Ações impulsivas, influência das redes sociais e falta de planejamento de longo prazo podem ser um dos maiores vilões dos investidores, destaca Henrique Barros, fundador da Invés e especialista em investimentos
Em momentos de incerteza no mercado financeiro, a maioria dos
investidores sente um impulso incontrolável para agir. Comprar, vender,
movimentar a carteira – qualquer coisa para "fazer algo" e evitar
perdas. Mas será que essa é realmente a melhor estratégia? Esse fenômeno,
conhecido como viés de ação, é um dos principais
inimigos do investidor moderno.
Segundo o fundador da Invés e especialista em investimentos,
Henrique Barros, muitas vezes, a melhor decisão é justamente
não agir. "O mercado financeiro é repleto de armadilhas emocionais, e o
viés de ação é uma das mais perigosas. Assim como um goleiro que pula para os
lados sem necessidade, muitos investidores se sentem compelidos a agir, mesmo
quando a inação seria mais rentável", explica.
Essa tendência de agir impulsivamente pode ser comprovada por
pesquisas acadêmicas. Um estudo publicado pela Revista
de Contabilidade e Finanças da USP identificou
que os sentimentos racionais e irracionais dos investidores afetam diretamente
o retorno e a volatilidade do mercado brasileiro. Em momentos de grande
instabilidade, segundo o estudo, investidores são mais propensos a agir movidos
por emoções, o que pode resultar em decisões prejudiciais.
Nos últimos anos, as redes sociais se tornaram um dos principais
catalisadores desse comportamento. Investidores são bombardeados por histórias
de ganhos rápidos e estratégias aparentemente infalíveis. O Fear of
Missing Out (FOMO), ou "medo de ficar de fora",
tornou-se um grande problema.
“Esse fenômeno psicológico, caracterizado pela ansiedade de perder
uma oportunidade valiosa, leva a decisões impulsivas. No contexto dos
investimentos, acontece quando investidores tomam decisões baseadas no medo de
perder ganhos rápidos, muitas vezes motivados por histórias de sucesso
compartilhadas nas redes sociais ou pela alta de determinados ativos. Isso pode
levá-los a comprar na alta, quando o mercado já precificou uma valorização, ou
a vender precipitadamente por receio de perder dinheiro”, alerta Barros.
Dois estudos analisaram o comportamento dos investidores. O
primeiro, publicado na Revista
Mackenzie de Administração, identificou que
investidores reagem de forma assimétrica às variações momentâneas do mercado,
amplificando oscilações e criando ciclos intensos de alta e baixa. Já o
segundo, feito pelo professor José Carlos de Souza
Santos, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, focado em mercado de ações, revelou que o volume de
compra e venda está mais relacionado ao retorno passado do que ao retorno
futuro, indicando que investidores tendem a reagir a eventos passados em vez de
tomar decisões fundamentadas.
O cenário econômico volátil tende a aumentar a tentação de
decisões impulsivas, mas Henrique Barros alerta que agir por emoção pode
prejudicar o patrimônio. “A chave para proteger os investimentos está em adotar
uma estratégia disciplinada, evitando movimentos precipitados influenciados
pelas oscilações do mercado. O modelo de investimento baseado em objetivos
específicos, onde os ativos são alocados conforme metas de longo prazo, é o
mais assertivo. Ao entender a finalidade de cada investimento, como a
aposentadoria em 2040 ou a realização de uma viagem no ano que vem, o
investidor consegue resistir às flutuações diárias e manter a calma. A
paciência e a disciplina são essenciais para construir um patrimônio sólido ao
longo do tempo”, finaliza o especialista.
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