Comer pela falta:
o que a escola vê que nem sempre a família percebe
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No ambiente escolar, onde a infância se expressa em
gestos, palavras soltas e pequenos silêncios, a alimentação revela mais do que
preferências: ela anuncia emoções. No Dia da Conscientização contra a Obesidade
Infantil - 3 de junho - especialista da educação reforça o papel da escola como
espaço de escuta e acolhimento, especialmente quando o prato das crianças
começa a refletir sinais de desequilíbrio emocional.
Com o aumento preocupante dos índices de obesidade
infantil no Brasil, cresce também a responsabilidade de famílias e educadores
em observar e compreender o que de fato está por trás do excesso de peso.
“Em muitos casos, a criança não está apenas comendo
em excesso, mas comendo pela falta de rotina, de presença afetiva, de segurança
emocional”, explica Dayse Campos, diretora da escola Interpares - PR.
Pesquisas recentes apontam que o cérebro, diante de
situações de estresse, solidão ou insegurança, ativa mecanismos de busca por
prazer imediato, o que explica a tendência ao consumo de alimentos
ultraprocessados e calóricos. “Essa relação emocional com a comida, quando não
reconhecida ou acolhida, pode desencadear padrões difíceis de romper”, alerta.
Nesse contexto, o papel da escola se torna
essencial. Professores, pedagogos e demais educadores estão entre os primeiros
a perceber mudanças de comportamento, recusas alimentares, repetições ou
excessos que podem sinalizar algo além do paladar. Deyse conta que na prática,
a escola é, muitas vezes, a primeira a ouvir a fome emocional da criança,
aquela que não aparece nos exames, mas se mostra nas atitudes.
“O filme revelou como a publicidade voltada às
crianças contribui diretamente para o aumento do consumo de alimentos
ultraprocessados, ao mesmo tempo em que limita o acesso a informações e
experiências com alimentos saudáveis”, reflete Dayse.
Os educadores também destacaram o agravamento do
fenômeno conhecido como "fome oculta" quando há excesso de calorias,
mas ausência de nutrientes essenciais. Trata-se de uma realidade cada vez mais
presente nas escolas brasileiras, onde crianças com peso aparentemente adequado
apresentam sinais claros de carência nutricional.
“Mais do que ensinar sobre alimentação, a nossa
missão é promover vínculos entre a criança e seu corpo, entre o que se sente e
o que se come, entre a escola e a família. Porque combater a obesidade infantil
exige mais do que informação nutricional, exige escuta, empatia e compromisso
coletivo”, finaliza a diretora.

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