Se a saúde começa pela boca, na hora de olharmos
para ela com a importância que merece
Pouca gente sabe,
mas uma simples gengivite pode ter impactos muito além da cavidade oral.
Estudos recentes vêm demonstrando uma conexão importante e preocupante entre
doenças periodontais e distúrbios neurológicos, como o Alzheimer. E embora
ainda estejamos distantes de afirmar que uma causa a outra, a ciência já aponta
que manter a boca saudável pode ajudar a proteger também o cérebro.
A doença
periodontal é uma inflamação crônica causada por um grupo específico de
bactérias presentes naturalmente na boca. Quando não tratada, ela pode levar à
perda dos dentes, dor e sangramentos, mas o problema não termina aí. Já
sabemos, há algum tempo, que ela está relacionada a condições como diabetes,
doenças cardiovasculares e partos prematuros. Agora, a conexão com doenças
neurodegenerativas ganha força na literatura médica.
Pesquisas
publicadas desde 2021 identificaram a presença da Porphyromonas gingivalis, a
principal bactéria associada à periodontite, em regiões do cérebro de pacientes
com Alzheimer. O que se estuda, agora, é como essa bactéria poderia “viajar” da
boca até o cérebro e contribuir para o processo inflamatório que acelera a
degeneração neural.
É importante esclarecer: a doença periodontal não é
causa direta do Alzheimer. A demência de origem neurodegenerativa tem múltiplos
fatores de risco, como predisposição genética, resistência à insulina,
obesidade, sedentarismo e idade avançada. No entanto, o quadro inflamatório
gerado por uma infecção crônica na gengiva pode atuar como um fator agravante
da progressão da doença. Em outras palavras, pode ser o gatilho que acelera um
processo que já estaria em curso.
Essa ligação
reforça uma mensagem essencial: saúde oral é saúde sistêmica. Não é apenas
sobre dentes bonitos ou hálito fresco. É sobre qualidade de vida, prevenção e
longevidade. A negligência com a boca cobra um preço alto em outras partes do
corpo. Manter uma rotina de escovação adequada, visitar regularmente o dentista
e tratar doenças periodontais com seriedade é investir na saúde como um todo.
A longevidade da
população exige que repensemos a forma como integramos diferentes áreas da
medicina. Precisamos romper a visão fragmentada entre o “bucal” e o
“sistêmico”, e isso passa por incluir a odontologia de forma mais ativa em
políticas públicas de saúde e estratégias de prevenção em todas as faixas
etárias, especialmente entre idosos e grupos de risco. Se a saúde começa pela
boca, está na hora de olharmos para ela com a importância que merece.
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