A paga

B paga

Desejos (30%)

Objetivos (20%)

8.000

5.000

3.000

4.000

2.500

1.500

2.400

1.600

10.000

6.000

4.000

5.000

3.000

2.000

3.000

2.000

Com esse modelo, o casal consegue equilibrar as responsabilidades financeiras de acordo com a capacidade de cada um, sem renunciar à autonomia individual ou aos objetivos comuns. A divisão dos 50% essenciais segue o peso da renda de cada parceiro (A e B). Já os 30% (desejos) e 20% (objetivos) podem ser usados de forma combinada ou individual, de acordo com os acordos e metas do casal.


Conta conjunta, separada ou mista: qual o melhor modelo?

Não existe fórmula única, mas uma pesquisa publicada no estudo “Common Cents: Bank Account Structure and Couples' Relationship Dynamics”, publicado no Journal of Consumer Research (dez/2023), casais que optam por contas conjuntas tendem a relatar maior qualidade no relacionamento nos primeiros anos e menos discussões financeiras.

“Isso ocorre porque o compartilhamento financeiro promove mais transparência e incentiva conversas honestas sobre hábitos de consumo”, explica Thaisa.

Os três modelos principais são:

  • Contas separadas: cada um cuida de sua própria renda e contribui para os custos comuns. Exige organização e boa comunicação para evitar conflitos.
  • Conta conjunta única: todas as receitas vão para uma conta comum, de onde saem todas as despesas. Estimula o senso de “um só time”, mas pode gerar atritos se não houver liberdade para gastos individuais.
  • Modelo misto: cada um mantém uma conta pessoal, mas contribui para uma conta conjunta usada nas despesas fixas do casal. É frequentemente visto como o modelo mais equilibrado, por conciliar autonomia com parceria.


Economia compartilhada: morar junto pode gerar R$ 13 mil por ano

Dividir um lar não significa apenas mais intimidade, mas também uma grande oportunidade de economia.

“Para quantificar os benefícios de dividir despesas, é essencial analisar comparativamente os custos mensais de uma pessoa morando sozinha em relação a um casal que compartilha a mesma residência”, comenta a especialista.

Veja a simulação abaixo, com uma análise baseada em dados recentes e aplicável principalmente a grandes centros urbanos, onde muitos casais iniciam suas carreiras.

Categoria de Despesa

Custo Individual (1 pessoa)

Custo Total Separado (2 pessoas)

Custo Casal (Morando Junto)

Economia Mensal do Casal

Observações

Aluguel

R$ 1.725

R$ 3.450

R$ 2.915

R$ 535

Baseado em apartamento de 45m² para 1 pessoa e 65m² para casal. Valores médios por m²: R$ 38,35 e R$ 44,84.¹² Referências: FipeZap, 2024

Condomínio (incl. água/gás/IPTU)

R$ 200

R$ 400

R$ 350

R$ 50

Estimativa com inclusão de contas básicas. Valor do casal ligeiramente superior por área e serviços.¹³

Luz

R$ 100

R$ 200

R$ 160

R$ 40

Aumento de ~60% com duas pessoas. Não dobra, pois há eficiência no consumo.¹

Internet

R$ 150

R$ 300

R$ 150

R$ 150

Mesmo plano compartilhado. Gasto é fixo por domicílio.¹

Alimentação

R$ 792

R$ 1.584

R$ 1.267

R$ 317

Baseado na cesta básica (SP, mai/24). Economia por compra em maior escala. Estimativa de 1,6x o custo individual.¹⁵

Transporte (público x2)

R$ 264

R$ 528

R$ 528

R$ 0

Sem economia direta, assumindo uso individual de transporte público.¹⁵

TOTAL

R$ 3.231

R$ 6.462

R$ 5.370

R$ 1.092

Redução significativa ao compartilhar despesas fixas.

Morar junto pode representar uma economia que viabiliza desde uma reserva de emergência até planos maiores, como comprar um imóvel, investir ou planejar filhos.


E na hora de investir? Especialista explica o que vale mais a pena
De acordo com a especialista da Rico, o melhor modelo de investimento a dois depende do perfil do casal.

"Legalmente, no Brasil, as contas de investimento são individuais e vinculadas a um único CPF. Porém, isso não impede que o casal invista com um plano em comum, desde que haja confiança e planejamento. Por exemplo, um pode focar em ações e o outro em fundos imobiliários e, juntos, compõem uma estratégia mais diversificada e adaptada a seus perfis de risco."

Outra possibilidade, segundo Thaisa, é que ambos invistam em carteiras igualmente diversificadas, respeitando o perfil de risco de cada um.

"Se um é conservador e prefere renda fixa, não faz sentido forçá-lo a investir em ativos voláteis como criptomoedas. O equilíbrio está em conversar sobre metas conjuntas, como a compra de um imóvel ou a aposentadoria, mas manter certa independência nas decisões de risco."


Qual o valor que essa decisão pode ter a longo prazo?

Para mostrar o impacto de transformar a economia da vida a dois em investimento, a Rico simulou dois cenários. No primeiro, o casal investe a economia mensal de R$ 1.092 em uma carteira diversificada, com uma taxa de retorno real de 5% ao ano, ou seja, já descontada a inflação. Essa taxa é considerada conservadora para investimentos de longo prazo, como Tesouro IPCA+ e fundos equilibrados.

No segundo, os dois moram separados e conseguem investir apenas R$ 200 cada por mês — totalizando R$ 400 mensais. A mesma taxa real de 5% foi aplicada para isolar o efeito dos aportes mensais diferentes.

A tabela abaixo apresenta a diferença acumulada ao longo do tempo:

Período (Anos)

Valor Total Aportado pelo Casal (R$ 1.092/mês)

Patrimônio Acumulado do Casal (5% a.a.)

Patrimônio Hipotético sem dividir custos fixos (R$ 400/mês, 5% a.a.)

Diferença de Patrimônio

5

R$ 65.520

R$ 72.400

R$ 26.500

R$ 45.900

10

R$ 131.040

R$ 164.800

R$ 60.400

R$ 104.400

15

R$ 196.560

R$ 282.800

R$ 103.600

R$ 179.200

20

R$ 262.080

R$ 433.300

R$ 158.700

R$ 274.600

30

R$ 393.120

R$ 870.500

R$ 318.900

R$ 551.600

Os valores foram calculados com base em juros compostos e aportes mensais regulares.

Essa projeção evidencia como o casal pode potencializar seu futuro financeiro ao unir esforços desde já. Em três décadas, a disciplina de investir R$ 1.092 por mês pode resultar em um patrimônio de cerca de R$ 870 mil em valores reais, praticamente três vezes mais que o cenário de investimentos individuais mais modestos.

Thaisa alerta que, independentemente da forma de investir, há um item essencial: a reserva de emergência. Ela recomenda acumular entre três e seis meses do custo de vida do casal em aplicações seguras e de fácil resgate, como o Tesouro Selic ou CDBs com liquidez diária.


Organizar a vida financeira a dois não atrapalha o romance — fortalece a parceria.
Não existe fórmula única: o importante é que o casal encontre o modelo que funcione para ambos, com base no diálogo, respeito e metas compartilhadas.

"O casal que conversa sobre dinheiro não constrói apenas patrimônio, mas também estabilidade emocional, cumplicidade e liberdade para sonhar e realizar juntos ", conclui Thaisa.

 

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